Resenha ‘Cinco Destinos Sombrios – Kendare Blake’

Oi ooooi gente! Hoje eu vim trazer a resenha de Cinco Destinos Sombrios, da Kendare Blake. Esse é o livro que vai encerrar a série Três Coroas Negras, uma série de fantasia, com muito matriarcado e girl power para comandar a trama. Afinal, na Ilha de Fennbirn, somente as mulheres podem ser Rainhas e sempre tem as três filhas, que brigam pelo direito de usar a próxima coroa. Como é o último livro da série, a resenha pode ter alguns spoilers sobre os anteriores, mas não sobre esse! Antes de falar mais, vamos a sinopse…

Após o sangrento confronto com o exército da Rainha Katharine, a Rebelião está quase perdida. A maldição da legião de Jules provou não poder ser controlada, e cabe a Arsinoe não apenas encontrar a cura como também parar a névoa que avança sorrateiramente pela Ilha.
Em busca de respostas para os mistérios que as cercam, Mirabella resolve ir para a capital, mas segue dividida entre a lealdade que tem pela Coroa e sua amizade com Arsinoe.
Na capital, o reinado de Katharine permanece intacto, mas até quando? Seu ataque à Rebelião exigiu um preço alto e, sem seu amado Pietyr, em quem ela poderá confiar quando Mirabella chegar? Dentro da Rainha Coroada, as rainhas mortas sussurram que Mira não é confiável, mas parecem ser atraídas demais pela elemental…
Nesta épica conclusão da série Três coroas negras, as três irmãs se erguerão para enfrentar a névoa e a fúria das rainhas mortas, à medida que os segredos da história de Fennbirn forem revelados. Uma coisa é certa: o destino da Ilha está nas mãos de suas rainhas.

No final do livro anterior, já tivemos a primeira batalha entre o exército da atual Rainha Coroada, Katharine, com a rebelião, que tem Jules no comando. Mirabella e Arsinoe, depois de um período no Continente, voltam para a sua Ilha de nascença, para poderem entender quais os papéis elas tem nessa guerra que se inicia. Arsinoe, depois que vê o estado que Jules ficou, quando a maldição da legião foi rompida, com a morte de sua mãe Madrigal, precisa usar de seus conhecimentos com magia baixa e com o que vem aprendendo sobre ser envenenadora, para poder salvar sua melhor amiga. Mirabella, decide ir encontrar com Katharine, por achar que ela pode ajudar sua irmã mais nova, que ainda pode entender o que está acontecendo com ela.

De uma forma ou de outra, nenhuma das duas tem uma tarefa fácil. Mira sofre bastante por estar, de certa forma, traindo Arsinoe, mas sente que tem algo importante que ela precisa descobrir e isso só vai acontecer, se ela partir para a capital, ainda que não saiba também como será recebida. Arsinoe corre contra o tempo, para arrumar uma forma de ajudar Jules voltar, mesmo que pouco, ao que era antes. Por ela, mas pela Rebelião também. E, enquanto isso, Katharine também vai lidando com seus fantasmas. Literalmente falando. Já que as Rainhas Mortas, que estão dentro dela, estão mais incontroláveis do que nunca e falando muito mais. E, depois do ataque que elas fizeram a seu amado Pietyr, ela está sozinha. Afinal, ele pode não estar morto, mas também não está vivo.

– Se faz você se sentir melhor, ela não me escolheu de verdade – diz Katharine. – Ela escolheu quem ela sempre escolhe.
– A Deusa – diz Mirabella. – A Ilha. Como todas nós fazemos. 

Quando Mirabella chega ao encontro de Katharine, muitos do Conselho Negro não acham que é uma boa ideia confiar em uma outra Rainha. Uma que era favorita ao trono, mas que deveria estar morta. Só que a dádiva que Mira tem, é que a parece estar dando um jeito de controlar a névoa, que tem feito cada vez mais vítimas e ninguém consegue entender o porque. E, ainda que existam sussurros em seu interior, a Rainha Coroada quer confiar em sua irmã e poder contar com sua ajuda. Resta saber se a sua vontade será maior que as das Rainhas Mortas que habitam dentro dela.

Já Arsinoe, quando consegue resolver o tormento da maldição da legião que descontrolou Jules, sabe que precisa chegar até Mira e entender o que a irmã planeja. Além disso, ela vai apoiar, mais do que nunca, sua melhor amiga na rebelião, ainda que isso signifique passar mais tempo junto de Emilia. Essa apoia a rebelião acima de tudo, mas também não é uma pessoa fácil de lidar. Ainda que confie totalmente em Jules, não se sente da mesma forma com as outras Rainhas. Mas, aos poucos, Arsinoe vai quebrando um pouco da barreira que existe entre elas. Só que, acima de todas essas relações, está a batalha final, a que decidirá o destino deles e da Ilha de Fennbirn. E, a Rebelião contará até mesmo com ajudas inesperadas. Só precisamos saber se isso será o suficiente para controlar a Rainha Katharine e seu exército, ou se a Rainha Coroada vai continuar saindo vitoriosa.

– Reinar como uma rainha é também ser comandada pelos interesses das pessoas. Da Ilha.

Tentei falar o mínimo possível da história, ainda mais sendo o tão esperado encerramento. Mas, quero falar um pouco sobre os personagens, começando com as nossas Rainhas. Minha favorita, é Arsinoe, como já falei em outras resenhas. Acho que, do primeiro livro até esse, temos uma gigante evolução nela e eu amei acompanhar isso. Ela saiu de uma naturalista que era tida como fraca e que se envolveu com magia baixa, para alguém forte, uma envenenadora, que está aprendendo várias coisas sozinha e que sabe controlar a magia de várias formas. Uma menina desconfiada, mas que ganhou sua irmã de coração, além da melhor amiga e até mesmo um amor.

