Resenha: ‘Bela Prisão – Jenika Snow’

Oiii oi pessoas!! Estou de volta e hoje trazendo o segundo livro da autora Jenika Snow publicado de forma independente aqui no Brasil. O primeiro que ela publicou por aqui foi Aflição, e eu até que gostei, já esse vocês perceberão que a história foi bem diferente. Antes de saber mais, confere a sinopse:

“Ruby Jacobson queria uma vida nova, mas parecia ter conseguido uma versão distorcida disso. Tirada da cama e vendida como um objeto, Ruby acreditava que a morte era um resultado muito melhor do que aquilo que o destino havia reservado para ela. Ou foi o que ela pensou. Gavin Darris sempre desejou os prazeres mais sombrios da vida. Normalmente, não costumava comprar seus brinquedos. Ele precisava de uma mulher que se curvasse à sua vontade e também sentisse prazer com isso. Mas ele viu Ruby, uma das muitas mulheres à venda, e a desejou como nunca quis nada nem ninguém antes. Ela tinha fogo em seus olhos e a determinação de não ceder. Parecia uma lutadora e era exatamente o que ele queria… precisava. Ele era implacável no que queria, e era Ruby o que ele desejava. Os desejos sombrios que Ruby sentia dentro de si estavam prestes a serem instigados e pressionados. Ela deveria odiar Gavin e temer tudo o que ele representava, mas não podia negar que seu corpo doía pelo toque dele. Ele disse que ela era dele, que possuía todas as partes dela. E lá no fundo, ela sabia que era verdade. Confrontada com a decisão final, Ruby deve escolher entre escapar e conseguir sua liberdade, ou ficar com Gavin, seu guardião, cuja deliciosa punição a fazia ansiar por mais. As duas opções eram assustadoras.”

Ruby não aguenta mais a vida que leva com sua mãe. Desde sempre ela nunca se sentiu em um lar e muito menos bem-vinda por quem deveria amá-la incondicionalmente. Sua mãe só sabe desprezá-la e desde que Ruby começou a trabalhar, a mãe usa cada oportunidade que tem para jogar na cara de Ruby que ela só está ali enquanto contribuir com o dinheiro.

O sonho de Ruby sempre foi escapar dali, mas sua prioridade era terminar o ensino médio. Então ela aguentou tudo o que pôde, escondeu algum dinheiro e assim que se formou, ela correu de lá só com uma mochila e o pouco dinheiro que economizou. Só sabia a cidade que iria, o resto descobriria quando chegasse em seu destino.

Algumas amostras do perigo que uma garota sozinha, num lugar desconhecido pode enfrentar, começam a aparecer para Ruby assim que ela pisa na cidade nova. Um segurança a ajuda com alguns homens que estavam mexendo com ela logo na rodoviária e indica um hotel bom e barato, perto de onde ela estava, que seria perfeito pra ela.

Só que Ruby não aproveita nem 24 horas de sua liberdade. Ela acorda no meio da noite com homens entrando em seu quarto e a raptando. Ela apaga e quando acorda está amarrada e vendada dentro do que parece ser uma van, com homens a ameaçando e burburinhos aqui e ali de que ela daria um bom dinheiro por ter um corpo descente e por ser virgem.

Sim, ela foi vítima de tráfico humano, foi examinada enquanto estava desacordada para saber se era ‘pura’ e está prestes a ser vendida para algum homem monstruoso para fazer o que quiser com ela. Neste momento da história, eu só torcia para aqueles clichês bem previsíveis de que um cara bom apareceria e só a compraria para salvá-la daquele lugar.

Não é bem isso que foi entregue para mim. Um cara realmente aparece e a compra. Mas a intenção dele é realmente comprá-la para benefício próprio. Ele sempre joga uma conversa de que ela está melhor com ele, pois ele não vai agredi-la e tals, e que sua casa será a casa dela também, mas sabemos melhor, não é mesmo? Pra mim ficou claro que era um caso abusivo sendo romantizado.

