A Hora do Chá: ‘A Ascensão de Lady Notley – Rachael Anderson’

Oii oi gente. Hoje, na nossa querida coluna, vou falar um pouquinho sobre o segundo volume da série Tanglewood, da autora Rachael Anderson. O livro foi publicado no primeiro semestre de 2020 pela Editora Pausa, mas só consegui fazer a leitura dele essa semana, e quero me bater por ter demorado tanto tempo. Cada livro dessa série é de um casal diferente. No primeiro, A Queda de Lorde Drayson, conhecemos os queridos Colin e Lucy, e agora estamos de volta a Tanglewood, dessa vez para acompanhar Cora Notley em sua busca por independência. Antes de saber mais, confere a sinopse:

“Ela é jovem, bela e esbanja alegria. Ele é um jovem sério e isolado pelo passado. O que poderá resultar do encontro desses dois? Quando o pai da Srta. Coralynn Notley oferece a filha ao primeiro cavalheiro que aparece, ela percebe que deve fugir de sua casa ou será forçada a se casar com um homem desprezível. Impelida pelo desespero, ela se candidata ao cargo de governanta na Mansão Tanglewood, a casa do belo Sr. Jonathan Ludlow. No momento em que Jonathan vê a Srta. Notley, ele fica intrigado. Ela é muito jovem e inexperiente, mas há algo nela que inspira uma certa esperança dentro dele. Será que ele ousa oferecer-lhe a posição de governanta ou vai fazer isso resultar numa catástrofe?”

O livro começa com Coralynn Notley, em um estado super aflito, indo a procura de sua única amiga, Lady Harriett, em busca de ajuda. Filha de um comerciante ambicioso, Cora fora criada com todo o luxo e educação que qualquer lady da alta sociedade seria, sendo preparada para um dia fazer um bom casamento, que elevasse o status de sua família. Só que ela, apesar de apreciar os vastos vestidos que possuía, não queria uma vida que a forçaria a ser quem não é. Mas não acreditava que tivesse tão pouca estima de seus pais, até que ela ouve uma conversa de seu pai prometendo sua mão em casamento a Sr. Gowen, um barão com o dobro de sua idade e a pessoa mais detestável de toda Essex.

Desesperada, ela sabe que com o jeito manipulador dos pais, não lhe resta outra opção a não ser fugir para um lugar bem longe onde não possam encontrá-la. Harriett, mesmo não querendo que a amiga vá embora, reúne a família Cavendish, incluindo seu irmão Colin e sua cunhada Lucy, para pensarem no melhor a se fazer e chegam a decisão de enviar Cora para a casa dos Shepherds, no interior. Eles recebem Cora com bastante contentamento e logo demonstram a intenção de apresentá-la a sociedade para que possa achar um bom marido de sua escolha. Só que Cora deseja se virar por conta própria, e não se tornar um fardo para o casal.

E com essa determinação de tomar as rédeas da própria vida e ser independente, ela decide tentar uma vaga de governanta, mesmo que isso manche sua reputação. É assim que ela chega a Mansão Tanglewood, onde conhece o proprietário Jonathan Ludlow, um homem que de antemão ela ouviu ser alguém impertinente e mal-humorado, se mostra alguém justo e inteligente, que preza pela integridade e honestidade das pessoas e, por isso, acaba admitindo Cora como sua governanta, mesmo diante de sua óbvia falta de experiência e competência para o cargo.

” Jonathan colocou os dedos debaixo do queijo e a considerou, perguntando-se o que fazer. Ela era grosseiramente desqualificada, isso era certo, e ele seria um rolo em contratar uma pessoa assim. No entanto, havia algo nela que o fazia hesitar. Sua franqueza, talvez?”

Cora e Jonathan tiveram um entendimento logo que se conheceram, com suas personalidades compatíveis e humor ácido e afiado. Mesmo com a rotina de governanta sendo um desastre de início – e grande parte do motivo ter uma razão específica que não demora a ser descoberta – Jonathan segue perdoando os vacilos dela e muitas vezes achando até divertido algumas situações. Acontece que ele não é tão flexível com os demais funcionários, e com o passar dos dias, Cora começa a entender porque todos parecem temer tanto o patrão.

