A Hora do Chá: ‘Cortesã por uma Noite – Lisa Kleypas’

Oi gente! Hoje tem chá nesse blog e vim falar do último lançamento da Lisa Kleypas no Brasil e que promete uma trama cheia de mistérios e que já pela sinopse e capa se mostra muito diferente dos demais livros da autora. Eu sou completamente apaixonada pelos livros da autora, então assim que saiu a pré-venda desse livro, eu já garanti o meu, ainda mais por ser uma trama que envolveria investigação. Já imaginei que seria um livrão de romance de época com romance policial, então eu me joguei e, beeemmm… não foi muito o que esperava. Fiquem com a sinopse, que já conto mais do que esperava dessa história e o que foi que recebi…

“Certa noite, o belo e misterioso policial Grant Morgan é chamado para investigar uma vítima de afogamento no rio Tâmisa. Quando chega lá, fica surpreso ao reconhecer Vivien Rose Duvall, um de seus grandes desafetos, a mais famosa e exclusiva cortesã dos salões londrinos.
Grant fica mais surpreso ainda ao perceber que a moça está viva. Sem saber o que fazer, ele decide levá-la para casa, apesar de seu desprezo por ela. Quando Vivien acorda, porém, os dois percebem que ela não se lembra de nada.
Durante a investigação, logo fica claro que a moça sofreu uma tentativa de assassinato e que sua vida ainda está correndo perigo. Enquanto tenta protegê-la, Grant se sente cada vez mais atraído por ela. E Vivien, incapaz de recuperar a memória, se entrega de corpo e alma a seu salvador.
Nesse mistério envolvente cheio de pinceladas de romantismo, duas vidas se cruzam de maneira inesperada e uma paixão avassaladora coloca em dúvida tudo que eles achavam que sabiam.”

Grant Morgan é um patrulheiro que fez tanto sucesso em sua profissão, que hoje tem uma vida confortável e circula, tantos nos lugares mais baixos de Londres quanto nos bailes da aristocracia. Seus feitos como investigador renderam histórias que circulam entre os criados, mas isso também lhe rendeu alguns desafetos, até mesmo entre seus colegas de profissão. Cerca noite, Grant é chamado para investigar um corpo retirado do rio Tâmisa. O rapaz que tirou a vítima do rio só relatou que era uma moça e que já estava sem vida, então é claro que o patrulheiro fica surpreso por ver que a mulher está viva. Machucada, mas viva.

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Quando chega mais perto para investigar, Grant reconhece a vítima. Ela é Vivien Duvall, uma das maiores cortesãs de Londres e um dos desafetos dele. Há uns dois anos, os dois se conheceram numa festa e Grant, é claro, que se sentiu completamente atraído pela orbita da Srta. Duvall, mas uma pequena conversa entre eles mostrou ao patrulheiro o quanto ela fútil e interesseira. Ele resolveu deixar o flerte de lado, mas a cortesã não levou a rejeição numa boa e espalhou que Grant tentou se tornar seu novo protetor e ela o rejeitou. É óbvio que o homem recebeu isso como um tiro em seu orgulho e passou a odiar a moça.

Agora, ele está diante da moça, que foi atacada e deixada para morrer, mas que sobreviveu e no momento não se lembra de nada, nem mesmo o próprio nome. Grant decide levar a moça para casa e manter segredo sobre ter resgatado alguém com vida, então relata apenas para o seu chefe e continua a investigação. Sabendo quem é a vítima, qualquer pessoa das camadas mais altas da sociedade poderia ter mandado matar Vivien. E Grant tendo a cortesã em sua casa, não sabe como lidar com todos os sentimentos que a moça desperta nele, inclusive um de vingança por ela ter espalhado os boatos sobre ele.

“Uma mulher linda, uma lareira ardendo em brasa, uma biblioteca cheia de livros e uma garrafa de vinho… Talvez não fosse a ideia de paraíso de todos os homens, mas Deus sabia que era a dele.”

Os dias vão se passando e Vivien ainda não sabe quem ela é, mas fica cada vez mais envergonhada de saber de sua antiga vida como cortesã. Apesar de não se lembrar de sua vida, ela ainda acha que não poderia ser essa mulher que Grant diz que ela foi. O patrulheiro também fica intrigado com essa nova Vivien, pois ela não é nada como ele se lembrava dela. Ele acaba desconfiado de que ela poderia estar fingindo uma falta de memória para poder se manter escondida de quem a atacou, então Grant diz que eles estavam envolvidos e que era o seu novo protetor para poder observação a reação da moça.

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Vivien se sente atraída por Grant e além disso muito grata por ele ter resgatado e cuidado dela, mas ela sente que apesar dele retribuir os sentimentos dela, também há aquele desprezo pelo o que ela fazia antes do atentado à ela. Mesmo que não se lembre de ser uma cortesã, Vivien deseja recomeçar assim que tudo for resolvido e puder viver normalmente. Ainda não sabe se isso acontecerá com Grant, pois apesar dele ter dito que eles tinham um arranjo, ela não gostaria nem um pouco de continuar como amante dele. Vivien acha que deveria deixar que ele continuasse o caso deles enquanto está vivendo na casa de Grant, mas ao mesmo tempo ela nem sabe como ser a tal famosa cortesã.

