Crítica da Série: ‘Dirty John – O Golpe do Amor – 1ª Temporada’

Olá pessoal! No Valentine’s Day – o dia dos namorados americano – desse ano, a Netflix colocou em seu catálogo a série Dirty John – O Golpe do Amor que é um suspense baseado em fatos reais sobre um relacionamento abusivo. Confesso que achei bem irônico da parte da nossa diva Netflix, mas não consegui não maratonar assim que possível e não me arrependi. Dirty John me deixou angustiada em vários momentos e saber que é uma história real não ajudou muito também. Mas antes de qualquer coisa, confere a sinopse e o trailer dessa primeira temporada:

“Ao cair nas mentiras e manipulações do vigarista John Meehan, a executiva Debra Newell vê sua vida entrar em colapso. Série baseada em uma história real.”

Debra Newell (Connie Britton) é uma mulher bem sucedida, dona da sua própria empresa de Design de Interiores e que, após 4 casamentos fracassados, decide tentar uma vez mais encontrar um companheiro através de um aplicativo de namoro. Assim, ela conhece o enfermeiro anestesista John Meehan (Eric Bana) que parece ser tudo que ela sempre sonhou.

John parece ser uma pessoa simples, carinhosa e atenciosa para todas as necessidades de Debra. Encantada por tudo que tem a ver com ele, Debra acaba se casando com ele em Vegas depois de apenas 2 meses de namoro. Mas ela tem que manter isso em segredo, pois sua família não gosta nada dele. Como ela não entende bem o por quê dessa antipatia, Debra mantém o relacionamento mesmo assim.

Acontece que as filhas de Debra, Verônica (Juno Temple) e Terra (Julia Gardner) não conseguem engolir o fato da mãe ter caído tão fácil e rapidamente na lábia daquele homem que, para elas, é tão claramente mau caráter. Assim, Verônica começa a levantar tudo que pode sobre John. Ela chega até a contratar uma detetive particular e colocar um rastreador no carro da mãe – que John sempre usa -, para saber todos os passos dele e tudo o que puder sobre o passado dele.

E, infelizmente, ela descobre muitas coisas ruins sobre o novo marido da mãe. Ele tem uma extensa ficha criminal que vai de tráfico de drogas até perseguição de mulheres com quem se envolveu anteriormente. Ao conversar com a mãe sobre isso, Verônica faz Debra ver que tudo que o John mostrou ser naqueles meses de relacionamento, não passava de um monte de mentiras para ter posse do dinheiro dela e, agora, Debra precisa encontrar uma forma de se separar sem que ele acabe fazendo alguma coisa com ela ou sua família. 

Como eu disse no começo da crítica, o fato de saber que tudo isso é uma história real, me deixou com o estômago embrulhado e com a ansiedade batendo forte em vários momentos. Foi possível entender como Debra acaba se deixando levar por esse romance, mesmo com toda a família dela tentando alertá-la de que ele não parecia ser boa pessoa. A paixão é grande e clara e por mais experiente que ela seja, não deu para ver o golpe vindo do cara que parece ser o mais doce e amoroso do mundo.

Debra é uma mulher incrível! Dona do seu próprio negócio, independente e com uma paciência gigante, teve momentos que eu tive dó de toda a situação em que ela estava entrando, onde eu queria poder avisá-la para que ela não acabasse passando por tudo aquilo. Já em outras partes, fiquei orgulhosa da coragem e da inteligência dela ao lidar com aquele homem que só se envolveu com ela por causa do seu dinheiro. Sabendo do risco que ela corria, por conta da personalidade instável dele constatada através da sua ficha criminal, ela teve todo um enorme tato para lidar com ele, até ter as rédeas da situação na sua mão novamente e poder sair daquilo com o máximo de segurança possível.

John, por sua vez, é de uma esperteza imensa, herança do pai que era tão trapaceiro quanto ele e que o ensinou a ser tudo que ele é. Só que John foi além. Fora os golpes que ele dá para sobreviver, ele ainda abusa de drogas e persegue as mulheres com quem se envolve. O apelido ‘Dirty John’ foi dado a ele pelos amigos da faculdade de direito que ele fez, por conta das trapaças que ele dava para conseguir se dar bem na vida. As coisas que ele fez para conseguir dinheiro me deixou de cabelo em pé, me fez pensar que ele, claramente, era uma pessoa doente, que não conseguia ver limite nas coisas que fazia. Em alguns episódios, mergulhamos na história dele e confesso que o estômago embrulhou váááárias vezes.

Na série, também podemos ver que não é apenas no Brasil que as leis são leves demais em casos como esse. Tantos golpes, crimes, tráfico e uso de drogas, ameaças e perseguições que John fez e tudo que ele pegou foram alguns meses de prisão. Chega a ser revoltante ver que, tudo que ele fez, não era o suficiente para mantê-lo preso por um tempo decente. Dava para sentir a risada dele na cara da sociedade pelas penas que ele recebeu por seus golpes, assim como a revolta dos policiais e promotores que não podiam fazer mais para detê-lo. Foi algo que me deixou muito incomodada no decorrer da história.

