A Hora do Chá: ‘Um Beijo e Nada Mais – Mary Balogh’

Oi gente!! Hoje é dia de Mary Balogh na nossa amada A Hora do Chá. Não é segredo que eu sou completamente apaixonada pela escrita da autora e pela série Clube dos Sobreviventes, então sempre que tem lançamento, eu corro pra garantir o meu. Desta vez vamos falar de Um Beijo e Nada Mais lançado em agosto e que, depois do livro do Duque, era o que mais estava esperando. Imogen Hayes, Lady Barclay, é a única mulher entre os sete Sobreviventes, então eu estava eufórica para saber mais sobre sua história. Antes de falar mais, fiquem com a sinopse…

“Desde que testemunhou a morte do marido durante as Guerras Napoleônicas, Imogen, lady Barclay, se isolou em Hardford Hall, na Cornualha. O novo dono da propriedade ainda não apareceu para reivindicá-la, e ela torce desesperadamente para que ele nunca venha acabar com sua frágil paz. Percival Hayes, o novo conde de Hardford, não tem nenhum interesse na região distante da Cornualha, tanto que, desde que recebeu o título, nunca quis conhecer o lugar. Mas em seu aniversário de 30 anos ele está tão entediado que decide impulsivamente fazer uma visita às suas terras. Ao chegar lá, fica chocado ao descobrir que Hardford não é o monte de ruínas que imaginou. Fica perplexo também ao constatar que a viúva do filho de seu predecessor é a mulher mais linda que já viu. Em pouco tempo, Imogen desperta em Percy uma paixão que ele jamais pensou ser capaz de sentir. Mas será que ele conseguirá resgatá-la da infelicidade e convencê-la a voltar à vida?”

Imogen se casou com seu melhor amigo e viviam um casamento feliz, até Dick decidir lutar nas Guerras Napoleônicas. Como não tinham filhos, foi fácil para ela convencer o marido de que poderia acompanhá-lo e assim foi feito. Um pouco mais de um ano após a partida deles, ambos foram capturados pelo exército francês. Dick foi torturado e morto, quanto Imogen, ela foi devolvida em segurança à Inglaterra, mas a maior parte dela morreu em Portugal com o marido. A família já não sabia mais o que fazer para ajudá-la, então a levou para Penderris Hall, a casa de campo do Duque de Stanbrook, onde ficou por três anos. 

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Apesar de já ter se passado vários anos após a morte do marido e de ter deixado Penderris Hall, ela ainda precisa lidar com o luto diariamente. Imogen nunca mais se casou ou permitiu que realmente fosse feliz. Seu dia-a-dia é baseado em esconder, de todos a sua volta, os terrores que vivenciou nos últimos dias de Dick. O único momento que se permite ser ela mesma é na reunião anual do Clube dos Sobreviventes. Seus amigos sabem tudo que aconteceu e não julgam, pois cada um precisa lidar com a sua própria dor. Eles estão ali para confortar seus amigos e ela está feliz por saber que a próxima reunião será em poucas semanas. Mas antes disso acontecer, o novo conde de Hardford, aparece para mudar tudo que ela conhece e acha seguro. 

“Os sete formavam o Clube dos Sobreviventes. Tinham permanecido juntos em Penderris durante três anos, cuidando das feridas que tiveram durante as guerras napoleônicas, embora nem todas fossem físicas. Era o caso dela. O marido fora morto no cativeiro, sob tortura, em Portugal, com ela presente, testemunhando o sofrimento dele.”

Percival Hayes, acabou de fazer 30 anos e não sabe porque está sentindo um vazio tão grande. Ele sempre foi um cara considerado afortunado já que tem uma grande família que o ama, amigos leais e há dois anos herdou o título de conde de Hardford, após um tio distante falecer. Durante esse período, Percy nunca sentiu tão solidão, mas uma noite de bebedeira em seu aniversário o faz tomar a decisão de partir para a mansão Hardford, na Cornualha, uma propriedade que ele herdou com o título, mas que nunca visitou. Ele só não esperava que a casa estivesse ocupada, não só por parentes do falecido conde, como por vários animais que foram abandonados. 

Percy logo percebe que nunca realmente deu atenção aquela propriedade ou a quem o falecido conde poderia ter deixado, até chegar na Cornualha. Três senhoras vivem na residência, a irmã do antigo dono do título, sua dama de companhia e a viúva do antigo herdeiro do título. Ele fica chocado em como Imogen parece feita de mármore. Uma mulher bonita, mas fria e inalcançável. Percy descobre que apesar de Lady Barclay está vivendo atualmente na residência principal, ela realmente mora numa casa menor dentro da propriedade, mas que no momento está passando por reformas no telhado. Como a dama é uma ‘parente’, ele logo decide se manter afastado dela, mas ele se sente cada vez mais atraído para saber quem ela é por baixo daquela armadura de mármore. 

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Com a chegada de Percy, muita coisa vai mudando no condado e uma delas é Imogen. Apesar de ter decidido se manter afastada e o julgado ser um homem cheio de caprichos, não demora muito para perceber quem ele realmente é. Percy logo vai se infiltrando em sua vida, perguntando, questionando e tentando descobrir o que fez Imogen ter se tornado a dama de mármore. Ela se vê dando uns poucos sorrisos na presença dele e começa a duvidar de seus sentimentos e, principalmente, de sua decisão de nunca mais desejar a felicidade.

