A Hora do Chá: ‘O Conde que Eu Arruinei – Scarlett Peckham’

Oi gente! Estou de volta nessa amada coluna, que este mês completou 3 anos de existência. Foram tantos livros que já passaram por aqui e um deles foi o début de Scarlett Peckham no Brasil. Assim que eu vi a capa de O Duque que Eu Conquistei, eu quis ler o livro e ele foi um dos Melhores Livros de 2020 pra mim, então não é segredo que eu estava bem curiosa pelo próximo livro da trilogia e graças aos Deuses dos leitores aflitos, a Editora Arqueiro não tardou em lançar. No final de janeiro foi publicado O Conde que Eu Arruinei e assim que eu recebi o livro, ele passou na frente de basicamente todos os outros na fila de leitura. Fiquem com a sinopse, que eu já conto um pouco mais sobre ele…

“Depois que lady Constance Stonewell sem querer arruína o futuro de Julian Haywood, o conde de Apthorp, com sua coluna de fofocas, ela faz a única coisa que resta a uma dama honrada: se oferece para casar com ele. Ou, pelo menos, para encenar um noivado às pressas e, assim, salvar a reputação do coitado.
Mesmo que isso signifique passar um mês inteiro na companhia do sujeito mais sem graça da Inglaterra, um homem que condena todos os prazeres que ela mais adora.
O conde de Apthorp está prestes a se tornar o homem que sempre desejou quando vê seu nome ser arrastado na lama. E assim que lady Constance, a mulher por quem ele é secretamente apaixonado, confessa que foi tudo culpa dela, não é só a vida dele que se parte em mil pedaços, mas também seu coração.
Agora os dois têm um mês para limpar o nome dele e convencer a sociedade de que estão perdidamente apaixonados. Ao longo desse tempo, Constance percebe que, por trás da fachada tediosa, seu falso pretendido é muito mais interessante do que ela poderia imaginar.
Só que conseguir o perdão dele e convencê-lo a levar o teatrinho para a vida real vai ser o plano mais difícil de todos os que Constance já criou. E o mais delicioso também.”

Lady Constance é uma herdeira rica, que não tem medo de dizer o que tem vontade, é a alma dos eventos e está sempre circulando pelos bailes. Com seu jeito espevitado e, até mesmo, espalhafatoso, vai ganhando a atenção de todos. Como uma boa moça da sociedade, ela adora um mexerico e até mesmo ajuda a propagá-los. Mas, desta vez, Constance foi longe demais e ‘sem querer’ acabou espalhando uma fofoca capaz de destruir a honra de qualquer um. O alvo de suas palavras foram Julian Haywood, o conde de Apthorp, que viu seu nome, num jogo de palavras maldosas, sendo levado para toda a sociedade londrina ler. Mesmo sendo um conde e um parlamentar muito respeitado, o homem está arruinado, assim como sua carreira política, e não há nada que possa ser feito a respeito. 

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E realmente não há muito que Constance possa fazer para tirar o ‘Lord Chato’, como ela vem chamando ele por quase uma década, da enrascada que ela mesma criou, mas ela é uma mulher honrada e como tal precisa fazer o que é certo. Constance vai até a casa de Apthorp e lhe oferece sua mão em casamento. Ela vem de uma família muito respeitada e seu irmão é nada mais, nada menos que Archer Stonewell, o duque de Westmead, e o bom nome de sua família faria com que logo esse escândalo fosse jogado para baixo do tapete. É claro que o conde achará aquela ideia totalmente sem pé nem cabeça, mas logo Constance lhe convence que eles poderiam encenar um noivado falso e assim reconquistar a confiança dos parlamentares e de toda a sociedade. 

“- Por que veio aqui? – indagou ele, com a voz rouca. – Para consertar as coisas – sussurrou ela. […] Sr. Apthorp, estou aqui para fazer o que a integridade exige quando as ações de alguém, mesmo que inadvertidamente, arruínam a reputação de outra pessoa. Vim lhe oferecer minha mão em casamento.”

Durante um mês os dois precisam convencer à todos de que estão loucamente apaixonados e que o texto publicado no jornal nunca foi direcionado à Julian. O problema é que a primeira pessoa que eles precisam convencer é justamente o irmão de Constance, o duque de Westmead. O duque acredita que o noivado seja mais um dos muitos caprichos da irmã, então inicialmente se mostra contra o casamento. Só que o plano dos dois só vai funcionar, se eles tiverem o apoio do Archer, então não demora muito para que Constance prove ao irmão de que está terrivelmente apaixonada pelo ‘Lord Chato’ e que eles vão se casar por amor. Conquistado o apoio do duque, o casal segue para a segunda parte do plano, que é convencer uma parte muito conservadora da sociedade de que tudo não passou de um terrível engano. 

“- Eu tenho que fazer tudo? – disse ela, exasperada. Então Constance agarrou Apthorp pelos ombros para que ele não pudesse escapar e colou os lábios com força aos dele.”

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Eu não sei vocês, mas se eu ler na sinopse que vai ter namoro falso, eu já fico completamente grudada no livro e aqui não foi diferente. O que me espantou mesmo foi saber o quanto os dois realmente eram apaixonados um pelo outro, mas por anos fingiram que se odiavam. Eles tem um passado e o motivo desse ódio vem justamente de quando se conheceram. Constance era uma adolescente, linda e imprudente, e que despertou as atenções de todos, mas o jovem Julian não lhe demonstrou todo o seu afeto porque julgava que a moça era extremamente jovem e ainda tinha o fato de que ele tinha acabado de herdar o condado. Mas, ao longo dos anos, ele nunca esqueceu do momento em que pôs os olhos pela primeira vez em Constance e prometeu a si mesmo que um dia declararia todo seu amor à ela. Só que os anos foram se passando, seus problemas se acumulando e nunca pareceu certo dizer à ela o que sentia. 

