Resenha: ‘Em Queda Livre – L. M. Halloran’

Oi oii gente. Hoje eu trouxe a resenha do lançamento de março da nossa parceira Cherish Books Br. Em Queda Livre foi o livro de estreia da autora L. M. Halloran no Brasil, e traz uma história linda de superação, e a busca, não só do amor verdadeiro, como de conhecer a si mesmo, se amar e se curar, não importa o quão difícil seja o caminho. Antes de saber tudo o que eu achei dessa história, confere a sinopse:

Há coisas que estão fora do seu limite…E há o seu psiquiatra.
Eles chamam esse lugar de Oasis, e ele é o médico responsável.
Ele acha que pode me salvar. Me curar. Me pegar se eu cair…
Tá bom…
Dr. Leo Chastain é uma distração de dar água na boca.
Por esse motivo, estou inclinada a jogar o jogo dele.
Ele não sabe que eu sou incapaz de sentir emoções que surgem naturalmente nos outros:
Medo, compaixão, amor…
Eu posso ser uma sociopata.
Eu o avisei que estou tão quebrada ao ponto de não poder ser consertada.
Que quanto mais ele me pressiona, mais eu recuo.
Até que ele esteja destruído também.

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A vida de Mia deu uma grande reviravolta quando, aos sete anos, perdeu sua mãe e irmão mais novo em um acidente. De lá pra cá, sem uma válvula de escape para lidar com o luto – como seu pai tinha com o trabalho e seu irmão gêmeo, Jameson, com os esportes – ela viveu sua vida no limite do perigo e acabou se tornando meio rebelde e inconsequente, não sentindo grandes emoções, principalmente o medo, colocando-se em várias situações perigosas, umas até correndo risco real de vida.

Quando Mia sofre um acidente de carro, isso se torna a gota d’água para Jameson, que não acredita quando ela explica que não tentou cometer suicídio. Ele claramente não sabe mais o que fazer para não perder sua irmã, que parece estar caindo e caindo em uma escuridão dentro da própria mente. Como seu irmão é o único com quem Mia se importa de verdade, ela acaba aceitando ir para um tipo de clínica de reabilitação, um lugar conhecido como Oasis – um santuário de cura mental, isolado no meio do deserto no caminho para Los Angeles – onde vai poder ter um tratamento intensivo durante 30 dias.

“Toda vez que fiz algo perigoso foi porque estava sentindo algo que não queria sentir. Não pulo de paraquedas quando estou feliz.”

Nesse lugar ela vai conhecer o Dr. Leo Chastain, seu terapeuta, inegavelmente lindo, que vai tomar conta de seus pensamentos desde o primeiro dia. A atração entre eles é nítida, mas Leo sempre se mantém profissional e demonstra sinceridade em querer ajudá-la. Mia deixa claro sua atração, pois não se importa se é inadequado ou não. Conforme os dias se passam, ela começa a se importar não só com isso, mas com tudo. E isso a deixa assustada, e com receio dessa avalanche de sentimentos que ameaça despencar sobre ela, então Mia tenta se fechar mais ainda, só que Leo não vai permitir. Ele também parece conhecer cada detalhe da vida de sua paciente – algo que passa despercebido por Mia, de início – e isso terá uma surpreendente explicação mais pra frente da história.

O tratamento de Mia, que começou com ela tendo a certeza de que é quase uma sociopata que não mede esforços para ferir as pessoas a sua volta e que não merece ser feliz, vai passar por profundas reflexões sobre suas atitudes desde os seus sete anos. Nenhum outro terapeuta conseguiu extrair essas informações, mas vão chegar a revelação de uma dor que está totalmente enterrada dentro dela, como um mecanismo de defesa e que será decisivo para sua melhora. Cada degrau que ela vai subir, rumo a uma saúde mental saudável, será apoiada por Leo, até o ponto de ambos construírem uma ligação tão forte e profunda, que vai acabar passando a barreira médico/paciente, mas que será muito importante para os dois.

