Maratona de Férias 2021 ‘The Crown – 4ª Temporada’

Oi ooooi gente! A crítica de hoje é sobre uma das minhas séries preferidas da vidaaaa, The Crown. Sim, a temporada foi lançada lá em novembro, eu maratonei no mesmo dia – o que me mata, porque agora serão dois anos de sofrimento e espera -, mas acabei adiando demais vir falar sobre a quarta temporada que, sem dúvidas, foi a melhor de todas. Então, antes que eu desate a falar, fiquem com a sinopse e o trailer…

A quarta temporada de The Crown acompanha mais uma década da família real britânica, passando pelo casamento de Charles (Josh O’Connor) com a Princesa Diana (Emma Corrin), bem como pelo relacionamento da Rainha Elizabeth (Olivia Colman) com a Primeira-Ministra Margaret Tatcher (Gillian Anderson).

A quarta temporada de The Crown foi algo muito aguardado para os fãs e o principal motivo era que o protagonismo feminino ganharia ainda mais força com a entrada da representação de Margaret Tatcher (Gillian Anderson) e Diana Spencer (Emma Corrin). E, inegável o fato de além de carregarem o peso da uma representação histórica, as atrizes vinham com todo o sentimento de amor e ódio ligados as personas. E também a outras envolvidas na grandeza da realeza britânica.

Nessa temporada, o relacionamento de Charles (Josh O’Connor) e Camila (Emerald Fennell) já está no pé de “amantes”, afinal ela está casada, enquanto ele segue com seu modo de galanteador e namorador, procurando aquela que seria a sua Princesa de Gales. Ele conhece Diana quando ela tem apenas 16 anos, então levaria um pouco mais de tempo até que o relacionamento começasse de fato, no final de semana de caça em Balmoral e a aprovação que ela ganha da família. A série acerta muito ao nos apresentar a imagem da Princesa do Povo. Assim como aconteceu na vida real, passamos a acompanhá-la, assim como os paparazzi fizeram durante toda a sua vida, a partir do momento em que seu romance com um príncipe se tornou público.

E, como também já era de se esperar, veremos do auge a queda do casal que prometia ser de contos de fadas, mas já nos mostra que não seria assim desde o início. O fantasma de Camila paira sobre eles, mas a insegurança de Charles também. E, conforme Diana for sendo cada vez mais amada e querida pelo povo, que clama muito mais por suas aparições do que do verdadeiro herdeiro do trono, a distância entre eles se torna maior. Não importa o quanto ela tente, não importa a opinião de familiares e nem mesmo os filhos. A série não esconde nada sobre a solidão e até mesmo a bulimia de Diana, ou os seus amantes, após ver que o casamento não daria certo. E, devido a essa parte da narrativa, Charles acaba ganhando ares mais sombrios e até mesmo odiosos, com seu jeito mimado e pirracento. Seja com sua esposa ou até mesmo com um de seus irmãos.

Não tem como não se rasgar de elogios a Emma Corrin, que interpreta Diana majestosamente. Os olhares, os trejeitos, a aparência. Tudo isso, combinado com o figurino tão fiel quanto possível (afinal, existem direitos até mesmo sobre as peças usadas) torna a jovem atriz um dos maiores acertos até hoje de The Crown. Existe retração de Diana antes e depois de Emma. Não será fácil assumir o seu lugar na série, que terá Elizabeth Debicki na duas últimas temporadas. Sua química com Josh O’Connor é enorme, que torcemos mesmo para o casal se acertar. O ator também está brilhante, nos fazendo sair de todo amor da terceira temporada, para vontade de socá-lo nessa.

Diana só não rouba todo o brilho para si, porque existe uma outra protagonista no episódio sobre o Balmoral é a recém eleita Primeira-Ministra Margaret Tatcher. Junto de seu marido, ela havia sido alertada sobre os testes que poderiam ser feitos naquele local tão amado pela família real, mas não levou tão a sério. Ela pode ver as esquisitas regras de etiquetas, as brincadeiras, entrosamento e até mesmo a caçada que os nobres gostavam, mas não conseguiu se conectar, principalmente, porque acredita que aquilo tudo é a perda de um tempo precioso para o trabalho.

