Resenha: ‘O Rei Perverso – Holly Black’

Oiii oi gente. Demorei mas finalmente vim falar um pouquinho sobre o segundo livro da Trilogia O Povo do Ar, publicado por aqui pela Galera Record. Eu estava tão ansiosa por essa leitura, depois do final bombástico de O Príncipe Cruel, e já adianto que não me decepcionei. Como vou falar da continuação de uma série, esse texto vai acabar tendo um spoiler ou outro do livro anterior, mesmo eu tentando não entrar em muitos detalhes. Então só prossiga se você já leu o primeiro livro. Dado o aviso, fique com a sinopse antes de saber tudo o que eu achei dessa história:

A intrigante e sangrenta continuação do best-seller do New York Times, O príncipe cruel. Vencedor do Goodread Choice Awards 2019. Para sobreviver no Reino das Fadas, Jude Duarte precisou aprender muitas lições. A mais importante delas veio de seu padrasto: o poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter. Ela achou que, depois de enganar Cardan para que ele jurasse obedecê-la por um ano e um dia, sua vida se tornaria mais fácil. Mas ter qualquer influência sobre o Grande Rei de Elfhame parece uma tarefa impossível, principalmente quando ele faz de tudo em seu poder para humilhá-la e prejudicá-la, mesmo que seu fascínio pela garota humana permaneça intacto. Agora, com as ondas ameaçando engolir a terra e um alerta de traição iminente, Jude precisa lutar para salvar a própria vida e a daqueles que ama, além de lutar contra seus sentimentos conflituosos por Cardan no meio-tempo. Em um mundo imortal, um ano e um dia não são nada…

A história começa cinco meses após os acontecimentos finais eletrizantes do primeiro livro, nos mostrando que o plano de Jude continua firme e forte, apesar do tempo estar passando tão rápido. Depois de conseguir o controle sobre Cardan, pelo prazo de um ano e um dia, e força-lo a se tornar o Grande Rei de Elfhame, Jude precisa administrar o que conquistou, sendo agora o real poder por trás do trono. Para ninguém descobrir que ela tem todo esse poder, ela assume a posição de senescal do Rei, assim podendo ficar perto dele e intervir sempre que necessário.

Já Cardan não queria essa posição e só se importa com a diversão que o cargo lhe proporciona, não facilitando o trabalho de Jude e provocando-a sempre que possível. A relação desses dois continua um eterno “te odeio, mas queria te beijar”, com uma atração bem mais intensa do que antes, o que só faz com que eles troquem ainda mais farpas um com o outro. Além disso, controlar o Grande Rei se prova um desafio bem mais difícil do que Jude imaginava, e seu prazo de um ano, que antes parecia ser a solução dos seus problemas, agora já está quase se esgotando, obrigando Jude a encontrar uma forma de estender esse trato o quanto antes, já que seu irmão Oak ainda está longe da maioridade para se tornar o novo rei.

“– Por um momento, me perguntei se não era você disparando flechas em mim.
Faço uma careta.
– E o que fez você decidir que não era?
Ele sorri.
– A pessoa errou.”

O povo feérico, por não conseguir mentir, se tornou praticamente mestre em joguinhos e artimanhas para contornar uma situação e conseguir omitir a verdade sem chegar a mentir, de fato. Eles abusam dos jogos de palavras e sabem manipular como ninguém. Era algo que Jude sabia inclusive, já que cresceu entre eles, mas que agora, devido a sua posição dentro do reino, se torna algo que ela verá em primeira mão e vai precisar combater. Sua capacidade de mentir pode não ser o suficiente para ser bem sucedida, principalmente quando os problemas começam a surgir em disparada.

Começando por Balekin, o príncipe traidor exilado na Torre do Esquecimento, que pode ter mais influência do que ela imaginava e se tornar uma grande pedra em seu caminho. Jude abusa de seu talento e aptidão – conquistados com anos de treino e muito sangue, suor e lágrimas – para tentar estar sempre um passo a frente de qualquer ameaça, mas isso se torna um grande desafio, quando Balekin começa a conspirar com o Reino Submarino, e uma proposta da rainha do Mar podendo acabar com todos os planos de Jude em um piscar de olhos. Nossa humana destemida continua contando com a Corte das Sombras em sua reta guarda, mas também pode acabar formando uma aliança inesperada, a fim de proteger o reino.

“Eles são lindos e terríveis, e podem desprezar minha mortalidade, podem debochar dela, mas eu estou aqui em cima e eles não.”

No meio de tudo isso, Jude terá que lidar com os olhos atentos de Madoc sobre ela e o casamento iminente de sua irmã Taryn com Locke, que se tornou o Mestre da Esbórnia, o que só o deixou mais propenso às maquinações de costume. E como se não bastasse todas as intrigas, jogos políticos e tensões beirando uma guerra, chega aos ouvidos de Jude que alguém em quem ela confia já a traiu, e isso só a deixa mais a flor da pele, só que nada poderia prepara-la para esse golpe. Com as peças todas dispostas no tabuleiro de estratégias, um jogo muito mais perigoso do que ela poderia esperar se iniciar e as consequências serão surpreendentes.