Mas com a bondade de Cora, Jonathan começa a se abrir novamente a bons sentimentos, e começa a reconhecer novamente o homem que existia antes de ter sido enganado por quem ele confiava no passado. Ambos serão forçados a rever suas determinações ao mesmo tempo que se apaixonam um pelo outro, apesar das convenções sociais se provar ser um grande empecilho para eles. Além disso, a vida que Cora tanto se esforçou para fugir, vai se provar impossível de deixar para trás, principalmente quando seus pais voltam suas ambições para Rose, a irmã mais nova de Cora. Resta a essa determinada srta. encarar tudo de cabeça erguida e encontrar seu lugar e ser feliz como sempre desejou.

“Sua provocação sempre fazia o coração dela brilhar como uma chama na ponta de um castiçal. Ela gostava que ele a conhecesse tão bem e que achasse suas fraquezas cativantes ao invés de irritantes.”

Que livro mais gostoso de ler. Apesar de ser curtinho, com suas 205 páginas, traz uma história envolvente, com aquele típico casal apaixonante que você torce demais para se acertarem. Eu admirei demais a força de Cora e como ela não deixou se submeter as convenções sociais e muito menos as pressões dos pais. Ela corre atrás de sua independência com garras afiadas, mesmo quando parecia estar lutando contra a maré. E mesmo com todas as infelicidades que já passou, Cora mantém o seu bom humor e seu grande coração, se colocando no lugar dos outros e tentando o seu melhor em tudo o que faz. Determinação, honestidade e pureza a definem perfeitamente.

Já Jonathan foi uma bela surpresa para mim. Quando eu pensei que ele seria o típico patrão mal humorado, ele me surpreendeu com seu jeito divertido e honesto, mesmo que as vezes encare alguma situação de um modo muito crítico e exigente, mas que logo é entendido como uma consequência de algo que o feriu profundamente em seu passado. Juntos, ele e Cora vão aprender um com o outro e construir uma relação genuína, com uma construção linda.

“— Você uma vez me disse — a Sra. Shepherd começou cuidadosamente — que nunca mais queria se sentir presa a alguém e por isso buscou o seu próprio caminho. Mas agora um futuro muito diferente está diante de você. Você sente que vai desistir de sua independência se continuar? É esse o problema?”

Assim como no primeiro livro, Sr. Shepherd tem uma participação importante nessa história, e que agora conta com a parceria da mãe de Lady Drayson, nossa protagonista do primeiro livro. Lucy e Colin quase não aparecem, mas conseguimos saber como anda a vida desses dois. Quem se destaca também é Harriett e me lembrei do quanto gosto dela. Já sabemos que ela será a protagonista do terceiro livro, e o final desse já nos dá um vislumbre do que podemos esperar e estou mega ansiosa para ler. Outros personagens complementam muito bem essa história, como os funcionários de Tanglewood. Já os pais de Cora despertam uma vontade de entrar no livro e socá-los.

A Ascensão de Lady Notley se tornou meu livro favorito da série até o momento. Apesar de alguns pontos que me incomodaram que, assim como o livro anterior, eu achei que foram mal desenvolvidos, esse livro foi bem mais fluido e com momentos mais ricos, principalmente entre o casal. Gostei como a autora se aprofundou mais na questão de classes diferentes e como isso era um grande peso na época. O toque de diversão prevaleceu nessa história também, assim como a leveza das cenas. O final me deixou querendo mais. A escrita de Rachael continua fluida e envolvente, e com essa pegada mais leve e com um romance bem água com açúcar e gostoso de acompanhar.

A diagramação segue o padrão do livro anterior, com páginas amareladas e, mesmo com fonte e espaçamento um tanto apertados, a leitura fluiu bem. Os capítulos são numerados, com pequenos detalhes sutis marcando-os. A narrativa segue em terceira pessoa, com o ponto de vista sendo de Cora e Jonathan. Eu amo o trabalho da editora com as capas dessa série, que são mais bonitas que as originais.

Estou percebendo que a pegada dessa série é aquele tipo de história cativante para você que quer uma leitura rápida e leve, sem muito aprofundamento, mas que é ótimo para passar um bom tempo com um romance apaixonante. Super indico pra você que está querendo sair de uma ressaca literária ou que simplesmente quer um romance de época mais suave e longe das pompas de salões de baile e glamour. Deixo minhas 4 Angélicas, puxando mais pro 4,5, e em breve eu volto com a história de A Perseguição de Lady Harriett.

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