Resenha ‘Se Não Fosse Você – Colleen Hoover’

Oi ooooi gente! Hoje eu estou chegando com a minha primeira resenha de 2021 – sim, afinal minha vida virou de cabeça para baixo esses últimos dois meses -, que fala sobre um dos últimos lançamentos de 2020, que é Se Não Fosse Você, da minha amadíssima Colleen Hoover. Esse livro foi anunciado durante uma live com a autora no perfil da Galera Record e, na mesma hora, corri para garantir a minha edição. Apesar de ter lido o livro assim que ele chegou, acabei deixando de falar dele, mas estou aqui para reparar esse erro. Antes de comentar sobre a trama, fiquem com a sinopse…

Morgan e Clara Grant são mãe e filha, e aparentemente não têm nada em comum.
Morgan engravidou muito nova, com dezesseis anos, e está determinada a evitar que sua filha passe pelas mesmas dificuldades que enfrentou. Colocando sempre a família em primeiro plano, Morgan deixou os próprios sonhos de lado para dedicar-se à filha e ao marido.
Clara, por sua vez, não quer seguir os passos da mãe – ela não consegue enxergar nada de espontâneo na personalidade de Morgan. No auge dos seus dezesseis anos, seu maior desejo é ir para a universidade estudar teatro, mesmo que os pais não incentivem a carreira.
Com personalidades incompatíveis e objetivos divergentes, a convivência entre Morgan e Clara está cada dia mais insustentável. A única pessoa capaz de criar um ambiente de paz é Chris – marido de Morgan, pai de Clara, o porto seguro da família. Mas essa paz é quebrada após um trágico acidente que muda completamente a vida das duas.
Enquanto Morgan luta para reconstruir tudo que desabou ao seu redor e encontra conforto na última pessoa que esperava, Clara só aumenta sua lista de rebeldias. Com o passar dos dias, novos segredos, ressentimentos e mal-entendidos fazem com que mãe e filha se afastem ainda mais… e a distância aumenta tanto ao ponto de uma reaproximação se tornar improvável. Depois de tanto tempo distantes e com muita coisa não dita, será que ainda há chances de que tudo fique bem?
Em Se não fosse você, Colleen Hoover mais uma vez entrega aos leitores uma trama rica em desenvolvimento de personagens, fortes e complexas emoções e, principalmente, situações tão cruas quanto reais.

O livro tem seu pontapé inicial mostrando Morgan na adolescência, junto com Chris, seu namorado, a irmã Jenny e Jonah seu amigo/cunhado indo para uma festa. E prestes a descobrir aquilo que mudaria a sua vida naquele momento: ela estava grávida, aos 16 anos, antes de começar a viver, conseguir ir para faculdade e, principalmente, já nem tendo total certeza de seus sentimentos pelo seu parceiro.

Então, se passam 16 anos e vamos encontrar Morgan casada e mãe de uma adolescente, Clara. Ambas são bem diferentes, até porque, a filha não consegue enxergar sua progenitora como alguém espontânea. A jovem só enxerga o jeito metódico e absurdamente rotineiro que a vida vai sendo levada pela matriarca. Devido a isso e as regras, Clara tem mais afeição ao pai e a sua tia. Chegando até mesmo pedir conselhos amorosos para ela. O que só não passa em sua mente é que quem lhe dá conselhos, é Morgan, já que a irmã pergunta para ela o que dizer. E, como mãe, prefere ajudar a filha, mesmo que seja assim, do que correr o risco de não saber de nada de sua vida.

Às vezes, você precisa sair de uma briga para vencê-la.

Ainda que Morgan siga uma rotina, tudo em sua vida vai virar de cabeça para baixo. Jonah vai voltar para a cidade, depois de sumir logo após anúncio de sua gravidez, tantos anos antes. Só que agora ele é o pai de seu pequeno sobrinho e voltou a viver um relacionamento com sua irmã. Mas, logo após seu aniversário, um grave acidente de carro irá acontecer e nele, Morgan perderá o marido e a irmã. E isso vai lhe arrancar o chão. Não só pelo fato de perder duas das pessoas que mais ama, mas pelo o que virá a tona também.

Enquanto vivencia o luto e com as revelações que aparecem em seu caminho, Morgan também precisa lidar com os sentimentos de Clara, que começa a ter atitudes que não teria normalmente. A primeira é acabar fugindo do funeral de seu pai, para ficar com Miller, mesmo depois de ser proibida. Ela acaba até mesmo fumando maconha, antes que sua mãe a pegue em flagrante. Decide seguir em frente com seu trabalho que pode mandá-la para a faculdade de teatro, algo que não era do desejo de seus pais. E, conforme o tempo passa, ela e Miller começam um relacionamento.

– Só seria hipócrita se a ação contra a qual alguém se opõe ocorresse depois da oposição.
– Seja lá o que isso significa.
– Significa que as pessoas aprendem com seus erros. Isso não as torna hipócritas. Só experientes.

Já Morgan, enquanto lida com as rebeldias da filha, que procura compreender e tentar acolher a menina, mesmo quando acaba sendo rechaçada. E ela aceita o comportamento, porque acredita que tem ligação com a perda do pai. O problema é que com a morte de Chris e as verdades que vem a tona, Morgan prefere lidar com o seu sofrimento, sem compartilhar as informações com a filha, para proteger a memória daquele que Clara tanto ama. Só que isso vai prejudicando cada vez mais a relação entre as duas, especialmente quando Jonah também tem seu lado envolvido e o amor que os dois sentiam quando mais novos, passa a falar mais alto. Resta saber como todos os envolvidos vão se comportar diante das situações e até quando segredos podem ficar escondidos.

