Crítica da série: ‘Coisa Mais Linda – 1ª Temporada’

Ooooi oi gente. Hoje vamos falar um pouquinho de um lançamento Original Netflix que conquistou o coração de todo mundo. Coisa Mais Linda é a primeira série nacional de época produzida pelo streaming e está arrebentando. Mas antes de saber mais, confere sinopse e trailer…

“Na São Paulo do final da década de 50 está Maria Luiza, uma moça conservadora e completamente dependente de dois homens: seu pai, Ademar, e o marido dela, Pedro. No entanto, sua vida toma um rumo completamente diferente quando Pedro desaparece ao viajar para o Rio de Janeiro a fim de montar um restaurante. Maria Luiza, é claro, segue os rastros do marido, mas acaba transformando o sofisticado restaurante em uma casa noturna. Em terras cariocas, essa jovem passa então a descobrir um novo mundo na companhia de mulheres feministas e liberais e ao som da Bossa Nova.”

A série se passa nos anos 50, mais precisamente no ano de 1959, e acompanha a trajetória de Maria Luiza (Maria Casadevall), prestes a sair de São Paulo, rumo ao Rio de Janeiro, onde pretende encontrar o marido, que está sem dar notícias há algum tempo. Ele foi para o Rio antes, a fim de resolver as coisas para dar seguimento ao desejo dos dois de abrir um restaurante. Maria Luiza deixa o filho em São Paulo com os pais e vai atrás do marido para garantir que está tudo bem com ele.

Logo que coloca os pés no Rio de Janeiro, Maria Luiza encontra o local, onde seria o restaurante, completamente abandonado e o quarto, que o marido se hospedava, não recebe ninguém há dias. Basta uma breve investigação para que ela descubra que seu marido, a quem ela confiava cegamente, havia sido infiel todo esse tempo e além de tudo, fugiu levando todo o seu dinheiro.

Desamparada e sem saber o que fazer, ela acaba conhecendo Adélia (Patrícia Dejesus), a empregada do apartamento ao lado. A conversa entre as duas marca Maria Luiza, mas elas acabam seguindo seus caminhos. Maria Luiza também é consolada por sua melhor amiga de infância, Lígia (Fernanda Vasconcellos), que mora no Rio com o marido. E é através dela que Maria Luiza vai conhecer Thereza (Mel Lisboa), cunhada de Lígia. Pronto, o quarteto está apresentado e a partir daí seus caminhos vão começar a se entrelaçar.

“A gente não percebe o quanto é corajosa, até precisar ser”

Maria Luiza, que não demora a se tornar apenas Malu – uma mulher independente e dona de si – decide que ela não vai ficar sofrendo por um embuste de marido e vai seguir com o plano de abrir um estabelecimento. As conversas com Thereza, tão importantes e cheias de clareza, vão fazer Malu sair de sua concha de mulher delicada, de uma importante família, que tinha a vida comandada pelo pai e marido. Ela começa a ver que pode tomar o controle e fazer o que quiser.

Após ver Chico (Leandro Lima), apresentando um tipo de música que até então Malu nunca tinha ouvido, do qual ele chama de Bossa Nova, uma ideia começa a se construir na cabeça de Malu. Ela decide que ao invés de abrir um restaurante, vai investir em algo que ela sempre amou, e abrir um clube de música. Malu recruta Adélia, a quem ela reencontra de uma forma inesperada, para embarcar nessa aventura com ela e vai tentar de todas as formas conseguir fazer o que deseja.

Eu nem preciso dizer que não será nada fácil para Malu, em um tempo onde o mundo é dos homens, conseguir abrir seu clube, né? Pra vocês terem uma pequena noção, ela precisa da assinatura de um homem para tudo que ela for fazer em relação a burocracia e os trâmites de se abrir um negócio. E como se não bastasse isso, seu pai acha uma maluquice a ideia da filha e a ameaça dizendo que se ela não voltar pra casa, toda a sua fonte de renda será cortada. O mundo, dominado pelos homens, vira as costas para Malu dizendo que ela deve se por em seu lugar, ou seja, ao invés de se meter nos ‘assuntos deles’, ela deve se dar ao respeito e aproveitar melhor seu tempo indo as compras ~Só jesus na causa viu~

Eu vou parar de falar da trama por aqui, pois além de ser uma série curta, toda essa jornada de Malu é emocionante demais pra se ter uma prévia que seja, do que pode acontecer. Só o que eu digo é que Malu vai mostrar que o lugar dela é onde ela quiser estar. Mas a série não é só focada em Malu. Como eu disse, um quarteto de amigas vai sendo formado aos poucos e não vão faltar mulheres fortes e determinadas nessa equação.

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Começo falando um pouquinho de Lígia, melhor amiga de infância de Malu. Eu quis abraçá-la tantas vezes. Foi uma personagem que demostrou sua força mesmo quando todas as suas ações pareciam fraqueza. É uma mulher talentosíssima, mas super reprimida pelo marido e seu círculo social. É também a protagonista de uma cena tão linda que envolve apoio, amor, amizade e sororidade em sua forma mais pura e sincera.

