Resenha ‘As Mil Partes do Meu Coração – Colleen Hoover’

Oi ooooi gente! Acho que já não é novidade para quem nos acompanha que uma das nossas maiores divas é Colleen Hoover. Somos aquelas que são capazes de ler a lista de compras da mulher, como se fosse a melhor leitura do mundo. Então, sempre que tem livro novo, a gente só corre haha. Dito isso, hoje eu trouxe a resenha do último lançamento da autora aqui em terras brasileiras. Dessa vez, temos um young adult bem dramático. Antes de mais nada, vamos a sinopse…

Autora best-seller do New York Times aborda relacionamentos e transtornos mentais em uma narrativa que discute os limites do que é normal. Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.

Merit Voss estava matando aula na escola e decidiu ir para o brechó, escolher seu mais novo troféu, afinal, sua estranha mania é de colecionar troféus aleatórios, seja comprando ou roubando, quando passa por uma decepção.  Durante essa ida, seu caminho se cruzará com o de Sagan. Um clima nascerá entre eles, mas logo ela vai descobrir que o menino está envolvido, na verdade, com sua irmã gêmea.

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Então, ela segue para a casa de sua família esquisita. Todos moram em uma antiga igreja comprada pelo seu pai, que vem a ser ateu e tinha uma briga com o antigo pastor. Em Dólar Voss, divido em alas, vivem Merit, sua gêmea Honor, o irmão mais velho Utah, além do irmão mais novo Moby. Além do pai, sua nova esposa, Victoria, que vem a ser a ex enfermeira da mãe dos mais velhos, também chamada de Victoria, que mora no mesmo local, sem sair de casa, depois de desenvolver fobia social. Durante a trama, ainda chegarão Sagan e Luck. É gente demais e conflitos demais.

Ninguém seria capaz de determinar, vendo de fora, que nossa família de sete inclui um ateu, uma destruidora de lares, uma ex mulher que sobre de agorafobia e uma adolescente cuja estranha obsessão beira a necrofilia. Ninguém poderia supor nada disso nem mesmo de dentro de nossa casa. Sabemos guardar segredos nessa família.

Merit se sente excluída por sua família, assim como não se sente amada por ninguém, talvez nem por si mesma. Conforme isso vai pesando dentro da menina, junto com todos os segredos de família que vem acumulando ao longo dos anos, ela passa a se sentir cada vez mais invisível e acredita que sua presença não faria falta a ninguém. Seu primeiro passo é deixar de ir a escola e permanecer em casa, enquanto todos seguem suas rotinas.

Quando mais um segredo é jogado em cima da menina, Merit vai sentir a linha tênue, que a segurava, romper e medidas desesperadas acabam sendo tomadas. Com toda raiva acumulada durante anos, ela escreve uma carta, onde conta tudo o que todos escondem, sem medir as consequências desse ato, apenas pensando em se livrar do peso que a está afundando. mas, acaba atingindo a si mesma também.

Mas isso significaria que íamos discutir abertamente um segredo e, nesta família, não fazemos isso. Enterramos nossos segredos numa sepultura mais funda do que aquela na qual Victoria quer que minha mãe caia.

Agora, com tudo as cartas na mesa, a grande Família Voss e seus agregados, vão precisar lidar com tudo o que vem acontecendo durante todos os anos e precisarão conversar sobre isso e fazer com que as coisas amadureçam entre eles, além de lidar com os outros problemas gerados, principalmente, na cabeça de Merit.

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Eu vou parando por aqui, porque esse livro é muito delicado no quesito ‘spoilers’. Temos diversas bombas, principalmente, relacionadas à tudo o que a personagem principal tem para falar. Mas, vamos falar sobre os personagens em geral. Nós temos uma família bem grandinha pra lidar e muita coisa para processar. Com isso, alguns personagens acabam se destacando, mas todos, sem dúvidas, tem defeitos.

– Nem todo erro merece uma consequência. Às vezes a única coisa que ele merece é o perdão.

Tirando Moby, que nos conquista, talvez até mesmo por ser uma doce criança no meio de pessoas um tanto perturbadas, os outros não ficam conhecidos por serem cativantes. Nem mesmo Merit, ainda que ela seja a que desperte empatia, junto com Sagan. Ela tem um péssimo envolvimento com o irmão mais velho e a irmã gêmea, que vamos tentando entender até o momento da carta. Temos uma madrasta que, por motivos óbvios, não tem o respeito dos filhos de seu marido e tenta dominar o seu próprio filho. O pai é omisso a muita coisa e a mãe se mantém trancada dentro do porão e em seu próprio mundo. Com a chegada de Luck, em um primeiro momento, acreditamos que Merit irá ganhar um amigo, mas não vai ser bem assim. Será com Sagan que ela irá contar para ajudá-la.

Preciso dizer que a história não é fácil, ainda que envolvente. Colleen não teve medo de trazer diversos assuntos para abordar, como depressão, ansiedade, fobia, romance LGBT e até mesmo o quesito de guerra civil e imigração. Mas, sendo Merit a protagonista e narradora da trama, vai ser o seu problema que terá destaque maior. Vamos vendo como a depressão trabalha de maneira silenciosa e, muitas vezes, acaba ignorada pelas pessoas ao redor.

Esta família é o horror que todos dessa cidade acreditam. Talvez ainda pior. Estou enjoada. Farta dos segredos e das mentiras. Cansada de ser a pessoa que guarda todos os segredos deles!

