Resenha ‘Ligados Pela Honra – Cora Reilly’

Olá pessoas. A resenha de hoje é de um romance totalmente dentro do mundo da máfia. Lançado pela Editora Bezz, no ano passado, Ligados Pela Honra é o primeiro livro da série Born in Blood Mafia Chronicles e a estreia da autora Cora Reilly no Brasil. Confere a sinopse e vem saber tudo o que eu achei dessa história.

Nascida em uma das principais famílias da máfia de Chicago, Aria Scuderi luta para encontrar seu próprio caminho em um mundo onde não há escolhas. Aos quinze anos, ela foi escolhida para ser a aliança que uniria duas das maiores máfias americanas, casando-se com ninguém menos que ‘O Vice’, Luca Vitiello, o próximo Capo da máfia de Nova Iorque. Agora, aos dezoito, o dia que ela mais temia se aproxima: o do seu casamento. Apesar da fama que seu futuro marido carrega, e do medo que ele causa nela, Aria sabia que não tinha escapatória, e teria não só que se casar com um homem implacável, como que conviver com pessoas que até bem pouco tempo eram inimigas declaradas de sua família. Mas o jeito de predador alfa de Luca provoca nela um conflito interno; sentimentos novos; desejos sensuais e uma grande dúvida: seria aquele homem conhecido por não ter coração capaz de amar?

Aria Scuderi tinha acabado de completar 15 anos quando foi obrigada a ficar noiva de Luca Vitiello, futuro Capo dei Capi – o Grande Chefão – da máfia de Nova Iorque. Sendo a filha mais velha do Consigliere da mais poderosa família de Chicago, ela não teve escolha, já que as mulheres, nesse mundo do crime, não tem voz ativa para nada. Com os russos e os taiwaneses tentando reivindicar territórios de ambas as famílias, é chegada a hora de Nova Iorque e Chicago esquecerem suas rixas e esse casamento é o elo necessário para que as duas organizações possam se unir para combater o inimigo em comum.

Aria fica totalmente sem chão, ainda mais por ser tão nova e pensar que poderia ter um futuro, mas ela sabe que não tem escapatória e que é o esperado dela. Fugir da máfia é um crime imperdoável e ela não teria os recursos necessários. Alem do mais, mesmo que conseguisse escapar dessa vida, não imagina viver sem nunca mais poder ver seus irmãos mais novos, Gianna, Lily e Fabiano. Eles são a força que a mantém sã para poder passar por tudo isso. Então, aceita seu destino, mesmo que isso signifique que será esposa de um dos homens mais temidos de Nova Iorque e estará a mercê de Luca por toda a sua vida.

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O primeiro encontro entre esses dois acontece quando Aria ainda está com 15 anos, em seu jantar de noivado, e ela está aterrorizada. A menina se surpreende um pouco com o respeito que Luca demonstra e a forma que ele a protege em um determinado momento, mas sabe que nenhum homem da máfia é bom, e essas ações não a fazem ter esperanças de que esteja a salvo com ele. Luca só está cuidando do que é “seu”. Aria é agradecida que o pedido de sua mãe, para que o casamento só aconteça quando ela completasse 18 anos, foi aceito e ela teria três anos pela frente para se preparar para o que seria sua vida a partir de agora.

“Faça com que ele seja bom para você. Faça com que ele te ame se puder. É o único jeito de conseguir sobreviver a isso.”

E, ao longo desses anos, Aria só teve contato com Luca através dos presentes caros que ele enviava a cada data comemorativa, e só volta a vê-lo pessoalmente dias antes do casamento. A jovem ainda não está a vontade em sua presença, mas não deixa de expressar o que realmente pensa sobre toda a situação deles, e Luca insiste não ser o monstro que ela acha que ele é. Mas Aria só terá uma prova concreta disso em sua noite de núpcias, onde Luca quebrará muitas regras para acalmá-la, e isso despertará nela uma forte esperança de conquistar o coração do marido e, quem sabe, poder ser feliz, mesmo vivendo no meio de tanta violência.

Eu não irei me prolongar muito falando sobre a trama, pois o livro é bem curto, somente 203 páginas, e não quero correr o risco de contar todos os detalhes para vocês. Então agora falarei um pouco sobre os personagens e o que eu achei de toda essa trama mafiosa.

Aria é uma mocinha que, apesar de ser inocente e estar aterrorizada com o que seu casamento pode significar para ela, é extremamente forte e resiliente. Tem um senso muito intenso de proteger quem ama e isso vai acabar se estendendo até para Luca, alguém que ela odiava de início. Um casamento dentro da máfia não é algo feito por amor, e a maioria dos homens são ensinados a pegar o que quiser, na hora que quiser. Então, é totalmente justificado o seu medo de Luca, e até revoltante que ela precise se casar contra a sua vontade. Mas, conforme ela conhece mais seu marido, mais confiante vai se tornando. Mesmo que tenha que fingir em público, ver como ela vai ganhando força é maravilhoso.

