Resenha: ‘Amigos para a Vida – Andrew Norris’

Oi gente!! Hoje tem resenha de um livro muito especial. Amigos para a Vida foi enviado pela nossa parceira Editora Valentina e eu não tenho palavras para descrever o quanto gostei desse livro. O livro de Andrew Norris é um infanto-juvenil super necessário. Antes de falar mais, confiram a sinopse…

“Francis não tem amigos. Ele sofre bullying porque é diferente. Em casa, vive trancado no sótão, onde tem uma fabulosa coleção de bonecas vestidas com roupas que ele mesmo cria. Adora moda e pediu de aniversário uma máquina de costura. Um certo dia na escola, na hora do intervalo, Francis vai se sentar num banco, no lado mais afastado do pátio, porque prefere a solidão a ser zoado. Mas nesse dia, sentindo-se triste, ele vê alguém atravessar o gramado na sua direção. É uma menina de mais ou menos a sua idade, embora não a reconheça como aluna da escola. Ela se senta na outra ponta do banco, em silêncio. Francis fica curioso. E então lhe estende a sua caneca de chá. A menina olha para ele, surpresa e chocada. Afinal, ela é um fantasma, chama-se Jessica, e Francis é a primeira pessoa que consegue vê-la desde que ela morreu. Entre os dois surgirá uma amizade extraordinária e transformadora.”

Francis sempre sofreu bullying por ser diferente da maioria dos meninos da sua idade. Ele é super quieto e calmo, mas não tem nenhum amigo na escola e nem fora dela. Quando está em casa, passa o tempo todo no sótão, desenhando e  confeccionando novas roupas para sua coleção de bonecas. A parede é repleta de croquis e Francis até mesmo organizou as bonecas numa ordem cronológica (do modelo mais antigo até o mais novo). É claro que quando Francis deixa cair de sua mochila um kit de costura, isso nunca mais seria esquecido e ele passaria a ouvir comentários maldosos por isso.

Em mais um dia de solidão nos intervalos das aulas, Francis está tomando seu chá quando uma menina vem e se senta perto dele. Ela parece triste e solitária como ele, então ele oferece um pouco de chá para ela. A menina leva um grande susto ao perceber que Francis está falando com ela. Até aí normal, pois ela poderia ser uma solitária como Francis. O problema é que Jessica é um fantasma. Ela morreu tem quase um ano e até Francis, ninguém nunca a tinha visto ou falado com ela. 

“Durante todo o tempo em que estou morta, ninguém, e quero dizer ninguém mesmo, conseguiu me ver ou ouvir. Nunca.”

Passado o susto inicial, Francis e Jessica se tornam inseparáveis. Ela o acompanha até a escola e depois passam as tardes no sótão enquanto Francis costura mais roupas, mas todas as noites Jessica volta para o hospital. Ela não sabe o motivo, mas sempre passa as noites lá. Jessica nem mesmo sabe o porque de ainda estar aqui e principalmente, porque só Francis pode vê-la. Eles não sabem o motivo, mas Francis está adorando ter uma amiga que entende de moda como ele.

Eles entram nessa rotina, mas Francis é surpreendido pela mãe quando ela diz que marcou uma visita dele aos novos vizinhos. Aparentemente, eles têm um filho da mesma idade de Francis que além de se mudar pra mesma rua, vai frequentar a mesma escola, então seria ótimo que eles se conhecessem. O problema é que o menino Andy foi expulso da última escola. Como Francis não é de fazer julgamentos, ele aceita receber o menino. E vem a primeira grande surpresa, não é o menino Andy e sim a menina Andi. 

Passado o choque, eles vão para o quarto de Francis. Jessica está lá esperando para ver o menino. Francis age naturalmente, mas Andi, que é conhecida pelo seu temperamento explosivo, acha um absurdo que ele não apresente a menina que também está no quarto. Francis e Jessica ficam chocados que Andi também possa vê-la e explicam a situação. A princípio Andi fica desconfiada, mas logo Francis e Jessica a conquistam. E assim o grupo de Francis vai crescendo. 

“- Está falando comigo? – perguntou Francis. – Não. Estou falando com ela! – Andi apontou diretamente para Jessica.”

Os três estão mais unidos do que nunca. Todos os dias vão para a escola juntos e depois voltam para a casa de Francis. O garoto mal pode acreditar que antes não tinha ninguém e agora tinha Jessica e Andi. Como as notas de Andi estavam bastante ruins em matemática, Jessica dá aulas pra ela enquanto Francis costura. Fica muito claro como um faz bem para o outro, mas a questão de apenas eles verem Jessica sempre é levantada ou o porquê dela não ter partido. Então Andi tem a ideia de tentarem descobrir como Jessica morreu e assim poderão ajudá-la a entender porque ainda está aqui. 

A notícia de que Francis é ótimo amigo para pessoas estranhas e deslocadas se espalha, então a mãe de Andi indica um novo amigo para ele. Como um menino bem educado que é, ele vai até a casa do menino que não tem ido mais para a escola e nem sai do quarto. A ideia de Francis é entrar e sair o mais rápido possível, mas quando Roland o ignora completamente, Francis fala umas verdades pra ele e vai embora. Quando ele está chegando na rua para encontrar com Jessica, Roland surge correndo atrás dele e pede desculpas pelo comportamento e pede uma nova chance. Francis aceita e aí vem o novo choque, Roland convida Jessica também. 

