Resenha ‘Rainhas de Fennbirn – Kendare Blake’

Oi ooooi gente! A minha resenha de hoje é sobre o livro Rainhas de Fernnbirn, da Kendare Blake. Nele estão reunidos dois contos do universo de Três Coroas Negras. Eu esperei estar o mais perto possível do lançamento do último livro da série, para poder ler e trazer a resenha para vocês, enquanto lidava com a minha gigante ansiedade. Antes de comentar mais alguma coisa, vamos a sinopse…

No primeiro conto, A Rainha Oráculo, somos apresentados ao reinado de Elsabet, um período repleto de ataques de loucura, tirania e mortes arbitrárias. Depois dela, todas as rainhas com a dádiva da visão foram afogadas no nascimento, extinguindo qualquer chance de perpetuar a linhagem. Conheça a verdadeira história por trás da rainha que podia prever o futuro, mas não a sua própria queda.
Já em As jovens rainhas, acompanhamos o passado de Mirabella, Arsinoe e Katharine. Antes de virarem inimigas, as rainhas trigêmeas viviam em harmonia, e a ideia de terem de batalhar entre si até a morte sequer era uma possibilidade. Até elas serem separadas. Descubra os acontecimentos que levaram a uma vida de rivalidade e ódio na realeza.

O primeiro conto do livro é sobre A Rainha Oráculo. Nós vimos, algumas vezes, nos livros principais da série, ser citado o fato que de depois da último rainha com esse dom, se alguma das trigêmeas nasce com ele, ela é afogada sem dó. Afinal, a população da Ilha ficou aterrorizada com o que aconteceu no passado e não gostaria que algo parecido se repetisse.

Então, esse conto vem para nos apresentar melhor essa história e muito mais. Vejo como reparar uma série acusação que prejudicou uma possível linhagem de rainhas oráculo. A Rainha Elsabet reinou antes mesmo que a névoa que protege Fennbirn existisse. O relacionamento com o Continente era mais “fácil”, mas os envenenadores já tinham grande influência e peso na sociedade. Ela era uma Rainha que não se comportava e nem reinava como o Conselho Negro gostaria que fosse.

O ponto é que a grande dádiva dela vem enfraquecendo e ela não consegue prever coisas simples, como as traições de William, seu Rei Consorte, por quem ela ainda é apaixonada. Ela sabe que o seu Conselho não gosta muito de seus atos e imposições. Também se preocupa com o que a população acha sobre a construções do Volroy e os gastos que podem ter. Tudo o que ela deseja, é reinar bem e em paz, depois de tanto anos de guerra.

– E o que é uma rainha oráculo sem sua dádiva?
– Ela é a Rainha Coroada.

Os flertes de seu marido estão cada vez maiores e suas crises de ciúme também. E, em frente de toda a população, que começa a ficar ressabiada com a sua soberana. Enquanto isso, ela conhece um jovem pintor envenenador e assim começa uma amizade. Esse combo vai ser o começo de sua derrocada, afinal, as cenas que ela anda protagonizando e a perda de sua dádiva não são meros acasos, mas armados para que o Conselho Negro assuma o comando do Reino.

As traições mais pesadas vão vir de onde Elsabet menos espera, diversas perdas vão fazer parte de sua vida e ela vai perder as esperanças. O conto vem para trazer justiça a história dessa Rainha e mostrar que, talvez, as coisas não são como as histórias narram e muita coisa pode estar por trás dos panos. Um plano bem orquestrado e executado, vai trazer uma nova tradição a Ilha de Fennbirn e suas trigêmeas. A Rainha Elsabet era uma pessoa boa, com um propósito e posicionamento, mas foi usada por pessoas que só queriam poder.

– Este reino não tem reis – Gilbert disse. – É um matriarcado, e você não se esquecerá disso.

O outro conto é As Jovens Rainhas. Nele, vamos acompanhar Mirabella, Arsinoe e Katharine desde o nascimento. E vamos entender, principalmente, como as últimas duas acabaram com seus dons de naturalista e envenenadora, sendo declarados errados. Além de ver que Mirabella tinha toda uma postura poderosa desde o momento em que nasceu.