Já Luca é um mistério, de início. Não sabemos quais serão suas ações em relação a esse casamento, já que ele foi criado como qualquer outro homem dentro da máfia, com violência e crueldade. Para ele, a formação foi ainda mais intensa, já que, um dia, seria o chefe de uma das mais poderosas famílias da máfia, e teria que ser temido e respeitado. Não tinha espaço em sua vida para o amor, nem para a fraqueza e a vulnerabilidade, que esse sentimento traz. Poderia ser sua ruína, ainda mais com todas as ameaças de seus inimigos, cada vez mais presentes. Mas ele realmente não é um monstro. Pelo menos, não quer ser com sua esposa, e isso vai despertar um lado bom de Luca, que precisa ser escondido de seu mundo, a todo o custo.

“Quando eu tiver seu corpo, quero que você esteja se contorcendo embaixo de mim de prazer e não de medo.”

Outros personagens se destacam na história. E é o caso dos irmãos de Aria, que são bastante presentes. Lily e Fabiano, por serem mais novos, acabam ficando um pouco de lado sobre a vida da irmã. Principalmente o rapaz que, apesar de ser só um menino, está sendo criado para ser um homem da máfia. E isso é uma das coisas que acabam com Aria, que só queria poder proteger seus irmãos dessa vida, mas sabe que não há nada que possa fazer. Lily é apenas uma jovem espirituosa que adora flertar, e suas irmãs querem mantê-la pura assim o máximo que for possível.

Já Gianna, que é só meses mais nova que Aria, acaba tendo mais destaque, sendo a irmã confidente. Aria conta absolutamente tudo para ela e, mesmo com seu lado rebelde, Gianna a apoia incondicionalmente e vive fazendo ameaças, ainda que vazias, para Luca não ousar machucar a Aria. Ela é desbocada e vive enfrentando o pai e sendo castigada por isso. Sua personalidade forte acaba chamando a atenção de Matteo, irmão de Luca, e isso ainda vai dar muito pano pra manga, já que esses dois são protagonistas do terceiro livro.

Falando em Matteo, ele é o ponto cômico do livro, sempre com suas tiradas espertinhas e implicâncias com o irmão mais velho. Os dois são bastante unidos, o que acaba sendo raro neste mundo, e isso fica claro em vários momentos. Tiveram outros personagens que me agradaram também, como o soldado Romero. Só que muitos são grandes embustes, que elevam o significado de monstro a outro patamar, como é o exemplo do pai de Aria, que só me despertou raiva e nojo.

“–Sentimentos não são fraqueza.
–São sim. Os inimigos sempre miram onde podem te machucar mais.”

Ligados Pela Honra não é uma leitura fofa, cheia de flores e corações, mas ao mesmo tempo, te faz acreditar que o amor pode sim salvar as pessoas e torná-las seres humanos melhores. Apesar de ser uma trama que explora esse mundo sombrio da máfia, traz uma luz que aquece o coração. Luca e Aria são um casal que tinha tudo para dar errado, principalmente com a forma que os homens são criados para serem implacáveis, mas que vão tentar descobrir uma forma de serem bons um para o outro. A grande questão aqui, será o modo de que eles vão fazer dar certo no meio de tanta violência. Não pense que Luca não me irritou, às vezes, com seu jeito macho de ser, mas ver esses dois se entendendo aos poucos, foi gratificante e cativante.

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O livro traz uma diagramação simples, porém ótima para uma leitura confortável, mesmo com a fonte um tanto menor do que estou acostumada. A capa lembra bastante a original, mas eu sou mais a nossa. Como quem tem amiga nessa vida, tem tudo, tive a sorte de conseguir meu livro autografado na Bienal do Livro do ano passado, e dei uma leve surtadinha. Obrigada, Dri!

Eu gostei bastante desse livro. É uma leitura tão fluida e gostosa, que me deixou apaixonada pela escrita da autora. Mesmo sendo um livro curto, Cora consegue colocar tantos detalhes cheios de emoção, ação, intrigas e informações sobre a máfia, que parece ter bem mais páginas do que realmente tem. A trama é tão rica e envolvente, que me deixou presa desde a primeira linha, me fazendo devorar essa história. Cora ganhou uma nova fã. Eu não vejo a hora dos próximos livros serem lançados por aqui. No mais, vou deixando minhas 4 Angélicas para essa história. Até a próxima!

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