A Hora do Chá: ‘Um Beijo à Meia Noite – Eloisa James’

Oiiiiiii gente. Estou de volta e dessa vez pra falar do segundo livro da série Contos de Fadas, da autora Eloisa James, que vem sendo publicado pela Editora Arqueiro. Pelo título e pela capa, acho que vocês já imaginam qual conto foi a inspiração da vez né ? rs Mas antes de eu começar a ‘tagarelar’, confere a sinopse:

“Kate Daltry é uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Desde a morte do pai, sete anos antes, ela se vê praticamente presa à propriedade da família, atendendo aos caprichos da madrasta, Mariana. Por isso, quando a detestável mulher a obriga a comparecer a um baile, Kate fica revoltada, mas acaba obedecendo. Lá, conhece o sedutor Gabriel, um príncipe irresistível. E irritante. A atração entre eles é imediata e fulminante, mas ambos sabem que um relacionamento é impossível. Afinal, Gabriel já está prometido a outra mulher – uma princesa! – e precisa com urgência do dote milionário para sustentar o castelo. Ele deveria se empenhar em cortejar sua futura esposa, não Kate, a inteligente e intempestiva mocinha que se recusa a bajulá-lo o tempo todo. No entanto, Gabriel não consegue disfarçar o enorme desejo que sente por ela. Determinado a tê-la para si, o príncipe precisará decidir, de uma vez por todas, quem reinará em seu castelo. Um beijo à meia-noite é um conto de fadas inspirado na história de Cinderela. Com um estilo que combina graça, encanto e sedução, Eloisa James escreve uma narrativa envolvente, com direito a fada madrinha e sapatinho de cristal.”

Kate nunca teve uma vida normal como uma dama da alta sociedade. Desde pequena cuidou da mãe que sempre foi doente, até perdê-la quando tinha 16 anos. Teve que aceitar o casamento do pai poucas semanas depois e sempre lidando com a constante ausência dele. Logo ele falece, deixando toda a herança para a atual esposa e enteada, e Kate fica aos ‘cuidados’ da madrasta, que logo trata de colocá-la no sótão e despedir quase todos os criados da propriedade.

Kate poderia muito bem pegar o pequeno dote que sua mãe deixou e ir embora dali, mas ela não conseguiu abandonar a casa e a todos os inquilinos que trabalhavam na propriedade. Ela então toma para si a responsabilidade de administrar tudo, sempre ficando a mercê da madrasta e sua total falta de compaixão. Sete anos depois, Kate continua sendo tratada como uma ilegítima e fazendo todos os trabalhos pesados, vivendo quase como uma criada em sua própria casa.

“- Acho que é tarde demais para eu me transformar em uma dama. A esta altura, seria necessário uma varinha de condão.”

Mas tudo que está ruim, pode piorar e depois de a madrasta fazer uma revelação que Kate nem imaginava, ela ainda obriga a enteada a ir em um baile no lugar de sua filha Victoria. O motivo é o mais ridículo possível e Kate tem a certeza de que não vai dar certo se passar pela meia-irmã, mas Victória não pode ir e ela precisa comparecer junto ao noivo no castelo do tio do mesmo, o príncipe de Pomeroy, para que ele aprove o casamento. É uma exigência da mãe de lorde Dimsdale, o tal noivo, e Victória não pode se dar ao luxo de perder esse casamento. É somente por isso e por gostar da meia-irmã – diferente da relação que tem com a madrasta – que Kate aceita essa missão que tem tudo pra ser um desastre.

Chegando ao castelo, a atração entre Kate e o Príncipe Gabriel é imediata, mesmo que os dois não admitem e insistem em agir com hostilidade. Eu me diverti horrores com a interação desses dois. Kate se recusa a bajular Gabriel como todos a volta dele sempre fizeram e Gabriel secretamente ama isso. Ele não demora nada pra descobrir que Kate não é quem diz ser e isso só serve de alavanca para o relacionamento que eles vão desenvolver ao longo da trama.

“Ela virou o rosto para o dele como uma criança que espera um beijo de boa-noite… Era tão natural… E os lábios dele abriram os de Kate.”

Kate chegou alguns dias antes do baile e mesmo querendo ir embora antes, Gabriel não quer que ela vá. Ela não pode deixar que as pessoas descubram que ela não é Victória, pelo bem da reputação da meia-irmã. Ao longo de sua estadia, os dois vão se aproximando cada dia mais e a atração vai sendo cada vez mais difícil de esconder. Um perigoso jogo de sedução é iniciado. Gabriel quer Kate mesmo sabendo ser errado, e Kate, mesmo sabendo que não pode ter o príncipe para si, não consegue resistir.

