A Hora do Chá: ‘Lágrimas de Amor e Café – Babi A. Sette’

Oi gente!! O último romance de época a parecer, em 2019, na nossa coluna e eu fico muito feliz de dizer que é Lágrimas de Amor e Café, da Babi A. Sette. Eu estava muito curiosa por essa história desde que vi essa capa linda e fui me apaixonando a cada capítulo por um casal de italianos maravilhosos. Antes de falar mais dessa história, leiam a sinopse…

“Fragilizada pela morte da mãe e a miséria na Itália, Angelina aceita a proposta de um estrangeiro rico que oferece não só casamento, mas também conforto para seu pai e sua irmã caçula.
Decidida a ajudar a família, ela embarca para um país distante tendo como companhia somente a escrita e os romances que ama, já que durante a viagem o marido se revela muito diferente do príncipe que sonhou um dia conhecer. Vincenzo também tem o Brasil como destino e, por uma traição, vê seus sonhos roubados logo que desembarca no novo país. E é na fazenda de um barão do café, onde Angelina é senhora e também vítima do marido cruel, que Vincenzo acaba achando trabalho.
Em meio a encontros e conversas nasce entre ambos uma amizade verdadeira e uma paixão secreta que pode colocar em risco não apenas a vida deles, mas também a segurança de outras pessoas. Vincenzo e Angelina teriam coragem o bastante para esquecer as proibições, passar por cima dos perigos e viver esse grande amor?”

Angelina é uma jovem italiana que está vivendo uma vida muito difícil ao lado do pai e a irmã mais nova. Juntos eles tentam administrar sua pequena fabricação de queijos e vinhos, mas não tem sobrado muita coisa. Apesar das dificuldades financeiras, eles sempre foram uma família cheia de amor. Após a morte de sua mãe, a família começa a viver com mais dificuldade, então quando um rico estrangeiro aparece oferecendo um bom casamento para Angelina e uma vida confortável para sua família, então ela fica balançada.

Seus pais sempre deixaram claro que a família tinha sido construída a partir do amor entre eles, então eles esperavam que as filhas tivessem o mesmo destino. Só que agora Angelina precisará se casar com um homem que não conhece e ir morar numa terra estrangeira para que o pai e a irmã possam viver com mais dignidade. Ela embarca logo após o casamento com o marido, Pedro, um barão do café em São Paulo, para uma vida completamente desconhecida. Já em sua noite de núpcias, ela vai descobrindo que o marido está longe de ser o bom moço que se apresentou à seu pai.

“Tudo aquilo parecia um conto de fadas, mas uma parte do seu coração tinha certeza de que aquela história estava longe de ser encantadora.”

Vincenzo saiu da Itália ao lado do irmão, Matteo, em busca de uma vida melhor no Brasil. Ele sonha em abrir um restaurante e acredita que conseguirá um bom dinheiro por aqui, mas assim que chegaram já são roubados e ficam sem nada para viverem até que encontrassem trabalho. Ele fica desolado porque era todo o dinheiro que tinham conseguido juntar para sair da Itália e sem ele, o destinos dos irmãos fica a mercê de qualquer emprego que pague pelo menos o suficiente para comer e ter um teto sobre suas cabeças. É assim que os dois italianos vão parar numa fazenda de café no interior de São Paulo.

Os caminhos de Angelina e Vincenzo se cruzaram no Brasil. Eles vieram no mesmo navio e na primeira noite de viagem, Angelina está na varanda de sua cabine pensando em tudo que viverá ao lado de um homem que ela não sabe nada, que é muito mais velho do que ela e que provavelmente não será nenhum bom marido, alheia que, logo abaixo, Vincenzo admira a sua beleza quase irreal. Ela não o vê, mas Vincenzo guarda seu rosto na memória e no coração. Já no desembarque, Angelina se comove pelo homem que chora por ter sido roubado, mas Pedro se nega a ajudar. Dessa vez é Vincenzo que não vê Angelina, mas poucos meses depois eles se reencontrariam na fazenda. Ela como a senhora e ele como um dos colonos.

Angelina precisa exercer o papel de esposa perfeita, de só falar quando for solicitada e de sempre está disponível quando Pedro quiser visitá-la à noite. Ele não se interessa em conhecê-la assim como não faz questão que ela saiba quem ele é. Ele precisa de uma esposa e de um herdeiro, então Angelina está lá para cumprir este papel. Ela só tem a companhia das histórias que cria, mas até isso Pedro tira dela. Ela só volta a escrever quando sua governanta, Isabel, consegue material para isso. Ela passa seus dias escrevendo histórias que nunca viveria.

“Às vezes as pessoas que deveriam nos amar são aquelas que mais nos machucam.”

Vincenzo e Matteo chegam à fazenda e precisam trabalhar quase de graça, para que tenham onde morar e o que comer. Levam vidas muito difíceis e Vincenzo vê seu sonho de ter um restaurante cada vez mais distante. Trabalhando nos cafezais e mal tendo para pagar as despesas, ele não consegue economizar nem mesmo para ir embora dali e tentar a vida em outro lugar. Ele acaba descobrindo que sua musa, a mulher do navio que vive em seus sonhos é a senhora da fazenda, ou seja, uma mulher inalcançável. Mesmo assim ele vive para os minutos que ela passeia na propriedade e sorri para ele.