Tentei falar pouco sobre a trama, porque muito do desenrolar, precisa do impacto da notícia. Seja para que a gente ame ou odeie o que estamos lendo. Sendo assim, vamos falar dos personagens. Morgan é uma pessoa que se acomodou na vida, depois que engravidou. Deixou seus próprios sonhos de lado, para cuidar dar filha, do marido e ter uma família perfeita. Só que, com a filha adolescente, passa pela fase em que a tia é mais solicitada para conversas e ela precisa aconselhar a filha por tabela. Principalmente porque Clara a vê como uma pessoa previsível demais. Mas, quando acontece o acidente com seu marido e ela passa a descobrir coisas que ela gostaria que fossem mentiras, Morgan tem uma nova chance. Uma nova chance de reencontrar um amor, de fazer a filha a ver com outros olhos. Ainda que eu ache uma personagem incrível e ver como ela vai ganhando confiança ao decorrer da história, e também tente entender o fato dela não querer piorar o estado da filha, acho que ela acaba se anulando tanto, em favor da memória de uma pessoa que, talvez, sequer mereça isso tudo e me incomodou um pouco esse fato.

É injusto como um acontecimento… um segundo… pode abalar todo o seu mundo. Virar sua vida de pernas para o ar. Acabar com cada um dos momentos felizes que levaram àquele segundo avassalador. 

Mas, quem me deixou super irritada foi Clara. Sempre procuro entender e compreender o comportamento de adolescentes, no auge de seus 16/17 anos. Mas ela extrapolou na dose. Entendo alguns pontos de sua rebeldia, o fato dela se envolver com o rapaz que gosta, mesmo que os pais impliquem. O fato dela pirar e querer sair do velório. Mas o modo como ela trata e culpa a mãe por várias coisa, me deixou, quase que, enlouquecida. Fora que ela ainda trata o Miller de uma forma muito podre, em determinado momento, e isso também me fez ficar de cara feia. Não só a mãe precisa de muita paciência para lidar com ela nessa fase, como os leitores também.

Outros personagens que aparecem bastante são Jonah e Miller. O primeiro está na vida de Morgan, depois de anos longe e da atração que estava surgindo entre eles, na adolescência. Agora ele volta como o pai do seu sobrinho e futuro marido de sua irmã. Até que o acidente acontece e tudo muda. Assim como Morgan, Jonah também vai descobrir uma série de verdades dolorosas e, mesmo que em um momento queira jogar tudo pro espaço, ele vai se recompor e ajudar Morgan, Clara e até mesmo Miller. Já o adolescente é quem nos faz ter um pré julgamento, mas logo percebemos que ele é um ótimo garoto, apaixonado pela Clara e que quer apoiá-la nesse momento difícil. Ele é respeitoso, esforçado, cuida do avô e tenta conquistar a confiança da sogra. Mesmo quando a namorada tropeça em atos, ele está ali.

No dia em que descobrir que estava grávida, parei de viver por mim. Acho que chegou a hora de entender quem eu deveria ter sido antes de ter começado a só cuidar dos outros. 

Eu amo falar de livros da Colleen. Mesmo que tenham partes que nos irrite, é inegável que nós ficamos envolvidos na trama. Vamos devorando as palavras e páginas, esperando que tudo se explique ou se resolva. Além disso, eu gosto como ela não tem medo de tratar de certos assuntos, principalmente pra mexer com nossos lados de amor e ódio. Gosto muito que temos mais um tema que ela ainda não tinha usado, que é o relacionamento entre mãe e filha, com elas trabalhando seus problemas. Ainda que um toque de relacionamento esteja presente, o foco é como as duas vão lidando com as mudanças drásticas pelas as quais passam e as consequências que aparecem. Elas erram, acertam, gritam, podem desculpas… são humanas mesmo. Não vou me cansar de elogiar os livros dela, porque eles sempre mexem com uma gama de nossas emoções e isso que me ganha.

Sobre a diagramação, a Galera Record trouxe uma capa totalmente diferente da original. Mas, ainda sim, muito bonita. Eles fizeram um trabalho com uma pegada prateada/metalizada e com o nome em alto relevo. Por dentro, o padrão adotado nas publicações da autora, seja no tamanho do livro, quanto nas letras e espaçamento, com páginas amareladas. Os capítulos são narrados de forma alternada entre Morgan e Clara, e isso é sinalizado na abertura. Mas, serei honesta que senti um pouco da estrutura do livro ser “molenga”. Para quem garantiu seu exemplar em pré-venda, veio marcador e card.

– É como se você tivesse feito uma lista de formas de se rebelar e estivesse cumprindo uma de cada vez.
– Não tenho uma lista. Mas, se tivesse, você provavelmente a tiraria de mim também, porque gosto de listas. Listas me deixam feliz.

Se não Fosse Você nos trouxe o relacionamento de mãe e filha, passando por um momento super turbulento e precisando superá-lo juntas. Entre erros e acertos, alguns pontos de comportamento de ambas me incomodaram bastante. Além da Colleen ter me deixado com uma dúvida cruel relacionada a algumas cartas, o que acho muita maldade. Sendo assim, eu deixo minhas quatro Angélicas para a história e já corro pra garantir a próxima pré-venda da CoHo.

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