Crítica Cinematográfica: ‘After’

Helloooo pessoal!!! Depois de muita espera e ansiedade dos fãs do polêmico best seller After da autora Anna Todd, o filme de mesmo nome finalmente estreou nos cinemas. Seja #lover, seja #hater, todos estavam curiosos para ver como esse filme seria… será que a história de amor de Hardin e Tessa seria fiel ao livro ou seria adaptada para algo mais politicamente correto? Eu fui ao cinema conferir e trouxe pra vocês a crítica sem spoiler desse filme. Vem conferir tudo que eu achei:

“Tessa Young (Josephine Langford) é uma jovem de 18 anos que acaba de ingressar na faculdade. De roupas recatadas e bastante ingênua, ela é apresentada ao mundo das festas através de sua colega de quarto, Steph (Khadijha Red Thunder), bem mais liberal. Logo conhece Hardin (Hero Fiennes Tiffin), um jovem rebelde que renega o amor, apesar de ter lido os principais romances sobre o tema. Aos poucos os dois se aproximam, iniciando uma ardente paixão.”

Tessa Young (Josephine Langford) é uma caloura na universidade, com aquela expectativa grande para essa nova etapa da sua vida: morar no campus longe de casa, deixar o namorado da vida toda, Noah (Dylan Arnold), que ainda está no Ensino Médio, para trás e tentar um relacionamento à distancia, viver longe das grandes expectativas que a mãe tinha pra ela… finalmente, as asinhas estarão livres para voar por conta própria… aquele momento que todo adolescente espera ansiosamente viver um dia.

Na universidade, ela acaba conhecendo Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin) que faz parte do grupo de amigos da sua excêntrica colega de quarto, Steph (Khadijha Red Thunder). E é através dela que Tessa irá descobrir o mundo das festas que todo campus tem e, consequentemente, ela irá estar cada vez mais próxima de Hardin, o filho problemático do reitor da universidade. A química entre eles é grande e impossível de resistir, claro. E o fato de ele ser tão diferente de tudo que ela é acostumada a ter por perto, faz com que a visão de vida dela acabe mudando também. Como diz o slogan do filme: ‘depois‘ do Hardin, a vida dela nunca mais será a mesma.

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Eu amo um bom clichê. Sério! Mesmo que tenha muita gente que fale mal dos clichês que não param de ser lançados em livros, filmes, novelas e séries, um bom clichê muda a vida de alguém. Nos faz refletir sobre coisas tão óbvias, mas que são tão difíceis de enxergar. O clichê existe porque ele é real, porque ele toca as pessoas de alguma forma e faz com que elas se identifiquem com ele. Por isso é repetitivo e tão fácil de vender. É bom. Ponto. Mas ele tem que ser bem feito. Não foi o caso desse filme. Tirando toda a polêmica do relacionamento abusivo de lado – porque se eu colocasse esse assunto na balança, eu nem teria ido ao cinema – o filme não convence, não emociona, não excita, não entretém…. nada de nada. Saí da sala com a sensação que era melhor ter ido ver o filme do Pelé.

Falando das atuações? Josephine nos traz uma Tessa deslumbrada com o mundo da universidade. Com uma inocência compreensível por conta da mãe super protetora, mas que também sabe ser atrevida quando necessário. Apesar de eu não me lembrar muito da personagem no livro, eu até gostei da Tessa do filme mas, não por culpa da atriz, a superficialidade incomoda. Ela é a personagem que conta a história e não temos nada dela, além do relacionamento com a mãe, o namoro sem sal com Noah e a paixão por Hardin. O momento em que ela mais mostrou de si no filme, foi em um debate com o Hardin na aula de literatura sobre o livro Orgulho e Preconceito. Sinto que Josephine tinha mais para dar a Tessa, mas a personagem rasa não permitiu. Queria ter mais posicionamentos dela, mais representatividade de um feminismo que ela elogiou em Elizabeth Bennet… talvez fizesse o filme ter mais sustância e não o fizesse ser tão perdido para mim.

