Crítica da Série: ‘Areia Movediça – 1ª Temporada’

Olá pessoal! Hoje vim trazer pra vocês a crítica de uma série que eu comecei assistir sem expectativa nenhuma e fui completamente surpreendida. Sem ler sinopse ou ver trailer, eu dei play só pra ver se despertava minha atenção e nos primeiros minutos do primeiro capítulo já fui arrebatada pela situação. Areia Movediça é uma série sueca e Original Netflix que me deixou vidrada em todos os seus 6 episódios. Mas antes que eu me estenda demais, confere aqui a sinopse e o trailer:

“Quando um tiroteio em massa acontece em uma escola preparatória do bairro mais rico de Estocolmo, a estudante Maja Norberg é acusada de participar do crime. Durante o julgamento, muitos detalhes sobre seu relacionamento com Sebastian Fagerman e sua família são revelados. Mas seria a adolescente realmente culpada ou mais uma vítima?”

Maja Norberg (Hanna Ardéhn) é uma adolescente com seus 18 anos recém completados. Ela, assim como sua melhor amiga, Amanda (Ella Rappich) estão no seu último ano de escola e planejando onde irão cursar a universidade. Estudando numa das escolas mais ricas de Estocolmo, elas têm todas as possibilidades do mundo à sua frente: Maja quer estudar nos Estados Unidos e Amanda, quer ir para Londres. Mesmo com seus futuros planejados separadamente, as duas amigas estão animadas para o último ano do colégio. Mas antes do ano letivo começar, elas curtem as férias de verão sem saber que aquele ano, seria o pior das suas vidas.

Maja curte o verão com o seu novo namorado, Sebastian Fagerman (Félix Sandman), que promete ser tudo que ela sempre sonhou. O cenário do amor deles surgindo é de tirar o fôlego… nada como as águas incríveis do sul da França para fazer todo mundo se apaixonar. Mas logo a realidade os chama de volta e eles retornam para Estocolmo, para o último ano letivo e para o dia a dia de um namoro colegial que está apenas começando.

Quem diria que todo esse cenário, que tem tudo para ser perfeito como o sonho de todo adolescente acaba dando tão errado? Como imaginar que aqueles mergulhos no Mediterrâneo iria acabar num tiroteio na sala de aula que eles estudavam? O que leva um(a) jovem de 18 anos a tirar a vida de seus amigos e professor? No decorrer da série, vamos descobrindo que por mais difícil que seja imaginar que alguém próximo a nós é capaz de fazer isso, os sinais estão sempre presentes, brilhando em neon na nossa cara.

Não faltaram reflexões pra mim nessa série, todas elas direcionadas aos nossos jovens. Eu, Letícia, nunca tive acesso fácil às drogas, acredito que pelas amizades que eu tive ou pelo fato de eu sempre ter sido muito caseira. Mas eu fico pensando nos jovens ao redor do mundo, que acreditam que beber e se drogar é algo natural para a fase da adolescência. Essas festas sem fim onde rola de tudo. A privacidade que é dada pelos pais, mas que, como consequência, faz com que a linha que divide o certo do errado ficar tão tênue, tão apagada, que torna impossível para qualquer adolescente enxergá-la.

“- Só estamos preocupados com você.
– Obrigada, mas é tarde demais.”

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Em Areia Movediça nos é trazido a realidade de muitos adolescentes: drogas, álcool, depressão, tentativa de suicídio, abandono, desamparo, pais que dão liberdade demais a ponto de não perceber as enrascadas em que os filhos estão entrando, a dificuldade em sair de relacionamentos tóxicos, a dificuldade em perceber amizades erradas. Taaaaanta coisa, em apenas 6 episódios que, mesmo com um final previsível, eu ainda acabei a série um tanto quanto atordoada.

Algo que quero destacar, é a responsabilidade jogada em Maja pelos seus amigos sobre seu relacionamento com Sebastian, a ponto de fazê-la mudar completamente para cuidar do seu namorado problemático a todo custo. Falando assim, parece até absurdo imaginar alguém colocando a responsabilidade de um adolescente desamparado nas mãos da namorada. Geralmente, as pessoas falam que tem que largar, abandonar e blá blá blá… mas aqui, nessa série, temos um outro lado… o lado que espera que a Maja salve Sebastian de alguma forma, que o mude e o ajude a sair daquela vida, não importa o quão fundo ela acabe se afundando com ele. Acho que nunca um título fez tanto sentido para uma série como Areia Movediça fez para esta. 

“- Por que você ficou com ele?
– Porque ninguém mais quis ficar.”

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Outra coisa que a série me fez refletir, que quero destacar aqui, é sobre o famoso “inocente até que se prove o contrário” … só que não. Desde o momento do atentado até o julgamento, Maja é tratada como culpada tanto pela promotoria, quanto pela mídia e pela sociedade. Ela fica 9 meses trancada, totalmente isolada, numa cela sozinha onde ela só conversa com os guardas, seu advogado e a promotora. A série faz com que, nós, expectadores fiquemos sem saber o que pensar. Em certos momentos, achamos que ela é culpada e merece isso. Em outros momentos, achamos que ela é inocente e queremos que ela saia dali pra poder passar o Natal com a sua família. Um misto de emoções passa por nós e pelos personagens da série e isso foi uma coisa incrível de sentir. Tudo tem dois lados, certo? O bem e o mal, o vilão e o mocinho, a vítima e o culpado… Mas e quando esses dois lados parecem ser a mesma pessoa? Como nós devemos agir?