“- Está me convidando também? – perguntou Jessica. – Claro. – Roland confirmou com a cabeça. – Se você quiser, é claro.”

Digamos apenas que Roland não recebe a notícia tão bem quanto Francis e Andi. Ele diz que não é normal que Jessica esteja andando por aí e que ela deveria tentar se lembrar de como morreu para poder seguir em frente. Jessica não gosta nada de ser forçada a lembrar, mas no fundo ela sempre soube como morreu. Ela só não sabia qual era a missão dela ao ficar e principalmente porque apenas essas pessoas poderiam ver e falar com ela. Ao longo dos dias as peças vão se encaixando e vamos chegando num momento de apertar o coração.

Amigos Para a Vida trás assuntos muito necessários nos tempos de hoje. Todos os personagens sofreram bullying por serem diferentes e isso acarretou em solidão e até início de depressão. Eles não sabiam disso até conhecerem Jessica. Através dela, cada um deles pode ver o quanto eles eram solitários e o quanto cada palavra maldosa atingia sua autoestima. Juntos, eles vão aceitando suas diferenças e percebendo que ser estranho não pode defini-los.

“Você deseja, de todas as formas, ser como todos os outros, mas sabe que isso nunca vai acontecer. Você sempre vai ser diferente.”

Cada personagem nesse livro era estigmatizado por algo que a sociedade aponta como feio ou errado. Francis era o garoto estranho que gostava de costurar; Andi era a menina que foi criada quase como um menino e por isso sempre respondeu com violência quando ouvia algo que não gostava; Roland era o menino gordo que se escondeu do mundo e passou a viver apenas no quarto com seus jogos; e Jessica, a fantasma que deveria ter partido, mas tinha uma missão. Antes de descansar, ela precisava ajudar essa turma a se aceitar e é tão lindo ver o crescimento desses personagens.  

Quando eu comecei a ler Amigos Para a Vida, eu só pensava: esse livro precisa ser lido pelo máximo de pessoas possível. Bullying, depressão e até mesmo o suicídio são assuntos que deveriam ser tratados com mais seriedade. A sociedade precisa perceber que isso não é brincadeira, que comentário maldoso pode sim ferir a autoestima de alguém ao ponto de iniciar uma depressão. Só no Brasil são 10% dos nossos adolescentes sofrendo da doença. O autor teve um trabalho imenso de pesquisa e só concluiu a história depois de quase 10 anos. Hoje, Amigos Para a Vida é apoiado pela Anistia Internacional do Reino Unido e ao final da leitura, somos questionados para saber se realmente entendemos a mensagem que Andrew Norris quis passar.

“Por que ‘ser diferente ‘ tinha que ser tão doloroso? Por que era assim tão importante, quando, se refletíssemos bem, todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

O que falar da edição de Amigos Para a Vida? A Editora Valentina fez um trabalho tão incrível na capa que quando você passa os dedos sobre o título, você sente como se tivesse sido bordado ali. Lindo demais. A diagramação está uma fofura com fonte e espaçamento ótimos para uma leitura confortável. A narrativa é toda em terceira pessoa, mas ela flui muito rapidamente. Ainda sobre o título, eu achei ótimo o escolhido para a edição nacional. O título original em tradução literal seria algo como O Fantasma de Jessica (Jessica’s Ghost), o que ficaria bem estranho para nós, mas Amigos Para a Vida se encaixa perfeitamente na história. Quando você avança na leitura e percebe que esse título faz todo o sentido dá até um aperto no coração. Perfeição é o que tenho para dizer do trabalho da editora. 

“Quando o sol brilhava, você mal lembrava as nuvens, mas, quando estava no Fundo, era difícil acreditar que o brilho do sol um dia existira.”

Amigos Para a Vida é muito mais do que apenas um infanto-juvenil, ele é um livro essencial por defender tanto a aceitação, a amizade e o direito de ser diferente sem ser julgado ou ridicularizado. Um livro tão pequeno, mas que deixa a sua marca permanente por ter trabalhado assuntos ainda tão tabus, mas de uma forma sensível e simples. É impossível descrever o tamanho do amor que senti por ele e se eu pudesse resumir o livro inteiro numa frase, seria: ‘leiam com o coração’. 

O livro de Andrew Norris veio para mostrar que podemos sim celebrar nossas diferenças e ainda mais, não julgue um livro por ser um infanto-juvenil, pois na minha pequena experiência, muitos deles trazem histórias tão impactantes que deixam muitos adultos em lágrimas, como foi o meu caso. Amigos Para a Vida fala sobre ter empatia e ser consciente de seus atos, pois alguém pode estar sofrendo por causa daquele comentário que você fez ou daquela risadinha que você deu. Com certeza leva minhas 5 Angélicas assim como entra na minha lista de melhores livros do ano e da vida. Super indicado!! 

9 comentários em “Resenha: ‘Amigos para a Vida – Andrew Norris’

  1. Eu quero ler esse livro, já o inseri na minha lista de desejados para o ano que vem, pois ele está super bem falado nas redes literárias e minha curiosidade está bem aguçada.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Olá
    Ahh que linda história, adoro livros infanto-juvenil, acho que são eles os que melhor conseguem transmitir mensagens sobre bullying, negligência entre outros de uma forma fácil, emocionante e fantástica.
    Amei a dica

    Curtido por 1 pessoa

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