Ruby está extremamente assustada quando Gavin a compra, OBVIAMENTE, e o cara simplesmente fica excitado com isso. Ele gosta que mesmo ela estando em uma posição vulnerável (não me diga!), Ruby ainda tenha um instinto lutador para escapar. Posso ser sincera? É nojento.

“— Você vai obedecer a tudo o que eu disser — ele murmurou. — Não vai me negar nada nem me responder com petulância. — Ele falou entre mordiscadas e lambidas. — Se for uma boa menina, não vou te punir.”

Gavin é extremamente rico e poderoso e com tendências fortes ao sadomasoquismo. Ele quer uma submissa perfeita, que goste do que ele pode fazer com ela e não que faça por obrigação ou pensando no dinheiro dele. E o cara simplesmente tem a brilhante ideia (ironia aqui) de comprar alguém para isso. Qual o sentido? Ela ainda estará ali contra sua vontade, independente se ela gostar de ser submissa ou não.

E é assim que a trama irá se desenrolar. Ruby vai para a casa de Gavin e ele fala que ela terá certa ‘liberdade’ lá dentro. Ela pode fazer o que quiser e ir onde quiser mas sem sair da propriedade (que liberdade é essa???). Gavin é seu dono e deixa isso bem claro sempre que pode, mas com a conversa de que ela vai ser bem tratada ali, se… cooperar. Se não, ele irá castigá-la.

Eu não vou me aprofundar muito na trama pra não acabar dando spoilers, mesmo que minha vontade seja despejar tudo o que eu penso de cada detalhe dessa história, então vou falar da minha experiência com o livro. Eu comecei a ler Bela Prisão com um pezinho atrás, por conta da sinopse, mas como tive uma experiência boa com o outro livro da Jenika, estava até animada com esse. Mas não demorou muito pra eu ficar cada vez mais estressada.

Durante toda a leitura eu fiquei buscando detalhes que me fizessem acreditar que aquele não era um romance abusivo e que Gavin cairia em si ou mudaria por Ruby. Eu não gostei desse sentimento. Parece que eu estava procurando desculpas para gostar do livro e justificar tudo o que estava vendo.

Ruby realmente gosta da ideia de dor e prazer misturados. Ela deixa isso claro logo no início, porém tem vergonha desse sentimento, pois parece ser errado para ela. Quando ela começa uma ‘relação’ com Gavin aquilo realmente mexe com ela. Se as circunstâncias fossem outras, não teria problema algum. Eles até seriam um casal perfeito um para o outro.

“— Não estou fazendo isso para te machucar, princesa. — Ela balançou a cabeça e olhou pela janela. — Sim, você está. Você sente prazer com a dor dos outros.”

Acontece que Gavin percebe desde o início que ela seria uma ótima submissa e usa isso para controlar Ruby. Ela até gosta de tudo o que os dois fazem, mas depois sempre se sente culpada por isso, afinal Gavin a comprou e roubou seu direito de escolha. Ele é grosseiro a maior parte do tempo e coloca medo em Ruby se ela não cumpre algo que ele impõe. É desesperador. Ele chega a falar para ela que se ela obedecer, ele vai tratá-la do jeito que ela merece. Se eu começar a escrever o quão absurdo isso é, eu fico aqui para sempre.

Mesmo assim eu me mantive firme na leitura, mesmo desabafando com as meninas do Além, esperando que a sorte de Ruby mudasse. Acho que eu estava tentando dar uma chance ao livro e vendo se eu não estava sendo extremista em meu julgamento. Mas a partir de uma cena em especial, que tem uma discussão dos dois onde Ruby estava totalmente certa, e Gavin consegue virar o jogo pro seu lado e ainda faz com que Ruby peça desculpas por agir assim, foi o último prego no caixão. Sério gente, eu só queria entrar no livro, abraçá-la e tirar ela de lá. Foi muito angustiante.