Constance também nunca foi imune aos encantos de Julian, mas quando tentou demonstrar o que sentia, ele a recusou, ou foi o que ela achou que aconteceu. No alto de seus 14 anos, a jovem lady se sentiu humilhada quando tentou chamar a atenção do conde, lhe fazendo ciúmes e acabou se metendo numa situação constrangedora e que ela acredita que seja o motivo para Julian desprezá-la. O que aconteceu naquela época marcou Constance de uma maneira que Julian nem imaginava, então ambos seguiram em frente e se declararam ‘inimigos’. Ela partiu para Paris e só voltou depois da maior idade, enquanto Julian tentava construir sua carreira política, salvar o pouco que tinha herdado e ainda cuidar de sua família. 

“É suficientemente observadora para já ter concluído que costumamos detestar nos outros as características que mais odiamos em nós mesmos.”

Vocês já notaram que tudo que eles viveram foi uma grande mentira, né? Sempre gostaram um do outro, mas se esconderam atrás das mágoas do passado. Agora com o relacionamento falso, ambos vão percebendo o quanto ainda se gostam, mas uma série de problemas dificulta muito que eles se entreguem ao sentimento. O maior problema é o pré-julgamento enraizado que eles sempre tem em relação ao outro. Constance é mimada e, muitas vezes, birrenta, mas atrás dessa personalidade espalhafatosa, esconde uma mulher com várias marcas e diria que até mesmo frágil. Sempre se sentiu rejeitada, então se esconde atrás da personalidade marcante que criou. Quem a conhece nunca diria que Constance é insegura, mas a verdade sobre ela, apenas Julian descobrirá. 

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E falando do conde, ele também se esconde atrás de uma personalidade respeitosa e eu já estou avisando que passei o livro inteirinho passando pano pra ele e não me arrependo. Ele é sisudo, muito determinado no seu trabalho político e dedica todo o seu tempo em recuperar os bons tempos do condado. Mas atrás dessa fachada de ‘Lord Chato’, existe um Julian cheio de desejos, muitos deles considerados escandalosos demais, e que se descoberto arruinaria toda a imagem que construiu ao longo dos anos. Os boatos, iniciados pela nota do jornal, mostram que ele pode ser um pervertido, mas sua história é ainda mais sombria e é um dos muitos plots twists desse livro. Como Julian herdou o condado muito jovem e ainda perdeu tudo num investimento que não deu certo, ele se sente culpado pela vida que a mãe e a irmã levam depois disso e por isso é tão determinado a ser reconhecido no meio político. Isso mudaria suas vidas para sempre. 

“O amor quase sempre machuca, mas você é afortunado por ter uma vida inteira pela frente para compensá-la.”

E plot twist é o que não vai faltar nessa história. A Scarlett testou nossos corações basicamente o livro inteiro, mas isso movimentou a trama e não deixou nada previsível. Eu ia lendo e criando minhas teorias, mas a maioria delas não se comprovaram. Eu amei que ela trouxe uma mocinha para salvar a reputação do protagonista, que pra mim foi algo totalmente inédito, sem falar do grande segredo de Julian. Eu vi algumas pessoas reclamando que a série tem sido vendida errada por não ter BDSM suficiente, mas eu vejo o tema sendo abordado em todos os livros, mesmo que seja de maneira sútil. Acredito que o que a autora quis mostrar é que mesmo naquela época, as pessoas já buscavam prazer da forma que lhe agradavam mais e é aí que entra o nome da série, já que os segredos que envolvem os protagonistas estão ligados à uma casa de prazer: O Clube na Charlotte Street. Ainda dentro do tema prazer, eu achei interessante que a autora trouxe o pudor para discussão, já que você pode até ser pervertido, mas as pessoas não podem saber nada sobre isso ou você estará arruinado. 

A edição de O Conde que Eu Arruinei está tão linda como a do primeiro livro da série Segredos da Charlotte Street. A capa super combina com Constance. É como se eu estivesse vendo a própria nesta capa, então tenho que parabenizar a Editora Arqueiro por ter mantido as capas originais. Ainda falando da edição, a diagramação é simples e a padrão da editora, então temos fonte e espaçamentos confortáveis para a leitura, além de páginas amareladas. Eu falei, lá no enunciado, que tinha amado o primeiro livro, então assim que este foi anunciado, eu comprei. E comprando antecipadamente levava esse cordão que tem uma chave como pingente e eu adoro o simbolismo desse objeto na série, pois além de abrir o que deveria abrir, eu sinto que também é uma forma de abrir os passados de seus protagonistas. 

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O Conde que Eu Arruinei chegou para comprovar que Scarlett Peckham já tem seu lugar garantido na minha estante. Achei essa história menos densa que a do primeiro livro, mas Constance não me decepcionou. Eu já estava preparada para ver uma mocinha espalhafatosa e mimada, mas não estava preparada para ver sua vulnerabilidade. Eu ri em tantos momentos com as loucuras dela, mas me emocionei quando seu passado veio à tona porque mais uma vez mostra o quanto as mulheres são julgadas. Achei as cenas íntimas extremamente sensuais e a volta de alguns personagens só me deixaram querendo recomeçar a ler a trilogia. Diferentemente do que aconteceu lá em O Duque que eu Conquistei, a autora não deixou um ‘petisco’ para O Lorde que Eu Abandonei, então estamos completamente no escuro sobre o que esperar do terceiro livro. Enfim, mesmo achando que ele não é melhor que o primeiro, acredito que cumpriu seu papel e merece minhas 5 Angélicas. 

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

 

 
 

 

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