A Hora do Chá: ‘Esse Duque É Meu – Eloisa James’

Oi oi gente. Estou de volta nessa tão amada coluna e, hoje, trazendo a resenha do quinto e último livro da série Contos de Fadas, da querida Eloisa James, publicado pela Editora Arqueiro. Esse Duque é Meu encerra uma das séries mais autênticas e prazerosas que eu já li, me conquistando a cada nova leitura. E dessa vez, o conto apresentado de forma tão original, foi de A Princesa e a Ervilha. Mas antes de saber mais sobre essa história, confere a sinopse:

Era uma vez, numa época não muito distante…Para Olivia Lytton, seu noivado com o duque de Canterwick é mais uma maldição do que uma promessa de ser feliz para sempre. Pelo menos o título de nobreza dele ajudará sua irmã, Georgiana, a garantir o próprio noivado com o carrancudo – e lindo – Quin, o duque de Sconce, um par perfeito para ela em todos os sentidos. Quer dizer, menos em um, porque Quin está apaixonado por Olivia. A curvilínea, teimosa e inconformista irmã gêmea de sua noiva desperta um desejo desconhecido nele. Mas Quin nunca coloca a paixão à frente da razão, e a razão lhe diz que Georgiana é a noiva perfeita. Quando eles não conseguem resistir à paixão, correm o risco de colocar tudo a perder – o noivado de Olivia, a amizade dela com a irmã e o próprio amor dos dois. Agora só há uma coisa capaz de salvá-los, e ela espera no quarto, onde um magnífico colchão guarda respostas transformadoras ao enigma mais romântico de todos. No quinto livro da coleção Contos de Fadas, Eloisa James traz de volta à baila uma pergunta antiga: será que a perfeição tem alguma coisa a ver com o amor?

Olivia Lytton está prometida em casamento para Rupert, marquês de Montsurrey e futuro conde de Canterwick, desde antes do seu nascimento. Isso porque seu pai, quando estudante em Eton, se tornou melhor amigo do pai de Rupert e os dois acabaram fazendo uma pacto de sangue, estabelecendo que a filha mais velha do Sr. Lytton se tornaria duquesa ao se casar com o filho mais velho do duque. Seu pai então não demorou a se casar e providenciou não só uma, mas duas filhas de uma vez, extasiado com o que as gêmeas significavam para o futuro.

Olivia, sendo a filha mais velha por sete minutos, foi preparada desde que saiu do berço para se tornar uma perfeita dama e futura duquesa, sendo colocada em um intenso treinamento de duquesificacão, como costuma chamar o processo de sua formação. Georgiana, sua irmã gêmea, também foi submetida ao mesmo treinamento, pois seus pais queriam garantir que tinham uma substituta à altura caso algo trágico acontecesse com a primogênita.

Acontece que hoje, aos 23 anos, mesmo conseguindo interpretar perfeitamente o papel de duquesa, Olivia não tem a conduta e nem a personalidade que eram esperados dela. Ela detesta não poder ser a verdadeira e espirituosa Olívia, que não liga para os ensinamentos do livro O espelho dos elogios: uma academia completa para dominar a arte de ser uma dama, que sua mãe a fez decorar. Diferente da irmã, que encara esses ensinamentos com naturalidade e é muito mais refinada e perfeita que ela.

“Havia algo muito plebeu nela, por mais que seu porte, seus modos e sua voz fossem apropriados. Com certeza, conseguiria interpretar o papel de duquesa, mas a verdadeira Olívia estava sempre ali aguardando para vir à tona, o que era uma infelicidade.”

Mas Olivia sabe que não tem como escapar de seu casamento com Rupert, mesmo ele sendo 5 anos mais novo que ela e não tendo uma inteligência completamente desenvolvida, devido a complicações em seu parto. Ela só consegue suportar isso sem enlouquecer porque sabe que quando se casar, poderá fornecer um belo dote para a irmã, que acabou ficando desamparada – já que seus pais gastaram tudo o que podiam para a duquesificacão das duas – e ajuda-la a ter um casamento a altura do que ela merece.

Só que um casamento perfeito para sua irmã estava mais perto de acontecer do que Olivia imaginava. Antes de se casar, Rupert quer ir para a guerra e conquistar a glória de ajudar seu país, então o duque acaba fazendo uma proposta pra lá de indecente para Olivia, que acaba aceitando por falta de opção. Só que seu futuro sogro diz que não seria mais apropriado ela ficar na casa dos pais, e a manda, junto com a irmã, para a residência de Tarquin, o duque de Sconce, até que seu filho retorne e o casamento possa ser realizado.

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Quin, como é chamado pelos íntimos, se tornou duque muito cedo e assumiu as responsabilidades do cargo com maestria. Ele é inteligente e astuto, mas não demonstrou muito disso em seu primeiro casamento, que acabou de forma trágica, manchando sua imagem perante a sociedade. Devido a isso, sua mãe, a duquesa viúva e autora do livro odiado por Olivia, decide que é ela quem vai decidir a próxima esposa do filho, fazendo com que as damas passem por vários testes que revelarão quem será a próxima duquesa de Sconce.