Não que eu concordasse com todas as decisões de Ruby, principalmente as que ela toma no final, mas não tem como não simpatizar com ela e desejar que ela consiga algo melhor do que foi planejado para ela. E eu não consegui gostar nenhum pouco desse casal. A autora até tenta fazer com que a gente entenda Gavin, principalmente em uma conversa que ele tem com seu mordomo, no qual o mesmo tenta iluminar a mente do patrão, mas não funcionou para mim e eu não caí no papinho de ‘eu sou a melhor opção para ela’.

Eu queria falar muito mais, mas não quero estragar a leitura de quem decidir ler. Tudo bem que temos um aviso antes de iniciar a leitura, e já sabemos que não será um romance fofo, mas eu não consigo entender quem acha que isso é sequer um romance e compreendo menos ainda quem escreve algo assim.

Eu não julgo as preferências de ninguém e em um relacionamento saudável eu acho super válido o casal fazer tudo o que tiver vontade, mas não consigo ver a relação de Gavin e Ruby como sendo saudável de maneira nenhuma. E apesar de achar que fica nítido isso durante toda a leitura, quero deixar claro que essa é MINHA opinião. De forma alguma estou impondo ela a alguém.

Como eu disse logo no início, Bela Prisão foi lançado de forma independente pela autora, aqui no Brasil, e é possível encontra-lo apenas em ebook na Amazon. Para assinantes do Kindle Unlimited, o livro sai de graça. Mesmo a trama não me agradando, não dá pra negar que Jenika escreve bem e a leitura flui fácil. Já a capa também não achei grande coisa.

Este livro não me conquistou em parte alguma. Muito pelo contrário! Eu fiquei irritada, frustrada e desesperada em todo o momento. Pra você que leu e gostou do final, gostaria muito que eu pudesse debater isso com você rs. No mais, vou deixando 1 Angélica para Bela Prisão, que de ‘Bela’ eu não achei nada.

CLASSIFICAÇÃO 1 ANGÉLICA

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8 comentários em “Resenha: ‘Bela Prisão – Jenika Snow’

  1. Oi!
    Olha, no início da sinopse eu achei que poderia ser um drama interessante (daqueles em que a mocinha tem uma vida sofrida e tal mas consegue se reerguer), contudo a sinopse mesmo me deixou desconfiada do que eu iria encontrar e isso só se confirmou ao ler a sua resenha. É uma pena que ainda hajam autores e histórias que romantizem relações e situações tão ruins e desastrosas e que passam ideias erradas mas ao mesmo tempo fico feliz em ver que ainda há leitores que conseguem perceber tais situações e se indignarem com isso.
    Fantástica a sua resenha, parabéns!
    Beijos!

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  2. Oi Anna,

    Não conhecia a obra e mesmo você citando que não foi uma leitura boa para você, fiquei querendo ler por causa desses temas. É meio angustiante pensar que uma mulher foi traficada/vendida e que o homem que lhe “comprou” é mazoquista, e busca uma submissa. Isso com certeza me causa um incômodo gigantesco e imagino como esta leitura seria desesperadora para mim. Para mim, lendo sua resenha, já fica claro que não existe um romance aí, e sim um relacionamento abusivo. Me lembrou um pouco uma leitura que fiz recentemente, onde o cara “salvou” uma mulher que tinha sido comprada por um homem e estava trancafiada a anos. Parabéns pela resenha e por expor sua opinião!

    Beijos!

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  3. Olá
    Tenho um problema danado com livros Hot por causa disso, a maioria meio que romantisa o abuso, e as regras do ‘não é não’ existe. Aliás fui babando o romance pouco a pouco justamente por causa de uma sequência de três anos de livros que deixaram esse gosto amargo na boca.

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  4. Caramba, fiquei angustiada junto com vc lendo suas palavras. De fato esse é o tipo de livro que eu não curto, não vejo nenhuma graça nesse tipo de sofrimento e na minha opinião uma historia dessa não poderia ser vista como romance. Obrigada pela bela resenha e por me poupar de ler um livro que certamente eu não iria curtir.

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