Resenha: ‘A Boa Filha – Karin Slaugther’

Oi gente! A resenha de hoje é de um romance policial. Eu recebi esse exemplar da HarperCollins e corri pra ler, pois gosto muito dos livros da Karin. A Boa Filha me surpreendeu por não se parecer com nenhum dos livros que já li da autora, o que tornou a experiência diferente do que eu esperava. Antes de mais nada, confiram a sinopse…

“Quando eram adolescentes, a vida tranquila de Charlotte e Samantha Quinn foi destruída por um terrível ataque em sua casa. Sua mãe foi assassinada. Seu pai um famoso advogado de defesa de Pikeville, Geórgia ficou arrasado. E a família foi dividida por anos, para além de qualquer conserto, consumida pelos segredos daquela noite terrível. Vinte e oito anos depois, Charlie seguiu os passos de Rusty, seu pai, e se tornou advogada, mas está determinada a ser diferente dele. Quando outro caso de violência assombra Pikeville, Charlie acaba embarcando em um pesadelo que a obriga a olhar para trás e reviver o passado. Além de ser a primeira testemunha a chegar na cena, o caso também revela as memórias que ela passou tanto tempo tentando esconder. Agora, a verdade chocante sobre o crime que destruiu sua família há quase trinta anos não poderá mais permanecer enterrada e Charlotte precisa se reencontrar com Samantha, não apenas para lidar com o crime, mas também com o trauma vivido.”

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Em 1989, Rusty Quinn era o único advogado da pequena cidade de Pikeville que pegava casos que ninguém queria. Ele acreditava que todos tinham o direito de receber uma defesa justa, independente do crime cometido. Por causa disso, Rusty fez muitos inimigos e eles começaram a descontar em sua família. Primeiro colocaram fogo na casa deles e por isso a família precisou se mudar. As meninas Quinn odiavam a nova casa, mas sabiam que não poderiam voltar para a casa de tijolos vermelhos.

Samantha e Charlotte tinham acabado de voltar do treino quando receberam a visita inesperada de dois homens encapuzados. Eles estavam atrás de Rusty, mas só encontram sua esposa Gamma e as duas filhas adolescentes. O que deveria ser apenas o sequestro de Rusty, se tornou uma noite de horror para a família toda. Sam e Charlie viram a mãe ser brutalmente assassinada e perceberam que ambas teriam o mesmo destino.

Sam reconhece um dos homens e as coisas só pioram. Elas sabem que ele é perigoso por causa dos arquivos do pai e agora mais ainda. Gamma está morta e os homens levam Sam e Charlotte para a floresta. Um dos homens fura os olhos de Sam, quando ela diz o nome dele bem alto, a deixando quase cega. As duas são levadas para o meio da floresta onde os homens já cavaram um buraco. Sam diz que Charlie precisa correr o mais rápido que puder e pedir ajuda, mas as coisas saem de controle e Sam leva um tiro na cabeça e é enterrada viva enquanto Charlie tenta se salvar.

“Os olhos dela travaram nos dele. O silêncio que seguia a ameaça foi ensurdecedor. Sam não podia desviar o olhar. O medo passava como navalha pelo coração dela. Nunca na sua vida conhecera alguém tão cruel, tão profundamente desalmado.”

Tudo isso acontece no Prólogo, então somos carregadas para 2017, 28 anos depois da tragédia que acabou com a família Quinn. Charlie se tornou advogada e continuou vivendo em Pikeville assim como o pai. Ela se tornou uma mulher rancorosa e que atualmente está passando por problemas no casamento. É assim que o caminho dela cruza com o do professor Huck e ela acaba novamente numa situação de risco. Charlie foi devolver o celular dele quando um tiroteio começa na escola.

Duas pessoas morreram e Charlie se torna uma das testemunhas. Kelly Wilson, uma menina de 18 anos, acabou de atirar e matar o diretor e uma criança de 8 anos. É Huck quem consegue tirar a arma da mão de Kelly já que a polícia estava lá pra atirar pra matar. Após Kelly se entregar, a polícia usa de seu poder para machucar a menina. Charlie não consegue ver isso sem se importar e acaba sendo ferida pelos policiais também. E claro que ninguém vai querer defender Kelly desse crime bárbaro, então sobra para Rusty fazer isso.

Rusty acredita que encontrou seu unicórnio, termo que ele usa para pessoas inocentes que serão condenadas, então não pensa duas vezes ao assumir o caso. O problema é que mais uma vez ele se coloca em risco e é esfaqueado. Ele é levado ao hospital em estado grave, então Charlie percebe que precisa avisar Sam. Tem anos que a irmã mais velha não entra em contato com eles, mas Charlie está com medo do pai morrer e ela realmente ficar sozinha no mundo.