Hero, por sua vez, nos traz um personagem revoltado com um passado problemático e que não consegue superar o fato do pai ter se tornado um homem melhor, depois de ter feito a mãe sofrer tanto com um marido alcoólatra. O que é, de modo grosso, a história do livro mas, infelizmente, não nos traz a verdade do personagem. Aliás, faltou muito do Hardin do livro no Hero. Talvez, pela intenção da autora de sair pela tangente da polêmica que acompanha o personagem, ela acabou tirando boa parte da essência dele. Tudo bem que a essência dele não é das melhores, mas ainda assim ficou parecendo que ela ‘pipocou’. O Hardin do livro, todo revoltado com a vida, problemático, uma bomba prestes a explodir, que tem tanta escuridão dentro de si por conta do que presenciou no passado mandou abraço pro Hardin do filme, que tenta manter uma expressão fechada o tempo todo pra trazer essa coisa de ‘revoltado’, mas que não dá muito certo… aliás, sua inexpressividade dá é medo mesmo.

Olhando para o casal, não é nem um milímetro tão conturbado quanto o relacionamento deles no livro de fato é. O que mais uma vez, muda a essência da história o que não é bom, mesmo com a essência sendo ruim por natureza. No geral, o casal é mais do mesmo. O mocinho revoltado que encontra a garota certa que faz com que ele mude seu jeito errado de ser. Cansei de olhar para esse tipo de relacionamento com bons olhos, sério!!!!! Eu agradeço o belo dia em que eu percebi a responsabilidade que é jogada nas costas de tantas mulheres por aí para que elas mudem macho escroto: “se ele não mudou, é porque você não é a certa pra ele”. Isso é o romantizar relacionamento abusivo que a gente tanto escuta por aí, mas não é nem metade do que a gente leu do Hardin no livro. Não vou me estender demais para não dar spoiler, mas mesmo sem ter a essência completa do Hardin, ainda temos um relacionamento ruim sendo retratado aqui. Só aí, já dá pra imaginar o por quê de tanta problematização com o livro, né?

Eu li os livros dessa série há mil anos atrás e, confesso, que não lembro de muita coisa mais. Lembro do sentimento estranho que eu tive ao ler After. Lembro que fiquei numa confusão completa de amor e ódio por Hardin Scott e completamente apaixonada pela banda The Fray. Mesmo na minha imaturidade adolescente, não consegui morrer de amores por Hardin por achar muitas atitudes dele erradas. Mas também não consegui odiá-lo por completo. Depois, lendo todas as opiniões sobre esse livro, entendi o motivo do meu incômodo e me senti até um pouco mal por não odiá-lo completamente rs. Hoje, vejo o quanto o livro mostra um relacionamento péssimo romantizado como algo bom. Por isso, fui no cinema com os dois pés atrás ver essa adaptação. Talvez por isso, o filme já tenha sido condenado por mim.

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De qualquer forma, não sei se After agradará algum público. Acredito que os fãs, que normalmente defendem o livro das opiniões contra a história vão ficar decepcionados pelas mudanças feitas no filme, pois muito do Hardin e do relacionamento dele com a Tessa se perdeu. Já os haters, que estão sempre à postos para criticar os acontecimentos do livro, as mudanças feitas não agradaram também. Perdeu-se muito da história e, mesmo sem boa parte do relacionamento ruim, o filme ainda é fraco, os personagens são rasos, a trama não cativa, o enredo não emociona e a trilha sonora não é das melhores. Pelo menos, teve um momento que, sutilmente, tocou Look After You do The Fray, mas ainda senti falta de mais da banda que a Tessa do livro me fez amar tanto.

Mas, não importa o que eu pense sobre um filme ou livro, eu SEMPRE indico para aqueles que tenham curiosidade ou se interessem pela premissa da história de alguma forma. Seja fã de After, apaixonadx pelo Hardin, completamente loucx pelo trabalho da Anna Todd ou um hater completo de tudo e qualquer coisa que seja ligado a essa história, nunca é tempo perdido ver pessoalmente algo que nos instiga uma curiosidade ou um sentimento, seja ele bom ou ruim.