E não tem como falar de sororidade, apoio e força sem falar em Thereza. Ela é maravilhosa em um nível único. Thereza é tão importante para diversos momentos na trama. Ela é forte, mente aberta, decidida, totalmente a frente de seu tempo e com uma inteligência admirável. Morava em Paris com o marido Nelson (Alexandre Cioletti), e eles formam um casal e tanto. Devido a algo doloroso eles voltaram para o Brasil e agora Thereza trabalha numa revista voltada ao público feminino, mas olha que coisa, ela é a única mulher no meio de vários homens. Machos se passando por mulheres para falar de assuntos femininos. Então vocês podem imaginar o quão determinada ela é e como ela exige seu lugar no mundo. A gente tira o chapéu pra ela com gosto.

E aproveitamos e tiramos o chapéu para dona Adélia também. A única das quatro que não nasceu em um berço de ouro e tudo que tem foi com o suor de seu trabalho, desde a mais tenra idade. Não que a luta de Thereza, Malu e Lígia não sejam importantes, porque é, mas neste caso Adélia vive a realidade de trabalhar duro para colocar comida na mesa. Adélia cria a filha pequena e sua irmã mais nova enquanto o marido, Capitão (Ícaro Silva), tenta a vida de músico Brasil a fora. As coisas não são fáceis pra essa batalhadora que não se deixa abater por nada. É a pessoa que mais ensina Malu como a vida é mais do que um mar de privilégios e a erguer a cabeça e dar um jeito de tudo ficar bem. A amizade dessas duas me levou as lágrimas e não foi uma nem duas vezes não.

Malu sempre foi conhecida como a filha de um homem importante, a mulher de um homem respeitável, mas que nunca teve sua própria voz. Até que ela sobe no muro e consegue ver além do horizonte, decide que quer ser ouvida e dá um show. Simpática, bem humorada e perspicaz, Malu é uma personagem que tem uma evolução incrível. A relação que ela tem com o filho é linda e você sente o quanto ela sofre por estar longe dele e sua luta para trazer ele pra perto novamente. Tudo isso caminhando junto ao conflito que é pra ela encontrar seu lugar e provar que ser mulher não a torna menos capaz.

“Eu tenho a impressão de que tudo que a gente deixa na mão de um homem, acaba dando errado”

A luta dessas quatro mulheres e a história de cada uma é incrível e mais que isso, importantíssima. Cada uma nos traz uma questão que naquela época, infelizmente, era algo comum, mas depois de tantos anos era de se esperar que não existissem mais ou pelo menos que não fossem mais tão comuns. Só que não é isso que nos damos conta logo de cara já que reconhecemos várias situações que deveriam ter ficado para trás, mas ainda são assuntos muito atuais, principalmente para nós, mulheres. E é isso que torna essa série muito mais que entretenimento, mas algo que precisa ser visto e discutido.

Tem um vídeo maravilhoso que a Netflix postou, feito com as quatro protagonistas de Coisa Mais Linda e eu vou deixar aqui para que vocês possam ver e que basicamente resume em um teaser o que eu disse ali em cima. São depoimentos que poderiam ter sido de mulheres da década de 50, mas que na verdade são de mulheres de agora. Vale a pena conferir e ver que nossa realidade muitas vezes se parece com o passado fantasiado de progresso.

Coisa Mais Linda nos traz uma trama tão necessária e que toca em assuntos delicados, mas não pecam em momento algum, seja na hora do drama que nos leva as lágrimas ou com o humor de arrancar várias risadas. Ah, e muitas cenas picantes também ( que calor!!), então tirem as crianças da sala rs. Temos vários rostos conhecidos, dos quais sou fã, mas também vários não tão famosos assim que são talentosíssimos e isso foi bem legal. Temos a leveza e a delicadeza de uma história que nos conquista desde a primeira cena, nos envolve com uma trilha sonora deliciosa, regada a Bossa Nova e nos encanta com o cenário de época com todos aqueles looks maravilhosos. Além, é claro, de uma fotografia impressionante de tão linda. Poxa #CoisaMaisLinda, zero defeitos!

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A série é curtinha, então dá pra aproveitar essa pausa e maratonar de uma vez só. São somente 7 episódios, mas acreditem em mim: vocês vão querer muito mais depois daquele impactante final que, particularmente, me tirou o fôlego (que final foi aquele, meu Deus?). Fora o fato de que dá uma satisfação tão grande em assistir uma produção brasileira tão bem feita como essa, trabalhando tão bem questões como racismo e machismo de uma forma honesta e realista.

Eu amei tanto essa série que nem sei explicar e por mim ficaria aqui falando dela sem parar. Mas vou me dar por satisfeita, e espero ter convencido vocês a correrem dar play neste sucesso. Entrem pro clube de desesperados por uma segunda temporada e espero que eu volte logo para falar sobre essa série por aqui.

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