Que livrão, minha gente! Não tenho palavras suficientes para expressar o quanto eu amei essa história. Jude é uma “mocinha” tão perfeita em sua imperfeição. E as aspas são para frisar que de mocinha ela não tem nada e é uma das coisas que eu mais amo nessa trama. Aliás, esse é um toque especial do livro: nenhum personagem é totalmente vilão ou totalmente bonzinho, e essa verdade só deixa a história mais real e instigante. Jude traz todos os seus defeitos a tona, até mesmo confessando que o poder lhe atrai mais do que deveria. Ela deixa claro suas intenções e, nesse livro, está tão mais segura de si, poderosa e destemida, mostrando sua força e o quanto ela não é mais aquela humana amedrontada e vulnerável.

“E agora que percebi em mim um gosto pelo poder, será que relutarei em abrir mão dele?”

Cardan se revela muito mais nesse livro também e percebemos como ele é parecido com Jude e como eles se entendem, mesmo sem querer. A dinâmica deles passa por fases importantes, e serve para mostrar como Cardan é, no fundo, um ser inseguro, procurando aprovação e seu lugar no Reino. Bem familiar com a trajetória de Jude, não é mesmo? Ele vai tomar uma atitude neste livro que me doeu profundamente, mas eu entendi seus motivos e achei muito coerente com tudo o que estava acontecendo. Quem diria que eu me renderia tanto assim a Cardan e concordaria com qualquer atitude sua. Ele vai ter a chance de enfim provar seu valor.

E hoje, eu sofro por Cardan e Jude como nunca imaginei e aceito qualquer migalha que eles me derem. Esse casal é poderoso. Mas como nessa história o romance fica em segundo plano, não esperem muitos momentos entre esses dois, mas esperem intensidade, o que só faz esse relacionamento ser mais desejado. Um livro que o foco não é o romance não costumava me prender tanto e isso só prova o quanto essa história é incrível e envolvente. O início tem um ritmo mas lento, porém cada detalhe se torna uma peça essencial para o grande quebra-cabeça, e conforme a trama vai pegando ritmo, assim ocorre com os acontecimentos, que ficam surpreendentes a cada página. E esses acontecimentos me fizeram ter mini surtos ao longo da leitura, até o surto maior no final, me fazendo parar um minuto para tomar um ar e surtar com uma amiga.

“É como pensei. Eu não apreciei você da forma adequada. Desprezei seu desejo de ser cavaleira. Desprezei sua capacidade de estratégia, de força… e de crueldade. Esse foi meu erro, um erro que não vou voltar a cometer.”

E o que não faltam nesse livro são intrigas, traições, segredos e luta pelo poder. E Jude, mesmo se superando a cada dia, ainda é uma menina sozinha, que não pode confiar em ninguém – às vezes nem nela mesma – num mundo imortal onde todas as regras estão contra ela. Vivi está presente em alguns momentos, mesmo que não da forma que eu gostaria, mas ainda é um elo importante para Jude. Já Taryn só me fez detestá-la ainda mais. Vamos ter momentos importantes de Jude com Madoc também, e essa relação é um dos arcos que estou mais ansiosa para saber o desfecho, depois de tudo o que aconteceu nesse livro.

O Rei Perverso só fez eu me apaixonar ainda mais pela escrita da Holly Black e como a mente dela é brilhante. Holly comprova que é, de fato, a rainha das fadas, trazendo um mundo ainda mais fantástico, sedutor e traiçoeiro. Eu amo a forma que ela explora os defeitos e qualidades de seus personagens de uma forma clara e sagaz, dando um tom empolgante e surpreendente à trama. Tudo na medida certa que resulta em um história incrível. Necessito ler tudo que essa mulher escrever.

A diagramação segue o padrão do livro anterior, com páginas amareladas e fonte de um tamanho e espaçamento ótimos para uma leitura confortável. A abertura dos capítulos é bem simples, só sendo enumerados. Temos uma marcação que separa a história em Livro Um e Livro Dois que funciona como um divisor de águas e marca um ponto crucial da trama. A Galera manteve as capas originais de toda essa trilogia, algo que sou muito grata, pois amo demais.

O Rei Perverso me surpreendeu demais, entregando uma história coerente, bem construída e eletrizante, principalmente com aquele final que quase me fez arrancar os cabelos. Teve sim um detalhe ou outro que me deixou frustrada, mas no geral, superou minhas expectativas que não eram baixas não, se tornando meu livro preferido até o momento. Já estou desesperada para começar a leitura de A Rainha do Nada, que conclui a jornada de Jude. Vou ficando por aqui, deixando minhas 5 Angélicas para essa história. Nos vemos em breve!

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