Eu não posso contar muito mais da trama, pois a partir daqui tudo pode ser um spoiler e acabar estragando a experiência de leitura. O que posso dizer é que o real motivo de Mia ter sido enviada para esse lugar é algo doloroso, do qual eu não esperava. Ela vai ter uma evolução incrível durante toda a trama, principalmente depois que esse motivo é revelado e é como ver uma flor desabrochar, sem querer parecer clichê. Mia terá um grande crescimento, e amei acompanhar como ela vai tomando controle de sua vida, entendendo que nenhuma tragédia foi culpa sua e, o mais importante, acreditando que merece ser feliz.

Leo será um terapeuta incrível, que vai ajudar e muito no pregresso de Mia. No início, ele se mostra bem discreto e enigmático, mas vai se abrindo pra ela aos poucos. Primeiro, para fazê-la enxergar um novo ponto de vista, mas depois vai ser algo que irá aproximar esses dois ainda mais. Dá pra entender seu receio de se envolver com Mia e isso só demonstra o quão íntegro ele é. O que mais amei nele foi o modo como sempre pensa no melhor para ela e como se preocupa e a protege, até mesmo de si mesma. Ele também teve momentos difíceis na vida, mas está determinado a mostrar a Mia que ela é forte o bastante para superar os seus.

“Foda-se, Amelia. Foda-se você e seu sarcasmo, suas mentiras, seus olhos que me contam mais do que sua boca jamais contou, seu cheiro que me enlouquece e seu coração lindo e machucado. Você é perfeita pra caralho, e eu vou direto pro inferno.”

Alguns personagens secundários, também pacientes do Oasis, foram muito importantes e iluminaram ainda mais a história. A começar por Kinsey – uma ex-pop star adolescente – que, de início, não se dá muito bem com Mia, mas essas duas vão se tornar grandes amigas. Callum – um modelo famoso – é a primeira pessoa que Mia se aproxima e cria um laço amigável. Eles, junto com outros pacientes, formam uma turma divertida, apesar de seus problemas, e nossa mocinha vai aprender uma coisinha e outra com eles. Eu gosto muito da amizade que nasce ali. Também preciso citar uma certa criança presente na segunda parte do livro, que é impossível não amar, e que rouba a cena quando aparece.

A família de Mia é algo importante a ser citado também. Jameson, principalmente, por conta da forte ligação que tem com a irmã. É muito especial ver os dois juntos e como são próximos e se amam de todo o coração. Já a relação de Mia com o pai se mostra complicada de início, mas é emocionante ver uma possível aproximação entre eles, apesar de ter esperado algo mais trabalhado nesse arco da história.

“É muito engraçado o poder que sua mente encontra para se proteger. Mais engraçadas ainda são as maquinações do coração. Entre essas duas forças, como e quando pode o livre arbítrio existir?”

Em Queda Livre trouxe uma bela história de auto-conhecimento, superação e perdão. A força de um grande amor está presente também, mas a autora acertou em cheio quando fez com que Mia se entendesse consigo mesma primeiro, sozinha, antes de ter um possível final feliz com alguém. É emocionante acompanhar todo esse processo de cura, que, apesar de lento, é algo muito importante para ela. Mia está longe de ser uma mocinha perfeita, mas revela um coração bonito que só precisa se libertar da dor. Torci muito para que ela conseguisse colocar tudo nos trilhos e ser feliz.

O livro é dividido em parte Um e Dois, que contam o durante e o depois da Mia no centro de terapia. Cada capítulo tem um título, e a primeira parte mostra os dias que Mia está no Oasis. A narrativa é em primeira pessoa e, exceto por um capítulo especial narrado por nosso terapeuta, toda a história é pelo ponto de vista da protagonista. A capa pode parecer simples, mas é muito bonita, e o contato visual do casal tem tudo a ver com Mia e Leo. A escrita da autora é muito fluida e gostosa de ler. Ela soube trazer doses certas de drama, equilibrado com romance, amizade e humor, o que fez eu me envolver totalmente.

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Se você procura um livro mais intenso, com uma trama envolvente, e um casal lindo e apaixonante, Em Queda Livre é a indicação perfeita. Tenho algumas ressalvas quanto a alguns detalhes que me desagradaram, mas, no geral, foi um livro que me emocionou e fez eu sentir um misto de emoções, que me conectou com todos os personagens. Por conta de todo esse combo incrível, vou deixar minhas 5 Angélicas para essa história, já com um desejo de reler. Até a próxima!

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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