Hoover deixa claro o quanto a adolescente precisa de ajuda e nenhuma daquelas pessoas ao redor percebe isso até ser tarde. O ponto alto do livro, provavelmente, seja toda a linha que a autora cria para a personagem depressiva. Me senti impotente algumas vezes, querendo ajudar a menina, ou só sacudir algum dos outros. O único que começa a alertar a menina e, até mesmo nós leitores, é Luck. Durante uma conversa entre os dois, ele conta umas coisas que aconteceram com ele e dá a ela um teste para ser feito. Temos vários indícios da doença, o que pode servir de alerta para quem está lendo, dando uma ajuda para muitas pessoas.

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Maaaaaaaaaas, ainda que a depressão da protagonista seja o foco e é compreensível a dedicação ao ponto, a autora nos lança outras coisas, outros problemas para pensar e não se aprofunda muito neles. Todos, absolutamente todos, naquela família tem problemas sérios e todos são pincelados. E, aqui, pode ser onde more o defeito que o livro carrega. Temos personagens esquecíveis; problemáticas apresentadas, mas não muito resolvidas.

– Fico irritado quando as pessoas tentam convencer os outros de que sua raiva ou estresse não se justifica se outra pessoa no mundo está em pior situação do que eles. É papo furado. Suas emoções e reações são legítimas, Merit. Não deixe que ninguém lhe diga outra coisa. Você é a única que as sente.

Fato é que o lado bom e lado ruim fazem um equilíbrio na trama, de forma satisfatória. Particularmente, me senti muito apegada a história, até mesmo porque queria muito descobrir sobre o que cada um guardava e como isso iria afetar a dinâmica de toda a família. Tentei entender atitudes de Merit, levando em consideração o que ela estava passando e a idade dela. No alto dos meus 26 anos, já não tenho muita paciência para determinados dramas adolescentes, mas consegui levar em consideração Merit, mas não Utah, Honor e até mesmo Luck. Mas, dentre todos, Sagan é o que apresenta a melhor maturidade.

Quanto ao trabalho da Galera Record, preciso reclamar do nome. Até hoje, meses depois do anúncio, não supero esse nome. Em inglês, o livro é batizado de ‘Without Merit’, que podemos colocar como ‘Sem Mérito’ ou ‘Sem Merit’, que seriam ótimos e justificados. Mas não acho que As Mil Partes do Meu Coração orne muito com a história. Enfim… Na parte da diagramação, gosto que a editora sempre mantém a capa original. Temos, ao fim, alguns dos desenhos que Sagan faz durante a trama e uma lista de temas para discussão, sobre os temas do livro. As folhas são amareladas e grossinhas, com letras e espaçamentos bons para a leitura.

As Mil Partes do Meu Coração não é uma leitura muito fácil ou um romance adolescente. Mas sim uma história de problemas e superações; de uma família que se ama, mas é sugada por problemas. É uma lição sobre os gritos de socorro que podemos ouvir e não mais ignorar. Deixo minhas quatro Angélicas para essa obra da Colleen.

CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

 

10 comentários em “Resenha ‘As Mil Partes do Meu Coração – Colleen Hoover’

  1. Olá
    Também não tenho muita paciência para os dramas adolescentes, e também me incomoda um pouco quando o autor/autora lança um monte de questões e pouco as desenvolve, mas fiquei curiosa com a história principal, eu gosto do tema depressão e também fiquei curiosa com a história da mãe.

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  2. Oi Raíssa, tudo bem?

    Ainda não li nada solo da CoHo, mesmo tendo alguns dos livros dela na estante. Este é um dos livros dela que me desperta curiosidade, pois gosto do fato de aboradar esta família desproporcional. Gosto muito do fato dela ter resolvido trazer a depressão na adolescência, pois creio que irá mostrar a muitas pessoas que isto não é brincadeira, que é um problema muito grave e que merece a atenção de todos. Os outros problemas que ela traz devem contribuir e muito para a trama. Adorei conhecer mais sobre o enredo!

    Beijos!

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  3. ola boa noite!!!
    Em primeiro lugar quero lhe parabenizar pelo seu blog.Em seguida falar sobre o seu texto. Me parece uma historia maravilhosa para o publico teen …

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  4. Olá!
    Os livros da Colleen são muitos dramáticos né rs’ os personagens carregam uma carga enorme, e nos transporta para seus problemas também, nos deixando super aflitos. O último livro que li da autora foi “Tarde Demais” e nossa, foi uma loucura, me sentia sufocada com a história e personagens. Estou de olho nesse livro,mas ao mesmo tempo com o pé atrás, devido seus livros serão beem pesados, mas com toda certeza irei ler. ótima resenha!

    beijos!

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  5. Oi Raí,
    Esse livro tá na minha lista de leitura, mas por conta das críticas negativas tô protelando de ler.
    Agora, lendo sua resenha, acho que a possibilidade de ler e gostar, aumentou. Por mais que seja uma leitura difícil, gostei que a Colleen trás uma personagem com depressão e constrói toda uma história sobre isso. É algo sempre importante de se falar e concordo com você, muitos leitores podem acabar se identificando com a Merit e, assim, quem sabe buscar ajuda, né?
    Colleen sempre arrasa e eu estava bem triste em saber que esse livro não tinha estado ao nível dela, mas agora minhas esperanças foram renovadas.
    Vou ler e te conto o que achei depois.

    Grande beijo, ❤
    https://almde50tons.wordpress.com/

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