Sam atende ao pedido e volta à cidade que roubou tudo dela. Há anos ela deixou tudo isso pra trás e tentou viver uma vida longe de tudo que aconteceu com ela. Mas agora Charlie precisa dela e ela nunca precisou, então Sam acaba indo à Pikeville. Com o pai hospitalizado e Charlie sendo uma das testemunhas sobra pra Sam representar Kelly na primeira audiência. A volta de Sam reabre muitas feridas do passado, coisas que eles não souberam lidar há 28 anos e que talvez não saibam como resolver agora, mas é uma chance para que elas possam se conectar novamente e, talvez, ter um pouco do que era antes.

“Não existe pecado, nem virtude. Só existe aquilo que a gente quer fazer.”

Eu vou parar de falar da trama, pois num livro policial tudo é spoiler. Eu confesso que estava com altas expectativas para esse livro. Após ler Flores Partidas, eu virei fã da Karin e ainda estou tentando ter todos os livros dela. A Boa Filha começa de um modo assustador, pois vemos duas meninas lutando para sobreviver depois de verem a mãe ser brutalmente assassinada. Não foi fácil ler toda a trajetória de Sam e Charlie, pois elas tinham 15 e 13 anos na época. Elas sabiam que elas também morreriam nas mãos daqueles homens e um deles ainda queria estuprar Charlie. Foi por isso que Sam abriu mão de fugir, ela queria que a irmã saísse de lá sem passar por traumas maiores, mesmo que pra isso Sam precisasse morrer também.

Diferentemente de Flores Partidas onde temos uma trama em volta do mistério de quem estaria assassinando aquelas mulheres, A Boa Filha tem como pano de fundo o tiroteio na escola e o caso de Kelly, mas a história mesmo gira em torno do passado, presente e futuro das irmãs Quinn. A narrativa é em terceira pessoa, mas com pontos de vista alternado entre as irmãs, nos possibilita conhecer quem eram e quem são elas. Além disso, a autora ao longo do livro nos apresenta flashbacks e são eles que nos fazem entender porque Charlie se tornou tão amarga.

Confesso que após o prologo, alguns capítulos foram muito arrastados, pois foi descrevendo um pouco da vida de cada uma delas. Lá pra metade do livro, a trama ganha um ritmo intenso, pois além da investigação sobre o tiroteio e quem esfaqueou Rusty, temos Sam e Charlie revirando o passado de ponta cabeça e senhores, eu não estava preparada para algumas revelações de Charlie. Nós sabemos tudo que aconteceu com Sam e como foi difícil pra ela reaprender a andar, falar e até hoje ela tem sequelas visíveis daquela noite, mas não sabíamos o que aconteceu com Charlie, quais são as suas cicatrizes, visíveis ou não.

“Nada nunca desaparecia de verdade. O tempo apenas amortecia as dores.”

A Boa Filha fala sobre crimes, mas também temos assuntos comuns sendo trabalhados como: perdão, família, superação e acima de tudo, amor. Ainda temos uma crítica ao despreparo policial e ao sistema judicial, que primeiro acusa e depois vai realmente confirmar que a pessoa é culpada. Além disso, Karin quis mostrar como algo pode mudar nossas vidas para sempre, moldando nossas personalidades. Como segredos podem nos sufocar e nos tornar infelizes.

Falar de A Boa Filha é falar das irmãs Quinn. Eu gostei logo de cara de Sam, ainda mais por saber que ela se sacrificou pela irmã e que ela não se tornou aquelas sobreviventes que sentem pena de si mesma. Sam constituiu uma vida longe de Pikeville e mesmo com tantas cicatrizes e sequelas, ela tentou viver uma vida normal. Uma das maiores brigas entre elas é quando Sam diz isso para Charlie. Ela não aceita que a irmã tenha se contentado com aquela vida simples naquela cidade que tirou tudo delas.

Já Charlie foi mais difícil de entender e ter empatia. Ela sempre pareceu uma menina egoísta e mimada, mas eu sei e os flashbacks provaram que aquela menina também ‘morreu’ naquela noite. Ela acabou se tornando uma adulta rancorosa, egoísta e que também teve muitas dificuldades em sua vida adulta e no casamento. A cada novo problema, Charlie acabava voltando para aquele dia e toda a sua vida foi moldada pelo o que aconteceu à ela e sua família.

