Maratona de Férias 2020: ‘Spin Out – 1ª Temporada’

Oiiii pessoas. Estou de volta com mais Maratona de Férias e hoje vou falar de Spin Out, uma série original Netflix, que chegou ao serviço de streaming no primeiro dia no ano, e eu logo corri conferir. Mas antes de saber mais, confere a sinopse e o trailer:

Kat Baker (Kaya Scodelario), uma patinadora do gelo em ascensão, é retirada de competição depois de sofrer uma queda desastrosa. Para poder continuar na carreira, só que agora em dupla, ela se arrisca a expor um segredo que pode prejudicar toda a sua vida.

Kat é uma excelente patinadora de gelo, desde pequena. Ela vinha construindo uma carreira brilhante, até que, em uma importante competição, ela acabou sofrendo uma grave queda durante um salto em sua apresentação, que não só acabou com suas chances de vencer, como também a deixou traumatizada para saltar novamente. Um ano depois ela ainda não superou seu medo, e sem fazer os saltos mais difíceis, que ela tirava de letra antes, ela nunca conseguirá se classificar.

Surge então a oportunidade da vida de Kat, quando uma treinadora, chamada Dasha (Svetlana Efremova), a observa em seu treino no gelo, e diz que pode ajudar Kat com seu trauma e fazê-la vencer novamente. Só que pra isso acontecer, Kat precisa competir em dupla com Justin (Evan Roderick), um aclamado patinador, que acabou de perder sua parceira e precisa urgentemente de uma substituta. Dasha diz à Kat que ela é perfeita pra ocupar esse lugar, e mesmo Kat resistindo no início, pois sempre patinou sozinha, acaba aceitando essa oferta, pois sabe que essa é sua única chance de voltar a patinar.

Outro ponto que não facilitou para que Kat aceitasse a oferta logo de cara, foi quem seria seu parceiro. Justin é um playboy festeiro, famoso por sua longa fila de conquistas de uma noite, que ele abandona na manhã seguinte em seu hotel, com um roupão e o menu de café da manhã. Ele age como a maioria dos caras ricos que tem tudo o que quer a hora que quer. Mas logo de cara percebemos que essa recusa de Kat vai muito além da vida que Justin leva. Há um clima estranho entre eles que me alertou que naquela fumaça havia fogo. Então os treinos começam, e esses dois são como cão e gato com patins. Eles se desentendem a todo o momento, deixando óbvio a atração entre eles. É o típico ‘te odeio, mas queria te beijar’ rs.

Mas isso não é tudo com que Kat tem que lidar, e é aí que a série se destaca e toma um rumo bem profundo e diferente, quando o foco central da serie é trabalhar a saúde mental. Como todo o filme de patinação artística que eu já assisti, comecei essa série crente que seria mais do mesmo: uma menina lutando por seu sonho de patinar, no meio desse universo nada glamouroso dos bastidores. E definitivamente temos isso sendo trabalhado na série, mas abordado de uma maneira totalmente diferente e bem mais intensa.

Kat sofre de transtorno bipolar, mesma doença que sua mãe, Carol (January Jones), tem. Só que Kat tem um controle muito maior de seu estado mental do que sua Carol já teve em toda a vida. Kat cresceu com os surtos da mãe, enquanto tinha que lidar com sua própria mente, além de toda pressão imposta pelo esporte. Kat esconde sua doença a sete chaves de todos, pois sabe que não seria bem aceita em seu meio. Ao longo dos episódios, vamos acompanhar como ela lida com tudo isso, e é sofrido de ver o quão difícil é, e o quão forte ela precisa ser para aguentar tudo.

De forma alguma, eu pretendo afirmar isso ou aquilo, sobre a bipolaridade. Quero deixar claro que estou opinando em cima dos fatos apresentados na série, e a visão que eu tive em relação a isso. Eu sou totalmente leiga no assunto, só tendo como referência o que vi em filmes e livros. No pouco que eu sei, das pesquisas que fiz após terminar a série, Spin Out aborda a bipolaridade no seu nível mais grave, mostrando, principalmente na relação de Kat com a mãe, como alguém com esse transtorno pode reagir a determinadas emoções e pressões. Acredito que algumas situações podem ter sido um tanto dramatizadas, por conta de ser uma ficção, mas eu não sei até que ponto a série retrata verdadeiramente a bipolaridade. Dito isso, vamos prosseguir rs

Em meio a essa avalanche, se encontra Serena (Willow Shields), a irmã mais nova de Kat, que não possui o transtorno bipolar, mas cresceu com uma mãe e irmã convivendo com isso diariamente. Ela é tão afetada por essa doença, quanto Kat e Carol. Serena também é patinadora, e acaba sempre tendo mais atenção da mãe, tanto em casa, como no esporte, sempre tendo os melhores treinadores e tudo mais, enquanto Kat acaba até ficando sem treinador, antes de formar dupla com Justin, pois Carol só pode pagar por um. O relacionamento de Kat com a mãe nunca foi bom, e piorou depois da queda de Kat. Essa relação das três é bem intensa e vai sendo muito bem desenvolvida no decorrer dos episódios.