Além da mudança em Imogen, o condado inteiro não só percebe a chegada do conde como começam a perceber que ele chegou e está decidido a fazer várias mudanças por ali. Ele tinha negligenciado sua propriedade por muito tempo, mas quanto mais vai se inteirando das histórias da região, mas vai descobrindo coisas ruins sobre contrabando, pessoas sendo persuadidas a participar ou são machucadas, e todas elas aconteciam boa parte debaixo de seu teto, já que o falecido conde era um dos apoiadores. Até a briga entre Dick e o pai tem haver com o contrabando. Quanto mais dizem para ele se afastar dessa história, mas Percy sente que precisa descobrir tudo que há pra saber. 

“Viver não é só uma questão de permanecer vivo, não é? O que importa é o que se faz com a vida.”

Acho que já falei demais sobre a trama, então vou deixar um bocadinho pra vocês descobrirem ao fazer a leitura. Eu estava muito ansiosa por esse livro, pois além de Imogen ser a única mulher no Clube dos Sobreviventes, ela sempre despertou a minha curiosidade. Assim como Percy, eu sempre achei que o segredo que ela guardava justificava toda aquela armadura e eu não estava errada. Mary Balogh nos deu o maior plot twist de todos os livros da série. Quando seu segredo é revelado, eu quase cai dura e aí entendi, finalmente, porque ela não se permitia ser feliz. Imogen é exatamente quem eu achei que seria e a cada capítulo eu torcia tão intensamente para que Percy conquistasse seu coração e a fizesse feliz. 

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Falando de Percy, Meu. Deus. Que. Homem! Apesar da história ter começado numa bebedeira e que ele tenha sim tido seus dias de libertinagem, Percy é muito mais que isso. Ele tem um magnetismo que vai atraindo a todos, então eu não julgo a Imogen por ter se deixado atrair por ele. Ele cresceu numa família grande e amorosa, então ele transborda amor mesmo que nunca tenha se permitido sentir isso por uma mulher, até a dama de mármore. Eu amei a evolução dele dentro da trama e o quanto a Mary nos deu um mocinho à altura da nossa Sobrevivente. A construção do romance entre eles é outro fator que achei incrível. Tudo entre eles é gradual e eu amei demais esse casal. 

“Acredito, que nós todos temos o direito de sermos infelizes, se for isso que escolhermos com toda liberdade. Mas não tenho certeza de que temos o direito de permitir que a nossa infelicidade provoque a infelicidade de outrem. O problema com a vida é que estamos todos juntos nela.”

Como já falei, Percy tem uma família enorme, então quando ele decide partir sem comemorar seu aniversário, a mãe e uma comitiva enorme de parentes vai atrás dele na Cornualha. Serão momentos muito engraçados com essa grande família. Além deles, temos lady Lavinia nos divertindo com todos os animais que ela abriga e a Sra. Ferby, com todo seu mau humor e sua aversão aos homens – errada ela não tá, não é mesmo rs. Devo destacar também o amor e lealdade que Heitor, um cão abrigado por lady Lavinia, que logo se tornou o fiel escudeiro de Percy. 

E eu não poderia terminar essa resenha sem citar meus amados Sobreviventes e suas famílias. Eu estava quase chorando porque não teríamos a reunião deles, mas quase no final a autora não só nos deu momentos com eles, como foram momentos mais do que emocionantes. Eu amo a amizade e o companheirismo que eles tem. Foi tão perfeito o quanto eles defenderam a Imogen e demonstraram todo o seu amor à ela. Eu realmente não tenho palavras pra descrever o quanto amo essa série, o quanto eles são perfeitos juntos. Já estou chorosa com o final da série, mas me preparando para um final épico no livro do Duque de Stanbrook. 

“O amor, pensou ele quase com perversidade, era a coisa mais maldita de todas, e ele tinha sido sábio em evitá-lo por tantos anos. […] Mas como se deixava de amar alguém? Ele amava Imogen Hayes, viscondessa Barclay, tão profundamente que quase a odiava. Sua mente precisaria resolver essa charada. Se ousasse.”

A edição de Um Beijo e Nada Mais segue o padrão da série e como já disse em todas as outras resenhas, eu sou completamente apaixonada por essas capas. Até falei na resenha anterior sobre ter uma variação de cor maior entre elas, mas a cor desta capa tá perfeita. A diagramação é simples, mas que tem fonte e espaçamento confortáveis para leitura. Dessa vez a Editora Arqueiro presentou os leitores da autora com um kit de marcadores imantados que são uma fofura. A narrativa é toda em terceira pessoa e eu só digo uma coisa: a escrita da Mary é super encantadora. Apesar de nos dar histórias com uma carga dramática maior que os demais romances de época, eu sempre fico chocada com a qualidade da escrita dela.

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Um Beijo e Nada Mais atendeu todas as minhas expectativas. Eu sempre achei que a força da Imogen vinha da sua dor ao perder o marido, mas ela sempre foi uma grande mulher e foi doloroso e comovente ver cada camada vindo à tona. Já Percy foi aquele homão que chegou para somar e demonstrou seu amor à Imogen, quase, desde o início. O casal nos deu cenas sensuais, tristes, felizes e principalmente, conversas recheadas de diálogos inteligentes. Além de tudo isso, eu amei esse ar de investigação que a Mary trouxe à esse livro. Ficou perfeito. Se sombras de dúvidas se tornou o meu preferido da série e quiçá da vida. Deixo minhas 5 angélicas para ele. 

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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