Desde o primeiro ao último embate e, porque não dizer, disputa de poder entre Rainha Elizabeth e a Dama de Ferro Margaret Tatcher, rendeu momentos excepcionais. Seja pela excelente interpretação das atrizes, seja pelo poder que emanava das personas, as coisas nos faziam grudar na tela, para não perder nada que pudesse sair dali. Assim como acontecia em qualquer outro momento de Tatcher, afinal, se ela não sentia intimidada nem pela Rainha, muito menos se sentiria intimidada em um cômodo cheios de homens. E a série capricha em nos fazer entender que havia camadas demais naquela mulher. A esposa e mãe dedicada, mas também uma política forte. Que, ainda que tenha tido mil erros, deixou a sua marca. Coisa que até mesmo Elizabeth entendeu no final, ao dar o tom de despedida entre elas. Afinal, a série acompanha todos os 11 anos de Tatcher como premier.

Gillian Anderson é gigante e seu papel como Margaret foi só mais uma prova disso. Ainda que não seja tãaaao parecida fisicamente, ela capricha em outros maneirismos, desde a voz, até a postura. E, claro, combinado com o poder de atuação de Olivia Colman, faz com que a gente deseje mais tempo de tela para essas duas atrizes maravilhosas. Agora, apesar de ser fã confessa do trabalho de Olivia, acho que, individualmente, ela acabou ofuscada. Rainha Elizabeth teve seus momentos. Seja como monarca numa disputa de poder com a premier ou tentando acalmar um de seus súditos, e também como mãe, tentando entender as necessidades de seus filhos e qual deles é seu preferido, mas no geral, ela acaba ofuscada pelas novidades que essa temporada trouxe. Isso, ameaça possíveis prêmios que ela poderia ganhar em seu ano de despedida. Ainda mais competindo com a própria Emma em categorias.

Então, com essas três mulheres brilhando absurdamente, não posso negar que o tempo dos outros personagens acaba bastante reduzido. O que mais tem destaque é Charles, justamente por causa de todo o seu imbróglio com Diana. Mas, Príncipe Philip (Tobias Menzies) acaba sendo engolido pela narrativa, ainda que esteja presente em momentos pontuais, junto de seus conselhos que fazem muito sentido. Já a Princesa Anne (Erin Doherty) tem seus momentos importantes também, seja ouvindo os problemas dos outros ou até mesmo exausta do que está vivendo.

Princesa Margareth (Helena Bonham-Carter) também não tem tanto destaque quanto na temporada anterior, mas seus momentos de destaque trazem pontos que podem refletir até hoje, em 2021. Sua saúde mental é retratada e o quanto seu brilho vem se apagando, junto com suas inúmeras farras. Ela descobre um “segredo sujo” da família real, que é revoltante não só pra ela, mas para gente como público também. E, devido a todo o seu histórico amoroso, o que ela vê acontecer com seu sobrinho – e que quem sabe imaginar acontecer no futuro -, indaga, se eles seriam capazes de aprender com seus próprios erros.

A temporada foi um conjunto brilhante. Absurdamente assertiva em sua narrativa, na construção de camadas de seus personagens e dando sentido que ninguém é totalmente bom ou totalmente mau. Cometem seus erros e acertos. Tem suas dúvidas e medos. Mas também suas certezas e lutas. A forma como essa temporada sobre a história da realeza britânica foi tão brilhante, que trouxe à tona discussões que vem sendo acaloradas há mais de 20 anos e ainda segue mexendo com o grande público. Ao contrário do que muitos imaginaram, Peter Morgan – o criador da série – não tem medo de mexer com acontecimentos bombásticos, as intrigas e até mesmo com momentos emocionais que foram vividos.

A série oferece nada menos do que a grandeza em seu quarto ano e mostra porque só vem crescendo desde o dia que foi lançada. As preocupações de uma jovem Elizabeth até a Rainha Elizabeth, que há anos calejada pelo trono, mexem cada vez mais com a gente. Junta uma boa narrativa, com atores excepcionais, é realmente fácil entender o clamor que a série causa. Como diz o meme, quantas séries não devem ser canceladas para manter The Crown no ar?! Eu só sei que vale cada dólar, euro, libra esterlina ou real investido ali. Nos resta esperar pelas próximas duas temporadas, que devem ocorrem em 2022 e 2023, com Imelda Staunton assumindo a coroa de Elizabeth.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s