Então, vamos ver o crescimento das três irmãs e como eram muito ligadas. Mirabella, sendo a mais velha, sempre sentiu uma proteção pelas outras e muito amor. Até o difícil momento da separação delas e como reagiu cada família ao ir ao Chalé Negro para pegá-las. E, a partir daí, como cada uma delas agiu conforme foi crescendo.

Katharine sofreu desde o início, por causa das doses de veneno que precisava ingerir, como o intuito de despertar e tornar sua dádiva mais forte, coisa que nunca ocorreria. Além de ver que, por ser a menor e mais jovem, acaba sempre protegida pelas irmãs. Seu relacionamento com Genevieve sempre foi péssimo, assim como o seu com Natalia sempre foi com mais admiração e cuidado.

Três bruxas sombrias, o continente diria. Nascidas de uma rainha em decadência. Uma delas ascenderia e se tornaria a nova rainha. Talvez a mais forte das três. Talvez a mais esperta. Ou talvez a mais sortuda.

Arsinoe foi mais fácil, afinal, ela sempre teve Jules e até mesmo Joseph. Mas, nunca chegou a ser uma grande esperança para os naturalistas, que vão viam destaque nela. Na sua parte, vamos ver, não só a volta de Madrigal para a Ilha, como também o momento os três melhores amigos decidiram fugir de Fennbirn, mas foram pegos e sentenciados a coisas que mudariam suas vidas e de outras pessoas também. Além de ver quando Camden aparece para Jules.

A parte de Mirabella foi a mais surpreendente. Que ela era a mais ligada e protetora em relação as irmãs, já ficava claro na série principal. Mas aqui, vamos ver o quanto ela sofreu com a separação e o quanto ela realmente é poderosa. A raiva que ela sentia por se afastar das outras duas era algo que abalava estruturas, literalmente falando.

Eu não quero falar muito sobre esse conto, porque acho que ele trás várias respostas para perguntas que os fãs devem ter feitos nos outros livros. Se o da Rainha Oráculo foi para lhe trazer justiça, o conto sobre as meninas foi para elucidar dúvidas. Inclusive, se antes me perguntar como poderiam errados os dons de Katherine e Arsinoe, hoje só posso pensar em quanto tudo foi feito por um motivo egoísta até. As duas foram julgadas, sentenciadas e jogadas de forma que nem teriam sorte para tentar se tornarem a Rainha de Fennbirn. Mas, foi bom poder ter uma visão melhor, não só delas, mas de outros personagens também.

– Não é cruel. Está na natureza delas. Sempre três, sempre em dezembro, concebidas no Beltane, sempre filhas. Uma rainha não é como nós. Elas não são pessoas normais com dádivas normais. É assim que deve ser.

Eu não conheço a escrita da Kendare além da série Três Coroas Negras, mas aqui, ela me deixa alucinada. Ela criou uma trama muito bem intrigada e que não tem medo de ousar, como já pudemos ver nos outros livros. Esses contos vieram para responder perguntas que pairavam sobre nossas cabeças, nos fazer odiar novos personagens e passar a entender e amar outros já conhecidos. Sua escrita em terceira pessoa é bem fluída e importante para a história. Nós vamos vendo todos os lados daquela trama ali presente. E, mais uma vez, me pego muito ansiosa pelo próximo – e final – livro. Ah!, não posso deixar de exaltar, de novo, o fato do matriarcado ser algo importante para a Ilha. As mulheres que são poderosas, incríveis e prontas para defenderem a si mesmas e seus interesses.

O trabalho de diagramação da série é muito bonito. A capa é soft touch, novamente, com elementos que remetem as quatro Rainhas retratas no livro, ainda que sejam apenas duas coroas. Uma onde mostra a Rainha Oráculo que foi derrubada e a outra com os elementos das nossas conhecidas trigêmeas. Por dentro, os contos são bem separados e os capítulos são nomeados de acordo com os locais em que está acontecendo a narrativa, assim sabemos qual rainha terá destaque. Folhas amareladas, com espaçamento e letras confortáveis para leitura.

Rainhas de Fennbirn é um livro rápido de contos, mas que vem trazendo várias respostas pelo caminho, principalmente em relação a Katharine e Arsinoe. Além de ser um aquecimento para o livro final dessa fantasia maravilhosa. Eu vou deixar minhas cinco Angélicas e ficar me corroendo de ansiedade pelo último!

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