“Temos passado por um período difícil, minha garota. Não vou mentir e dizer que vai melhorar. Charlie precisa saber que pode contar com você. Você tem que colocar aquele bastão na mão dela todas as vezes, não importa onde ela esteja.”

A Boa Filha foi publicado em duas edições. A primeira foi logo no início de 2018 pelo clube de assinaturas TAG Inéditos. O livro foi impresso com a parceria da HarperCollins, mas eu vi muitos assinantes reclamando que a edição estava com muitos erros. Em agosto do mesmo ano, a HarperCollins publicou essa edição que estou resenhando, eu posso dizer que não encontrei nenhum dos erros mencionados na outra edição. A capa dessa edição é bonita e a diagramação é bem simples. Eu só achei os capítulos longos demais. Ele é um livro grande, mas com poucos capítulos.

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A Boa Filha é um livro difícil de digerir, pois Karin não poupou o leitor do que aconteceu. Ela narra os acontecimentos de forma real e muito chocante, que é impossível parar de ler. Nos vemos questionando como o ser humano pode ser tão cruel, como as pessoas podem desenvolver uma força sobre humana em situações de risco, como podemos lutar pela sobrevivência e como temos que seguir em frente após situações tão traumáticas.

A Boa Filha teve todas as suas pontas muito bem amarradas, não tem muitas surpresas, mas dois plots me deixaram bem chocada e foram bem inesperados. O livro tem um final bem resolvido, mas pra mim faltou algo a mais para dizer que estou satisfeita. Depois parei pra pensar que até no final, Karin fez uma crítica ao sistema, então aceitei. Enfim, recomendo a leitura para quem gosta de romance policial e com muitas descrições vívidas e chocantes dos acontecimentos. Deixo minhas 4 Angélicas e já estou me preparando para o novo livro da autora. CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

14 comentários em “Resenha: ‘A Boa Filha – Karin Slaugther’

  1. Oi,tudo bem?

    Fiquei passada com o prologo intenso, o livro parece ser uma ótima leitura para todos que gostam da fluidez que o gênero policial traz. Você expressou bem o seu ponto de vista e as qualidades da obra.

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  2. A trama deste livro não me é estranha, acho que já li outras resenhas dele por aí, mas a sua tá incrível! Adorei as citações que Vc fez da obra e a tua opinião sobre o desenrolar dela, é bom ter em mente que apesar de lento no início, o livro tb ganha intensidade. Quero le-lo ainda!

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  3. Bom quando a autora narra os fatos e forma nua e crua, pois faz com que o leitor realmente vivencie aquele episódio. Acho que isso é essencial para livros policiais.

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  4. Caaaaaaraca Dri, fiquei arrepiada. O prólogo já começa daqueeeeeeele jeito. Eu, como você bem sabe, sou amante de livros policiais e não me conformo de não ter lido um livro da Karin ainda. E, apesar de ter amado sua resenha de Flores Partidas, acho que esse aqui me ganhou mais.
    Quero entender o que houve com cada irmã. Sei que lendo posso mudar de ideia, mas acho que consigo entender Charlie desde aqui. Imagino a dor de ver sua mãe ser assassinada e ainda ter que lutar pela sua vida e da sua irmã. É mt merda pra duas adolescentes. Enfim… AMEI! E quero ler logo. Adorei as fotos. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  5. CARAMBA! Quanta coisa! No começo da resenha quase te xinguei mentalmente pensando que você tava soltando a trama toda, até ver que aquilo era só o prologo haha Adoro livros policias e menina do céu, preciso ler esse o mais rápido possível.

    Abraços
    desconstruindooverbo.com.br

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  6. Olá!
    Parece ser um livro eletrizante hein, adoro livros assim, e fiquei muito curiosa, pois não conhecia essa autora. Adoro livros investigativos/policiais e estou nessa vibe de livros, dica anotada e espero poder conferir muito em breve!

    beijos!

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    1. O começo desse livro, passa muito sofrimento. Mas ao longo dele, fica bem interessante. Não conhecia esse livro. Gostei muito da sua resenha super bem feita, parabéns.

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  7. Olá, tudo bem?

    Eu tive o prazer de receber esse livro da HarperCollins, digo prazer pelo fato de conhecer e gostar da escrita da autora e também pq esse livro foi uma boa leitura. Parabéns pela resenha, ficou bem legal e adorei as fotos!
    Abraço!

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  8. Estou com esse livro na minha estante há algum tempo e ainda não consegui ler. Espero fazer isso logo, pois só ando lendo coisas boas sobre ele.

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