Além do transtorno bipolar, temos questões como: pressão extrema e preconceito no esporte, racismo e pedofilia, sendo trabalhados na série, de forma direta, sem muita profundidade, pois acaba que não é o foco principal da série, mas com muita responsabilidade. Por exemplo, a melhor amiga de Kat, Jenn (Amanda Zhou), ignora uma lesão no quadril para poder continuar patinando e ter a chance de ir para as Olimpíadas, e foi bem frustrante acompanhar a jornada dessa garota, vendo ela sofrer com a dor a cada dia. Outro destaque é Marcus (Mitchell Edwards), o único cara negro da equipe de esqui no gelo. No início ele era só um colega de trabalho de Kat, com uma queda por ela, mas que depois pega um pedaço da história para si, e nos mostra como o racismo segue moldando sua vida, desde a infância. E até Dasha, que precisou esconder seus sentimentos por outra patinadora, no início de sua carreira, devido a época e o preconceito.

Spin Out foi uma grata surpresa pra mim, que não estava com grandes expectativas e acabei me surpreendendo. Não é nada espetacular, já adianto pra vocês, mas é uma série satisfatória, fluida, e que tem todo potencial para uma continuação. A atuação de todo o elenco é ótima, mas pra mim, Kaya Scodelario deu um show de interpretação. Os momentos retratando as crises bipolares passam uma verdade absurda, e Kaya entregou cenas incríveis. Já as apresentações no gelo são um espetáculo a parte, e mesmo os atores usando dublês para as acrobacias, fica nítido a entrega e dedicação deles, e eu me envolvi demais nessas cenas.

Falando nos atores, temos alguns rostos bem conhecidos no elenco. É o caso, óbvio, da Kaya Scodelario, estrela de “Skins” e “Maze Runner”, acompanhada de January Jones de “Mad Man” e “X-Men”, Evan Roderick, conhecido por seu papel recorrente em “Arrow”, Willow Shields, atriz de “Jogos Vorazes”, e também Will Kemp, conhecido por seu papel na série “Reign”. A produção ainda conta com Johnny Weir, patinador olímpico, interpretando o competidor Gabe, além de uma ex-patinadora artística como criadora e co-roteirista da série, Samantha Stratton.

Com 10 episódios de aproximadamente 50 minutos cada, Spin Out traz sim uma trama envolvente e apaixonante. A série tem lá suas falhas, e alguns detalhes não me agradaram, mas nada que me impediu de aproveitar a história. Mesmo com tantos assuntos intensos sendo abordados, garanto que a série tem sua leveza, com doses certas de drama, romance e humor.

Vou ficando por aqui, torcendo que a aceitação do público faça com que a Netflix renove a série para a 2ª Temporada. Até mais!

9 comentários em “Maratona de Férias 2020: ‘Spin Out – 1ª Temporada’

  1. Olá, tudo bem? Primeiramente, obrigado por compartilhar.

    Quando comecei a ler sua descrição, imaginei o mesmo que você a respeito do enredo: mais uma menina lutando contra o mundo e aí encontra um cara que balança seu mundo blá blá blá. Mas pelo que você escreveu, os roteiristas conseguiram resolver essa aparente previsibilidade abordando um transtorno que parece ser mais falado do que entendido. Despertou meu interesse.

    Ainda, caso ainda não conheça, e se esse é um estilo que te atrai, dá uma olhada no Cisne Negro do Darren Aronofsky.

    Um abraço.

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  2. Apesar de adorar essa atriz e a série já estar na minha lista de espera para maratonar, ainda não comecei, coloquei outras séries na frente. Agora me animei para começar, depois de ler aqui.

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  3. Sou apaixonada por tudo ligado a dança e patinação (embora eu não tenha muito jeito para a segunda opção kkk…)
    Me arrepiei toda olhando esse vídeo e lendo um pouco da história, então já vou marcar para assistir mais tarde. Bjus

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  4. Olá Anna, Como vai?
    Ache bem interessante sua dica, mas faz um tempo que não assisto série. E embora essa pareça ser boa, pela sua descrição, não me chamou a atenção.
    Abraços

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  5. Oi Anna! Eu amei a sua crítica, como já tinha te falado. Eu to bem ansiosa pra ver essa série, não só pelos atores, mas pq eu achei mt legal a trama em torno da patinação. Acho que já vi uns 3 filmes assim e amei. Daí quero ver a série. Ficou mt claro o quanto você gostou e é bem chata a ideia de que ela possa mesmo ter sido cancelada. Ainda to na esperança, já que a Netflix não se pronunciou. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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