Resenha: ‘Um Dia Em Dezembro – Josie Silver’

Oi oii gente. A resenha de hoje é de um livro que veio na segunda caixa do Clube de Romance da Carina Rissi, do ano passado, como a jóia do catálogo do Grupo Editorial Record. Publicado pelo selo Bertrand Brasil, Um Dia Em Dezembro também fez parte do Clube do Leitura da atriz Reese Witherspoon, e é o primeiro livro da autora Josie Silver publicado por aqui. Uma trama marcada por um único momento que se transforma em anos de encontros e desencontros. Bateu curiosidade? Então confere a sinopse antes de saber tudo o que achei dessa história.

“Laurie não acredita em amor à primeira vista. Afinal de contas, a vida não é a cena de um filme romântico. Mas, então, em uma manhã de dezembro fria e com neve, o ônibus de dois andares em que voltava para casa para em um ponto. Ao olhar para baixo, ela o vê. Por um segundo transcendental, seus olhos se encontram… e então o ônibus começa a andar. Depois de muitos meses com a esperança de cruzar novamente com ele, Laurie acha que nunca mais verá o garoto do ônibus. No entanto, um ano depois, em uma festa de Natal, sua melhor amiga, Sarah, apresenta o novo namorado, o grande amor de sua vida. Para seu profundo desespero e surpresa, ele é ninguém menos que o garoto do ônibus. Determinada a esquecê-lo, Laurie segue com sua vida. Mas e se o destino tiver outros planos?”

Essa história começa lá em 2008, numa noite fria de dezembro em Londres, com Laurie em um ônibus, voltando do trabalho que ela detesta na recepção de um hotel. Entre o cansaço do dia e o desejo de chegar logo em casa, a última coisa que ela imaginava é que viveria um “intenso”, porém rápido, momento com um completo estranho que estava no ponto de ônibus. Foi praticamente amor a primeira vista. Em questão de segundos, que pareceram horas, os dois se comunicaram com o olhar de um jeito totalmente inesperado, que mexeu com Laurie, e percebeu que mexeu com ele também.

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Mas quando esse estranho decide entrar no ônibus é tarde demais, e uma pesarosa Laurie encara sua paixão repentina até virar em uma rua e desaparecer. Ela pensa em todas as coisas que podia ter feito, como gritar seu nome ou escrever seu número de telefone na janela, mas só conseguiu encarar aqueles olhos até não conseguir mais vê-lo. A partir daí, Laurie, com a ajuda de Sarah,  sua melhor amiga desde a faculdade, começa uma busca desenfreada por ele em todo lugar, sempre fantasiando com um reencontro perfeito.

Mas depois de um ano ansiando por encontrar o seu cara do ônibus, como Sarah o apelida, e já sem esperanças de sucesso, finalmente ele surge na vida de Laurie, mas como namorado de Sarah. Ela fica devastada, ainda mais porque sua amiga parece feliz e apaixonada, e não ousaria estragar tudo, até porque não adiantaria de nada, já que Jack (agora ela sabe seu nome) parece que nem a reconheceu. Acontece que ele se lembra de Laurie, mas, assim como ela, finge que estão se conhecendo naquele momento.

“Abro a boca para dar oi, mas, então, vejo seu rosto. Meu coração vai parar na garganta, e sinto como se tivessem me dado um choque no peito com um desfibrilador. Não consigo formar palavras. Eu o conheço.”

E assim essa história segue, com os dois fingindo não se reconhecerem, sem saber que ambos se lembram. Se tornam bons amigos, graças a insistência de Sarah para que se deem bem, mas também por conta dessa estranha ligação que parece uni-los, dando uma sensação de tranquilidade e familiaridade entre eles. Só que a sensação de desconforto e culpa, pelo sentimento que cresce um pelo outro, são bem presentes, não importando quanto tempo passe. Laurie tenta ficar o mais afastada possível, e Jack foca toda a sua atenção em Sarah, tentando se convencer de que é a pessoa com quem quer estar.

Mas vai chegar o momento que ambos irão perceber que mexem um com o outro e isso vai complicar ainda mais a vida deles. Um momento de fraqueza vai deixá-los enterrados em culpa, até despertar em Laurie um desejo de nunca ter conhecido Jack. Só que, ao longo dos anos, mesmo que estejam em países diferentes, com pessoas diferentes ou até mesmo brigados, o destino teima em provar algo, sempre cruzando o caminho desses dois. Mais chega de falar da trama agora, senão acabo contando tudo, e bora focar no que eu realmente achei da história e dos personagens. Eu tive uma relação de amor e ódio com esse livro desde o começo, então vou comentar esses pontos com vocês, começando com os negativos.