Mirabella é outra que, para mim, também teve uma evolução. Não sei se digo isso de forma pessoal, já que não gostei dela no primeiro livro, mas acho que ela vai se mostrando cada vez mais corajosa e não tão controlada pelo templo, como parecia. Ela é a irmã que, desde sempre, tentou cuidar e proteger as outras duas, que deu amor e sofreu muito com a separação. Talvez por isso, seu grande ponto fraco é seu sentimento por Arsinoe e Katharine. E isso a faz arriscar muita coisa, para poder ajudar as duas.

Katharine também mudou desde o início da série. Só que, ao contrário das outras duas, parece ter ido para o caminho contrário. Ela era uma menina doce, amedrontada com todo o veneno que era obrigada a consumir, mas na noite em que a iniciação começou, sua vida mudou. Ao cair na fenda da Ilha, ela acabou salva por Rainhas Mortas, que adentraram seu corpo e passaram a conviver com ela, envenenando seu corpo e sua mente. Mesmo que ainda tenha flashes da menina que foi e tente lutar com as irmãs mortas, ela acaba perdendo no meio de tanto rancor daquelas que não puderam reinar.

– […] São tantas rainhas antigas que voltaram. Para você e para Arsinoe. Talvez até para mim, como a névoa. Antigas rainhas para as novas.
– Rainhas vivas ou mortas – sussurra Katharine, e os olhos de Mirabella lampejam os dela. 

Jules acabou se tornando mais uma das rainhas, ainda que seja mais por aclamação, do que por direito de nascença. Ela está envolvida com a rebelião, mas também tem seus próprios problemas para lidar. A maldição que pode colocar tudo em risco, sua família, sua melhor amiga. Tudo ela precisa administrar, junto com a responsabilidade de ser a cara daquilo que veio para mudar a tradição que Fennbirn conhece há anos. E, ela não vai fugir da luta mesmo.

Os personagens secundários são vários, ainda que já estejamos familiarizados com todos eles. Claro que uns, já tem o seu destaque, como o Júnior. Ele foi um dos pretendentes apresentados à Ilha e se apaixonou por Arsinoe. Ele a segue por toda a parte e está disposto a lutar ao seu lado, pelo futuro de Fennbirn. Também tem uma linda amizade com Mira. Outro interesse amoroso, só que de Katherine, é Pietyr. Por tentar ajudá-la a se livrar das mortas que a atormentavam, ele coloca a própria vida em risco. Temos as amigas de Mira, Elizabeth e Bree, que são as mais queridas e fiéis que alguém poderia ter. E, por fim, Emília. Ela segue não sendo a pessoa mais fácil para lidar, irrita em vários momentos, mas ela ama Jules e quer um futuro melhor para toda a Ilha. Também perde coisas, mas não se deixa cair.

– […] Que safra horrível de rainhas, todas nós. Nenhuma de nós é o que deveria ser. 

Kendare, mulher do céu, nos faz ficar sem fôlego! Ela não tem medo de arriscar nas coisas que vai fazendo durante a trama. Nas tramoias que vai desenvolvendo, nos passos que vai seguindo. Ousadia é seu nome, não importa para qual personagem isso vá. Como disse no último livro, não só ela não tem medo de matar personagens, como também não hesita em deixar ameaças no ar. Isso também significa que os leitores podem sofrer e se despedir de mais algumas pessoas. Nem sequer nego que derramei diversas lágrimas e fiquei agoniada em várias momentos, durante a leitura. Tomando um fôlego, me vi super envolvida no livro, devorando as páginas e querendo saber o que o destino estava guardando para cada personagem, se ele seria sombrio mesmo, como o título disse. Sua escrita é muito fluída, alucinante e nos envolve mesmo naquele universo que ela criou. A narrativa em terceira pessoa ajuda a nos conectar com todos os personagens. E, mais uma vez, preciso dizer que amei demais como ela criou a lenda e a história de Fennbirn e o quanto as mulheres são fundamentais por lá.

A diagramação é sempre uma lindeza. Mais uma vez, eles mantiveram a capa original, além de terem traduzido o nome de forma perfeita, uma pena é a palavra ‘negro’ não se encaixou, sendo trocada para ‘sombrio’, como foi o no quarto. A capa é soft touch, com elementos que remetam a Rainhas. O livro em sua parte interna é verde escuro. Temos uma lista de personagens separadas por suas localidades e postos, além de uma mapa. As páginas seguem sendo amareladas, com um bom espaçamento e letras ótimas para a leitura.

A primeira rainha de Fennbirn é representada com cinco braços. Em cada uma de suas mãos está uma dádiva. Fogo em um punho fechado. Uma maçã em uma palma aberta. Uma adaga empunhada. Um olho aberto, olhando para fora. E uma cobra serpenteando pelos seus dedos. A primeira rainha era uma Rainha da Legião. 

Cinco Destinos Sombrios coloca o fim em uma incrível série de fantasia, que é alucinante. Foram cinco livros para nos apresentar todo o mundo e a mitologia de Fennbirn, além do seu modo de valorizar o poder feminino. Foi maravilhoso conhecer esses personagens, me apaixonar por eles, acompanhar suas escolhas e chegar ao final. Claro que gostaria de mais alguns detalhezinhos, quem sabe um epílogo maior ou mais abrangente. Mas, não posso dizer que o livro tenha sido menos do que incrível! Então, me despeço da série Três Coroas Negras, deixando cinco Angélicas.

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