Georgiana, recomendada pelo duque de Canterwick para ser uma pretendente – juntando-se a uma lady, na disputa – não surpreende por se tornar a favorita da viúva, pois tem tudo o que a mãe de Quin procura em uma duquesa. Acontece que o duque de Sconce se encantou mesmo foi por Olivia, desde o momento em que a conheceu, batendo em sua porta e encharcada pela chuva, parecendo sair do conto A Princesa e a Ervilha.

“Por alguma razão impenetrável, ele dera uma boa olhada nos olhos verdes da Srta. Lytton, em seu corpo exuberante e na forma com que mantinha os ombros erguidos até ensopada de chuva. E ele a queria.
Era perspicaz, adorável, bela… selvagem. Completamente errada para uma duquesa.”

Mas diferente da princesa da história, Olivia, com toda a certeza, não passaria nos testes da duquesa viúva, e mesmo não havendo uma ervilha embaixo de seu colchão, Quin sabe que, mesmo que não estivesse noiva de um marquês, ela não seria adequada para se casar com ele. Só que Quin não demora a constatar que Olivia pode não ser perfeita para duquesa, mas é perfeita para ele, e vai ficar impossível de negar esses sentimentos quanto mais tempo os dois passam juntos, mesmo que esse caminho tenha consequências dolorosas.

Eu preciso parar de falar da trama agora, se não vou acabar contando tudo pra vocês. Por mais que pareça que eu já fiz isso, acreditem, não contei nem um terço dessa história. Então agora vou falar um pouquinho dos personagens e minha opinião sobre a trama.

Olivia é uma mocinha apaixonante. Ela é forte, determinada e tem uma personalidade contagiante. Sua espontaneidade não era bem vista perante a aristocracia, mas ela encantou a todos. Mesmo não se encaixando nos padrões da sociedade, tanto físico, quanto de comportamento, é isso que a torna tão única, e todo esse conjunto foi o motivo do encantamento de Quin. Falando no duque, eu amei o quão vulnerável ele se permite ser, mesmo tendo uma imagem a zelar, e no fim das contas, ele não deixou que a dor de perder alguém importante o moldasse negativamente. Esses dois juntos proporcionam cenas de aquecer o coração, além de momentos mega sensuais e divertidos.

“Se eu o pegar olhando para os peitos de outra da mesma forma que olhou para os meus, eu não matarei a mulher. Vou direto em você. Considere-se avisado.”

Os personagens secundários também se destacaram e tornaram a leitura bastante harmoniosa. A começar por Georgiana, irmã de Olivia. Ela foi a que mais me surpreendeu com suas ações, sendo a mais sensata das irmãs. Temos também Rupert, que por mais que tivesse um problema intelectual, tinha um senso de honra admirável e uma personalidade doce, e eu queria que tivesse tido outro desfecho. Já a duquesa viúva despertou um misto de sentimentos em mim, que passou de raiva a afeição. Tivemos também Justin, que apareceu menos do que eu queria, mas proporcionou diálogos divertidos com nossa mocinha. E por último, mas não menos importante, temos a cadelinha Lucy, um animalzinho carinhoso, que também teve seus momentos de destaque.

Dentre todos os livros dessa série, Esse Duque é Meu tinha a premissa que mais me chamou a atenção. Acredito que seja pelo fato de que eu não era muito familiarizada com o conto A Princesa e a Ervilha, no qual serviu de inspiração para este livro, o que me despertou uma curiosidade a mais. E assim como os anteriores, ele não me decepcionou. Antes de começar a leitura, eu fui me inteirar sobre o conto e fiquei encantada com o jeito que a autora apresentou ele na história, e somado a sua escrita leve, autêntica e divertida, temos uma história incrível, e esse livro, com certeza, fechou a série com chave de ouro.

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A diagramação segue o padrão dos demais, com páginas amareladas, fonte e espaçamento ideais para uma leitura confortável. Como de costume nos romances de época, a narrativa é em terceira pessoa, com grande parte do ponto de vista do casal protagonista. A capa também segue o padrão simples, porém bonita e condizente com a história.

Eloisa diz que escreveu a série Contos de Fadas pois gosta do desafio de surpreender seus leitores quando eles já sabem o enredo, e ela, com certeza, consegue fazer isso. Ficou claro no decorrer de cada leitura, no jeito que ela traz vislumbres do conto, mas mantém a história única e envolvente. Encerro essa série com um sentimento agridoce, de satisfação pela história incrível e tristeza por ter que me despedir.

Esse Duque é Meu foi uma agradável e envolvente leitura, que me divertiu e me emocionou. O casal é delicioso de acompanhar, assim como toda a trama em si, que me prendeu do início ao fim. Eloisa, sem dúvida, conquistou mais uma fã e encerro essa resenha deixando minhas 5 Angélicas pra essa história.

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