“Tomara que um dia eu consiga parar de lutar contra essa necessidade específica, que isso deixe de ser importante ou relevante para mim. Estou me esforçando.”

O ponto alto da minha irritação com essa história foi um tipo de triângulo amoroso que se forma aqui e me pareceu um tanto forçado, pois Laurie e Jack são completos estranhos um para o outro, sem nenhum momento realmente substancial para criar um laço. Eles só se olharam uma vez. E depois de serem devidamente apresentados, ambos tentam se evitar, para manterem a consciência limpa, e mesmo quando eles tem seus momentos de intimidade, em que se abrem um para o outro, perdeu um pouco a magia para mim, pois sempre aconteciam quando eles estavam em um relacionamento com alguém.

Outro ponto que me incomodou foi a própria Laurie, em relação a sua vida profissional. Ela sempre sonhou em trabalhar em uma revista, depois de terminar a faculdade de jornalismo, e passa metade do livro reclamando que não tem oportunidades, que não está feliz com sua vida, mas não faz nada para mudar isso. Pra não ser injusta, ela tem alguns rompantes onde toma decisões drásticas, mas não consegui sentir a empolgação que ela diz ter ou a determinação de conquistar o que quer. Ela se acomoda, não só na parte profissional como na amorosa também.

“Vou guardar todos os pensamentos que não são de amizade sobre Jack O’Mara em uma caixa, lacrá-la com adesivos amarelo-fluorescentes com aviso de “tóxico” e enterrá-la bem no fundo da minha mente.”

Mas agora vou comentar os pontos que me agradaram, porque está parecendo que eu detestei o livro e não foi bem assim rs. A relação de Sarah e Laurie foi algo que me conquistou logo de cara. A amizade delas é bem forte, tanto que Laurie sofre calada e não conta que finalmente encontrou seu cara do ônibus, porque vê que a amiga está feliz e isso é o mais importante para ela. Me diverti muito com essas duas, principalmente com Sarah, que é bem doidinha e tinha tudo pra ser uma pessoa intragável, mas é totalmente o oposto disso, se tornando uma das melhores personagens.

Laurie vai se envolver com uma pessoa que conhece em uma viagem e preciso confessar que eu adorei essa relação. Percebam como eu não me conectei tanto com o “casal principal” ao ponto de não conseguir shippar eles com mais ninguém. Eu shippei sim e não foi pouco. Não é que eu não torcia para que Laurie e Jack ficassem na mesma página e se entendessem, o livro todo te envolve pra isso, mas não tinha como não se encantar pela relação de Laurie e Oscar, já que é algo que está acontecendo em tempo real pra gente, não apenas um desejo da cabeça dos protagonistas.

“– Às vezes, a gente conhece a pessoa certa no momento errado – digo baixinho.
– Sim – diz Jack. – E aí você passa todos os seus dias desejando voltar no tempo.”

Mas o ponto mais positivo pra mim foi a escrita da autora. Josie sabe como te envolver com uma história fluida, divertida e viciante. Ela soube criar relações incríveis, que apaixonam, mas também conseguiu me deixar presa nessa teia de encontros e desencontros que duram o livro todo. Ela escreve de um jeito tão cativante, despertando sentimentos tão variados em mim, que foi impossível não devorar essa história. Josie me fez rir, chorar, me divertir e passar raiva, mas sempre ansiando em descobrir o que viria a seguir, mesmo que tenha me decepcionado em alguns pontos. E isso só prova o quão bem ela escreve.

A diagramação está do jeito que a gente gosta, com fonte e espaçamento confortáveis para a leitura, completando com folhas amareladas. A narrativa é em primeira pessoa, com ponto de vista tanto de Laurie, quanto de Jack. Temos subdivisões para marcar a entrada de cada ano, em cada abertura de capítulo temos a data correspondente e o nome do narrador do momento. Preciso dar um destaque para essa capa que eu acho um encanto, com todo esse clima natalino tão presente no livro.

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Comecei a leitura desse livro esperando uma história de amor inesquecível, mas não foi isso que encontrei. Se o romance tivesse sido melhor construído, eu provavelmente amaria esse livro muito mais e isso me deixou decepcionada porque essa história tinha um grande potencial. Mas isso não quer dizer que não aproveitei a leitura. Pelo contrário. Tiveram vários pontos que aqueceram meu coração. Se você for ler não esperando uma história épica, acredito que esse livro é uma ótima pedida para passar o tempo. Um Dia Em Dezembro acabou sendo um bom livro pra mim, então deixo minhas 3 Angélicas. Até a próxima!

CLASSIFICAÇÃO 3ANGÉLICAS

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