O principal tema da série é o relacionamento abusivo e a manipulação de John com as mulheres com quem ele se relacionava, mas princialmente com Debra. Causando intrigas na família dela, afastando-a assim das suas filhas e entes queridos, pegando o dinheiro dela e fazendo o que bem entender com ele, mas tudo de forma muito sutil, com tamanha manipulação que todas as decisões partiam de Debra. A manipulação e o sangue frio de John me deixaram enjoada e, Debra, com seu coração tão bom e uma paciência tão infinita, me deixou com vontade de abraçá-la.

Uma personagem secundária que, pra mim, se destacou foi Verônica, filha de Debra. Apesar de, durante a série eu ter tido sentimentos de amor e ódio pela personagem, admito que cheguei ao final da série com um grande orgulho de quem ela é. Com seu temperamento forte e sem papas na língua, Verônica chega a parecer uma pessoa mimada, egocêntrica e totalmente sem filtro ao lidar com as pessoas ao seu redor. Algumas interações dela com a mãe, me deixaram com vontade de dar na cara dela, mas depois passou… um pouco rs. No fim, ela se mostrou uma filha e irmã que se preocupa e protege quem ama e, apesar de não ter gostado de algumas características dela, fiquei feliz que Debra e Terra – a caçula da família – a teve ao seu lado em momentos tão difíceis.

Dirty John é uma série Original Netflix que foi ao ar em Novembro/2018 nos EUA pelo canal Bravo, mas que chegou aqui no Brasil através do serviço de streaming apenas semana passada. Com 8 episódios de cerca de 40 minutos cada, você se vê envolvido pela história e fica cheia de suposições sobre o final. E confesso que eu NUNCA imaginaria o final que teve. Os episódios não são cansativos e a série passa que você nem vê, o enredo é fluido e muito envolvente. É impossível começar a série e não maratonar.

A história é baseada no podcast de sucesso do jornalista Christopher Goffard do Los Angeles Times. Quando a notícia da história de Debra e John estourou, Christopher entrou em contato com Debra para saber se ela gostaria de contar sua história para o mundo. Assim, com a intenção de fazer com que a maior parte de mulheres possíveis tivesse acesso à sua experiência, para que se precavessem nos seus futuros relacionamentos, ela aceitou. Eu li algumas matérias na internet que falam que a série é bastante fiel ao podcast e que, infelizmente, a história real é tão pesada e perturbadora quanto a série. Pelo que eu entendi, a série se ateve apenas ao que foi relatado no podcast, sem se aprofundar nos temas ou na sociedade em que tudo aconteceu. Eu, particularmente, gostei assim. Uma história fiel à realidade, sem jogada de marketing para ganhar mais em cima do sofrimento de pessoas reais, que viveram aquele pesadelo.

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O que eu não entendi foi que, ao pesquisar sobre a série, também descobri que a Bravo, a emissora estadunidense que exibe o programa oficialmente, confirmou uma 2ª temporada para o título. E eu fiquei tipo… que? Não acho que tenha necessidade de uma segunda temporada já que a história real acaba junto com a primeira temporada. Talvez, por ser uma antologia, imagino que a próxima temporada seja sobre outro crime de John, mas ainda assim, acho desnecessária. Espero que os diretores não explorem mais do que o caso tem para dizer.

Dirty John me deixou com um sentimento de impotência por saber que Debra fez tudo que estava ao seu alcance para se ver fora daquele inferno, mas que talvez, apenas isso não fosse ser o suficiente para a segurança dela e da sua família. Fiquei imaginando quantas mulheres não sofrem o que ela sofreu e não têm o mesmo final, por causa de uma jogada do destino. Séries como essa, me fazem sonhar com uma justiça melhor para todas essas mulheres que sofrem com relacionamentos abusivos e que, quase nunca têm finais felizes. 

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Enfim, eu indico essa série pra todos que gostam de um bom suspense, baseado em fatos reais e que nos deixa com uma leve angústia com todos os acontecimentos relatados. Eu amei saber tudo sobre a história de Debra e termino essa crítica orgulhosa da mulher que ela é.  

6 comentários em “Crítica da Série: ‘Dirty John – O Golpe do Amor – 1ª Temporada’

  1. Olá Letícia,

    Ainda não estava sabendo sobre o lançamento dessa série e é claro que já fiquei bem interessada. Saber que se trata de uma história real deve ser realmente bem angustiante e causar esse sentimento de impotência em vários momentos. Essa angústia que você sentiu, creio que seja algo que também iria sentir com facilidade, pois sou bem suscetível a isto. Relacionamento abusivo é sempre uma pauta que deve ser levantada e discutida, principalmente em séries. Adorei conhecer!

    Beijos!

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  2. Oi Lê! Ai, eu adoro o Eric Bana, mas já to com raiva dele só de ler essa crítica haha. Eu ainda não tinha visto essa série no catálogo, mas fiquei bem impactada com o fato de ser real. E, confesso, fiquei louca pelo podcast. Acho importante a gente ter séries como essa, pra sempre servir de alerta para as mulheres ficarem atentas a sinais.
    E, não sei porque teimam em renovar séries amarradas. Maaaas, eles sugam a fórmula do sucesso. Adorei a dica e quero ver real.
    Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com

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