Só que Gabriel, assim como Kate, sabe que nada pode acontecer entre eles. A vida não é tão luxuosa e afortunada como sempre pensamos ser todos os príncipes e Gabriel já abriu mão de muita coisa para manter todos que dependem dele, a salvo. Ele está prestes a encontrar sua futura noiva, Princesa Tatiana, e precisa de seu dote para manter todos no castelo. Mas os poucos dias que antecedem o baile, vão servir para cultivar sua relação com Kate e seus sentimentos podem sair do controle, fazendo com que seja muito mais difícil para eles dizerem adeus, afinal, Kate precisa voltar pra vida real ao soar do relógio a meia-noite, certo ?

“– Esquecerei Kate com o tempo. – Ele olhou Wick diretamente nos olhos enquanto falava. Ele nunca a esqueceria. Wick sabia disso também.”

Preciso dizer que eu amei esse livro. Não tanto quanto do primeiro, Quando a Bela Domou a Fera, mas mesmo assim me ganhou. A trama é bem mais simples e um tanto menos intensa mas ainda assim aqueceu meu coração. Kate é uma personagem diferente das damas que costumo encontrar nos livros de época. Ela não se comporta como uma dama da alta sociedade, devido a vida que leva, e o pouco que aprendeu quando criança é bem vago na memória. E isso é o que a torna única e especial para Gabriel. Ele se esconde em toda a pose de príncipe perfeito, mas tudo o que ele queria era estar em Túnis, na cidade de Dido, escavando e descobrindo relíquias do passado, mesmo se essa for apenas um vaso de uma simples criança pobre. Esses dois tem mais em comum do que poderiam imaginar e cada um ir descobrindo quem o outro realmente é só faz com que a ligação entre eles fique mais forte que nunca.

Mas não é só Kate e Gabriel que me conquistou. Tem personagens que se destacam e muito. A começar pela madrinha de Kate, Lady Wrothe – que prefere ser chamada de Henry, que é simplesmente maravilhosa. Ela coloca Kate embaixo de sua asa e vai ser muito importante na história. Quero dar um destaque especial para o mordomo de Gabriel, Wick, que tem as melhores frases de efeito e é muito mais importante para Gabriel do que vemos inicialmente. A madrasta de Kate, Mariana, é uma pessoa egoísta e horrível, totalmente diferente de Victória, que é só uma menina mimada mas de bom coração. Um destaque ainda mais especial para um trio de cãozinhos maltês, Coco, Freddie e Caesar, que tem muito mais personalidade que muitos integrantes dessa corte rs

“- Apaixonada – repetiu lady Wrothe, num tom sombrio. – Pelo amor de Deus, nunca se apaixone antes de se casar. É complicado demais e as consequências são terríveis.”

A diagramação segue o padrão do livro anterior, com páginas amareladas e fonte de um ótimo tamanho para uma leitura confortável. Essa capa é linda e tem referências, é claro, à Cinderela, mas a trama não se prende totalmente ao clichê esperado do conto – apesar de haver vislumbres aqui e ali – mas toma rumo próprio e muitas vezes durante a leitura eu me esqueci que era uma história baseada na Cinderela. Isso é uma das coisas que mais me agrada. A história segue o costume de narrativa em terceira pessoa e traz o ponto de vista de Kate e Gabriel e a gente adora sabe tudo o que eles estão pensando.

Um Beijo à Meia Noite não me fez mergulhar de cabeça na história desde o início. Eu tive certa dificuldade, logo no comecinho, de me conectar com os personagens. Não foi nada muito drástico e não me fez querer largar o livro ou ficar com a leitura arrastada e tediosa, nada disso. Eu só demorei um pouco pra pegar o ritmo da narrativa. Mas depois eu logo fui sugada pra história e não conseguia mais parar de ler. Foi tão gostoso acompanhar cada passo desses personagens. Eu me diverti horrores com eles.

Eu nem preciso dizer que indico muito esse livro né? Regado de humor, honra, senso de dever e a descoberta do amor, Um Beijo à Meia Noite é a pedida certa para se passar o tempo em ótima companhia. Apenas um detalhezinho no final não foi totalmente esclarecido, mas isso não interferiu na minha opinião. Vou deixar 5 Angélicas para essa história e já estou correndo pro próximo livro – logo, logo eu trago resenha dele pra vocês. Até mais!

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5 comentários em “A Hora do Chá: ‘Um Beijo à Meia Noite – Eloisa James’

  1. Que amor, eu adoro novas versões de contos de fadas e o da Cinderela é um dos meus preferidos. Achei interessante a trama trabalhar a narrativa do príncipe, mostrando mais detalhes sobre sua vida e também sua relação mais detalhada com a protagonista. Vou ficar no aguardo da resenha de outros livros baseados em contos de fadas! Abraços!

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  2. Oi, tudo bem? Primeiro gostaria de dizer que amei essa a combinação de cores da capa. E esse sapatinho? Nos remete aos contos de fadas desde o primeiro olhar. Acho muito interessante a proposta de alguns autores de reescreverem histórias que conhecemos a tanto tempo. Principalmente aquelas que marcaram tanto nossa infância. Um dos contos que mais gosto é A princesa e a ervilha já leu? Beijos, Érika =^.^=

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