A linha do tempo da série é das que eu mais gosto: passado e presente. No presente, temos Maja, sem lembrar de muita coisa do que aconteceu, presa como a principal suspeita do crime, totalmente isolada do mundo, enquanto as investigações do ataque acontecem. Conforme ela conversa com seu advogado e é interrogada pela polícia, nos é apresentado o passado, os acontecimentos antes do atentado, desde o dia em que Maja conhece Sebastian, até o dia do atentado. Assim, conseguimos ver e sentir tudo através do que Maja sabe e sente. Em certos momentos, me senti irritada por não ter acesso a todas as pistas e informações, como normalmente acontece em histórias de investigação quando estamos vendo o lado do detetive. Mas como vemos apenas o lado da Maja temos apenas acesso ao que ela sabe. É incrível, ao mesmo tempo que é frustrante rs.

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Areia Movediça é uma série sueca que foi lançada na Netflix no último dia 4 e, em apenas 6 episódios de 40 minutos cada, nos faz entrar em uma história perturbadora do antes e depois de um tiroteio numa sala de aula. A primeira cena, é chocante, mesmo sem mostrar nada. A tela preta não nos prepara para o que está por vir… então o barulho de tiros nos deixa perturbados e a agonia é grande no decorrer da cena de abertura onde nos mostram as partes mais tristes desse tipo de atentado: uma caneca escrita “Melhor pai do mundo” quebrada, um celular tocando sem parar, corpos caídos pelo chão e o olhar horrorizado da pessoa que presenciou tudo isso.

A fotografia é uma das melhores que eu já presenciei. Mesmo tendo um clima deprimente, arrastado por todo o luto pelo atentado, somado às batalhas que os personagens têm que lutar, não faz com que o espectador fique entediado ou perca o interesse pela trama. Pelo contrário, é difícil acreditar o quanto Areia Movediça consegue ser dinâmico e eletrizante, ao mesmo tempo que é triste e obscuro. Conforme vamos chegando aos últimos episódios, nossa ansiedade vai crescendo na espera daquele desfecho e a curiosidade nos consome para saber o que de fato aconteceu naquela sala de aula. O julgamento é o melhor episódio, na minha opinião, nos faz prender a respiração, ao mesmo tempo que o nosso coração corre solto. Mesmo nós já sabendo o que aconteceu, a ansiedade pelo julgamento é grande. É um misto de sensações e emoções que, só quem assistiu, vai entender. Isso te lembra alguma coisa? Pois, essa série me lembrou bastante The Sinner e Elite, que são outras séries Original Netflix que eu amo.

Pesquisando mais sobre essa série e tudo que ela nos traz, descobri que ela é baseada num livro da autora Malin Persson Giolito, lançado na Suécia em 2017. Aqui no Brasil, o livro está em pré-venda e será lançado em Julho/2019 pela Editora Intrínseca. Capa e o título são os mesmos da série e eu com certeza já estou curiosa para ler essa obra. Quer saber mais sobre o livro? Clica aqui e já aproveita pra garantir o seu exemplar.

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Depois da tragédia que tivemos numa escola de Suzano, em março, quando vejo qualquer coisa sobre tiroteio em massa, me bate aquele medo de algo que não está ao meu alcance. Como me proteger desse tipo de coisa? Como proteger minha família? Como proteger meus sobrinhos que vão para a escola todos os dias? E meus futuros filhos? Como prever que alguém está planejando matar tantas pessoas inocentes? Como prever o que se passa na cabeça de alguém que planeja matar, quem quer que seja? Eu me emocionei demais ao sentir a dor do luto da perda de amigos especiais, daqueles que fazem a diferença na nossa vida.

Enfim, termino essa crítica com a sensação de que falei demais e tudo que eu falei ficou confuso, ao mesmo tempo que não falei o suficiente rs. Sabe quando a gente gosta tanto de algo que não sabe como expressar completamente tudo que sentimos ao presenciar aquilo? Pois é assim que eu estou nesse momento. Eu adorei essa série. Ela tem seus defeitos sim, mas ela trouxe tanta coisa importante e atual à tona que me deixou estarrecida. E quando falo isso, acho que tô exagerando, mas o sentimento é real, eu juro rs. Pretendo assistir a série novamente, para tentar entender toda essa confusão dentro de mim. Até lá, sigo no meu deslumbramento reflexivo.

 

 

 

 

 

 

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10 comentários em “Crítica da Série: ‘Areia Movediça – 1ª Temporada’

  1. Vi o anúncio da série e a salvei para assistir mais tarde sem tantas expectativas, no entanto, lendo essa crítica que surgiu em boa hora, vou agora mesmo acompanhar o primeiro episódio. Fiquei super instigado principalmente pela semelhança com o que acabamos de passar no nosso país: o caso de Suzano trouxe importantes temas à tona, aposto que a série tenha muito a contribuir com isso.

    Ótima sugestão!

    Abraços!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Letícia! Posso falar?
    Super parabéns pelo post! Entendo a sensação de ter achado que escreveu de forma confusa, que falou muito e não disse nada; é justamente assim que me sinto quando quero colocar pra fora algo que me entusiasmou e/ou chocou ao extremo. Palavras às vezes não conseguem dizer a nossa verdade…
    Enfim, eu não sabia dessa série, mas agora já quero assisti-la. Como entendo a Maja, como entendo a necessidade dela de ajudar o namorado. Imagino que tenha sido uma série bem densa de se assistir.
    Obrigada por compartilhar a dica!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Não conhecia essa série, mas depois do que li aqui no seu post, fiquei extremamente curioso e irei assistir. Depois volto aqui com as minhas impressões.

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  4. Estou sempre procurando coisas novas para ver no Netflix mas às vezes o algoritmo do serviço não me mostra tudo o que de bom existe nele!
    Pode ter a certeza que amanhã vou já começar a ver a Areia Movediça!
    Obrigado pela partilha 🙂

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