Os dois nunca trocaram uma palavra, mas Angelina fica mexida pelo jovem italiano e Vincenzo se vê cada vez mais encantado por ela. Vincenzo acaba conseguindo ir trabalhar como ajudante de cozinha após salvar Angelina de uma cobra. Nesse momento ele também descobre que Angelina é uma ótima escritora, mas mantém isso escondido do marido. Ele recebe uma moradia melhor e assim poderá economizar para seu restaurante. Além disso agora ele está mais próximo de Angelina e sabe seu segredo. Não demora muito para os dois passem a ser amigos e se encontrarem sempre que possível.

“Aquilo tudo que vinham vivendo era uma grande loucura, improvável, impossível de acabar bem. Quem eles queria enganar?”

Mais não esperem que esses encontros sejam amorosos porque não são. Os dois se encontram para ler e compartilhar memórias dos tempos na Itália, mas a cada dia fica mais óbvia a ligação entre eles. O problema é que Angelina é a esposa troféu de um barão cruel que seria capaz de matar os dois, caso decidissem fugir, então eles mantém os encontros e a relação apenas no nível da amizade. Só que o sentimento existe e apesar de saber que é um amor proibido e com consequências terríveis, eles não conseguem evitar de se amarem amarem profundamente.

Eu vou parar de falar da trama, porque, aparentemente, parece que já vamos concluindo tudo, mas teeem muita coisa para acontecer após os dois se apaixonarem. Os dois vieram para o mesmo país com destinos diferentes, mas sofreram quase que na mesma medida. Angelina chegou ao Brasil sem saber o que esperar, pois Pedro era um completo estranho antes e depois do casamento. Tudo que sonhou foi em viver uma linda história de amor como os pais, mas seu romance com Vincenzo não será nada fácil e o casamento com Pedro nunca será feliz. Ele é o típico homem do início do século XX, que não espera que a esposa tenha opinião ou vontade própria, então Angelina sofrerá muito com a brutalidade e o machismo dele.

Em contrapartida temo Vincenzo, um homem doce e gentil, que sonha em ter uma vida melhor e que possa trazer sua família da Itália e possam viver da renda do restaurante, mas a cada dia seus sonhos são roubados. Apenas Angelina consegue fazê-lo feliz mesmo que seja em circunstâncias tão perigosas. Ele sonha com o dia que eles serão livres do inferno em que vivem, mas a cada dia que passa fica mais difícil encontrarem um jeito de se verem livres de Pedro.

“Nunca é tarde para recomeçar e ir atrás de realizar sonhos. Nunca é tarde para termos coragem de ser quem realmente somos.”

A história tem um cenário muito real do Brasil, e de como o país era movido pelo dinheiro do café e as grandes fazendas traziam novos colonos italianos com a promessa de ficarem ricos, mas que chegavam aqui e eram explorados pelos barões do café. A Babi além de nos presentear com uma história ambientada nesse momento da história, homenageou as famílias italianas que entraram no Brasil nesta época. A cada início de capítulo tem o registro de uma dessas famílias e muitas leitoras se sentiram presenteadas por ver o sobrenome de sua família destacando um capítulo.

E já que eu comecei a falar de diagramação, bora falar dessa capa que é tão linda. Se eu não conhecesse nada da Babi, eu já compraria o livro pela capa. Essa paleta de cor que já remete ao café combina perfeitamente com um título que tem tudo a ver com a história. O relacionamento de Angelina e Vincenzo será construído em cima de muitas lágrimas, mas eles tem muito amor um pelo o outro. Eu já falei das aberturas de capítulo que está tão bonito, além disso temos fonte e espaçamento confortáveis para leitura. A Editora Verus nos presenteou com uma edição lindíssima e que combina perfeitamente com a história.

Lágrimas de Amor e Café é um daqueles romances que a gente fica torcendo para o casal desde o início, mas apesar de está amando, eu fiquei um pouco frustrada em como a resolução das coisas foi feita. Achei que perdeu aquele entusiasmo já que a autora escolheu que Angelina contasse sua história meses depois. Nós não ‘vivemos’ aquele momento, então ele ficou mais frio e distante. Eu sei que pode ser um detalhe insignificante para muitos, mas eu me apeguei aos personagens e sinto que vivi com eles todo o sofrimento e amor, então esse final não me agradou tanto.

“Cada batida do meu coração, existe para amar você.”

Eu super recomendo Lágrimas de Amor e Café para quem curte romance de época e que desejam fugir da maioria da tramas que se passam em Londres. O casal vai te conquistar desde as primeiras páginas, então é impossível não torcer por eles. Só deixo uma observação, a Babi trouxe temas que podem se tornar gatilhos, pois temos um romance abusivo entre Angelina e Pedro. Enfim, eu deixo minhas 4 Angélicas. Me despeço da coluna e nós voltamos semana que vem com o especial de fim de ano. Até lá ❤

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