“Não somos folhas em branco ao nascer, somos? Acho que algumas coisas já devem existir em nós quando nascemos, antes que a experiência comece a nos modificar.”

A leitura de Cortesã por uma Noite não foi nada do que eu esperava. Como a Lisa Kleypas é a minha autora preferida de romances de época, é normal a gente pegar todos os livros com altas expectativas, então quando ela não é atingida, a queda é grande né? Eu estava super animada por ver uma história diferente das outras que já li da autora e de algum modo a animação se manteve durante boa parte da leitura, mas ela foi se perdendo conforme os ‘mistérios’ eram revelados. O primeiro plot foi totalmente previsível. Eu já sabia a verdade sobre Vivien assim que as diferenças foram aparecendo. O plot twist se mostrou muito interessante, mas de algum modo foi desenvolvido muito rapidamente e para que a história fosse finalizada.

Pesquisando no Goodreads, eu descobri que esse livro foi publicado em 1998, ou seja, um dos primeiros da carreira da Lisa, então além de retratar uma época onde o machismo era exacerbado, também foi escrito num período que a grande maioria das mulheres não enxergavam certas atitudes masculinas como machistas. Não justifica, mas se torna mais compreensível já que Grant Morgan é um exemplar de homem machista. Eu fui gostar dele basicamente no final do livro e, apenas em algumas passagens ele demonstrava ser um homem bom e não o cara vingativo que foi descrito durante quase toda a história. Ele nem mesmo conseguia reconhecer que estava sim se apaixonando por uma cortesã e que Vivien era muito mais do que a profissão que exercia.

“Acho que a verdade é algo que se reconhece com o coração, mesmo quando as evidências parecem provar o contrário.”

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Se Grant se mostrou o machão alfa e de masculinidade frágil, do outro lado temos Vivien. Quando li na sinopse que a mocinha seria uma famosa cortesã, eu já imaginei uma mulher forte, determinada e que se impusesse, mas aí recebemos uma mulher frágil, amedrontada e, pra mim estava ok, porque ela tinha passado por momentos difíceis e perdido a memória. Só que ao longo dos capítulos não temos um fio daquela impetuosidade que as pessoas tanto mencionam, ela continua delicada e sem personalidade. Em alguns momentos, ela demostrou ser mais forte e decidida, mas isso tudo se perdia diante de Grant.

Os personagens evoluem? Graças a Deus, Grant vai melhorando muito e até mesmo reconhece todos os erros que cometeu com Vivien, mas ela continuou sem personalidade alguma. É claro que muito disso se dá por causa da personagem não se lembrar quem é, mas ainda sim, senti falta dela reivindicar seu nome e não se deixar ser humilhada apenas por ser cortesã. No primeiro plot, nós descobrimos algo sobre ela e eu sinceramente torci até que não fosse verdade, mas paciência. Os capítulos finais são bem interessantes e acabam levando mais a fundo a investigação, então a parte do romance policial fica mais evidente e isso movimenta positivamente a trama. O epílogo salva muito a história de Grant e Vivien, pois ali eu acreditei completamente na mudança do patrulheiro.

“Porque não é todo dia que um homem descobre que uma mulher pequena, frágil e dada a acidentes é centro da existência dele.”

Cortesã por uma Noite é o primeiro livro da Trilogia Os Mistérios da Bow Street e na contra capa, a Editora Arqueiro já disponibilizou as capas dos próximos livros. Eu acho que a capa nacional super combinou com a sinopse, dá aquela sensação de investigação e mistério, além de mostrar uma aérea não tão nobre de Londres. A diagramação é a padrão da editora e não me lembro de ter visto erros de revisão. A edição veio com um brinde para quem comprasse na pré-venda que é um colar bem bonitinho. A narrativa é toda em terceira pessoa, mas temos a visão dos protagonistas e até mesmo de outros personagens, que não citei, mas que são importantes para o plot twist.

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Enfim, Cortesã por uma Noite não foi exatamente o que eu estava pensando, mas não deixa de ser um livro interessante. Ele não me conquistou completamente, mas ainda estou curiosa pelos próximos livros, ainda mais por saber que teremos Sir Ross Cannon, o chefe dos patrulheiros, como protagonista. Ele é um homem que ficou viúvo do grande amor de sua vida e que prometeu no leito de morte da esposa que jamais se casaria novamente. Então já quero saber como Lady Sophia vai conquistá-lo, a ponto dele quebrar essa promessa. O livro também se destaca por fugir das tramas que envolvem a nobreza e nos mostrar um lado não explorado dos romances de época. É um bom entretenimento, nada semelhante ao que estamos acostumadas a receber da Lisa Kleypas, mas ainda estamos falando de um livro da Lisa, então é claro que vale a leitura. Com o coração partido deixo minhas 3 Angélicas.

CLASSIFICAÇÃO 3ANGÉLICAS

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