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12 comentários em “Crítica Cinematográfica: ‘After’

  1. Confesso que eu não fiquei interessado pelo filme desde que o trailer saiu. Acho que a sua resenha demonstra que a impressão que eu tive no trailer é a que ficaria se eventualmente eu assistisse. Não consegui me emocionar pelas cenas mostradas, parece tudo muito superficial. :/

    Parabéns pelo texto! Abraços!

    ______
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  2. Olá!
    Olha, eu to com medo de assistir esse filme, eu não gostei de nenhum dos atores, não tem nada a ver com os personagens rs’ esse Hardin é fraco demais hahaha, não passa nem metade da personalidade do Hardin dos livros. Irei esperar passar em algum canal, pois sei que sairei beem irritada do cinema. Adoro os livros, mas prefiro ficar somente com eles.

    beijos!

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  3. Então, eu vi o trailer desse filme e achei meio meh. Mas pq não curto esse tipo de história de ”a moça bacana conhece um cara perdido e ele muda por causa dela e a vida dela nunca mais será a mesma depois dele”. Eu fico…………………………………hm kkk bjs.
    Sério, eu acho o cúmulo a romantização dos caras babacas e dos relacionamentos abusivos dessa forma. Isso nem é, de fato, explícito no trailer não. Mas só pela sacada eu não me interessei.
    Depois de ler a sua crítica eu to é bem feliz por ter desistido de gastar meu dinheiro com esse filme no cinema.

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  4. Só pelo fato da Tessa ir morar sozinha, já me interessei pelo filme! 😂 Meu sonho ir morar sozinho enquanto sou jovem! 🙏🍀❤ Sobre sua resenha, geralmente quando a história de um livro se torna filme, nunca é tão legal quanto o livro né? Falo isso por conta dos livros “A Cabana” e “O Menino do Pijama Listrado” são livros que viraram filmes e que sinceramente eu não gostei do filme, porque a história em filme é muito resumida. Perde toda a graça. Enfim, vou assistir esse filme que você recomendou para ver se eu gosto! ❤
    Ps: vou ver se leio o livro primeiro!

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  5. Eu li os dois primeiros livros da série, e como leitura eu confesso que foi bem aquela coisa: legal como entretenimento, mas um horror quando eu parava pra analisar todo o enredo e traze-lo para as reflexões da vida real. Não dá pra romantizar a relação de Tessa e Hardin e imagino que deve ter sido o “erro” do filme! Só fui eu curiosa sobre o início dele, foi como no livro? Aquela cena deles no Rio até hoje meio que me revolta!

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  6. Bom, a melhor forma de saber se vou gostar MESMO de algo é metendo a cara, né? O filme, e consecutivamente os livros, não fazem meu estilo literário. E sim, conheço vários e vários haters dessa série. Mas, não é por causa deles que não tenho vontade de ler, é por não ser meu gênero de conforto mesmo, acho. Não me atraia.
    O que importa é ler uma crítica boa e bem feita tipo a sua, e ir conferir para poder falar com direito de causa hahahhaa

    Beijão
    www,coisasdemineira.com

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  7. Eu não li o livro e nem está nos meus planos porque esse tipo de relacionamento que a mulher é escada pra melhorar a personalidade de “macho escroto” realmente já não dá mais, já li muito livro assim e e já tive a mesma sensação que você me sentindo mau por não ter odiado tanto, mas hoje em dia estou bem mais crítica,a gente amadurece e começa não a ser hater mas perceber como relacionamento abusivo é romantizado e isso é péssimo em diversos níveis. Pelo jeito o filme não é uma adaptação das melhores, eu vi trailer e não me animou em ver, assim como em ler o livro.Gostei da sua crítica bem sincera e analisando de uma forma bem verdadeira..

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