Resenha: ‘Detalhe Final – Harlan Coben’

Helloooo pessoas! Hoje é dia da nossa dose mensal de Myron Bolitar e dessa vez temos o livro Detalhe Final, que foi publicado pela Editora Arqueiro aqui no Brasil em Outubro/2015. Esse é o sexto livro da série Myron Bolitar, do Harlan Coben, que já teve seus cinco primeiros livros resenhados aqui no blog. Esse livro mexeu bastante comigo e me trouxe várias reflexões sobre alguns assuntos, do jeito que só o Harlan é capaz de fazer. Mas antes de qualquer coisa, confere a sinopse:

“O agente esportivo – e detetive ocasional – Myron Bolitar está num verdadeiro paraíso. Divide uma praia caribenha com Terese, uma mulher deslumbrante que acabou de conhecer – uma forma perfeita de se recuperar da perda recente de uma amiga querida.
Seu retiro é interrompido por Win, seu amigo e parceiro em inúmeras investigações. Ele não traz boas notícias: um dos clientes mais antigos de Myron, o problemático Clu Haid, arremessador dos Yankees, foi assassinado e a principal suspeita é Esperanza, melhor amiga e sócia de Myron.
De volta a Nova York, Myron está determinado a provar a inocência de Esperanza, mas os obstáculos são maiores do que imaginava. Para desvendar o crime, Myron terá de encarar o submundo nova-iorquino e abrir feridas antigas que podem ser o seu fim.”

Antes de começar a resenha preciso alertar sobre os spoilers dos outros livros da série. Cada livro é um caso diferente, então realmente não é necessário ler todos para entender tudo. Porém, as histórias de Myron, Esperanza e Win têm uma continuidade e, por mais que o Harlan tenha o cuidado de explicar o que precisa ser explicado em todos os livros para que ninguém fique perdido, ainda existem pequenos spoilers dos acontecimentos anteriores. Em Detalhe Final, especialmente, tem um mega spoiler sobre o que aconteceu no livro anterior, Um Passo em Falso. Então, se você planeja ler toda a série, aconselho a seguir a ordem cronológica certinho rs. Aviso dado, bora pra resenha:

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Myron Bolitar decidiu jogar tudo para o ar e simplesmente fugiu pra uma ilha deserta com Terese Collins, uma jornalista que ele conheceu num evento beneficente. Eles foram para lá desde que se conheceram e tiveram um certo reconhecimento de coração quebrado mútuo e alguém soltou a ideia de sumir do mapa. Como nenhum dos dois disse “Não! Que ideia absurda!”, eles foram e lá estão desde então. Myron simplesmente deu linha na pipa, ligando para os pais pra avisar que estava vivo apesar de louco e mandou por fax uma procuração para que Esperanza pudesse comandar tudo enquanto ele estava fora. Simples assim. Fácil não?

Mas, tudo que é bom dura pouco e agora, três semanas depois, pela primeira vez, Myron e Terese avistam um iate naquele mar azul do Caribe vindo em direção ao local onde eles estavam. Iate esse que logo nos revela um Win com uma bermuda de cor berrante alisando seus belos cabelos loiros. Myron que, apesar de não ter ligado para Win para dar uma satisfação do seu sumiço, sempre teve a certeza de que se precisasse, Win iria encontra-lo até no quinto dos infernos, já imagina que algo de muito sério aconteceu. E ele está certo!

“Win podia ser um sociopata, mas que cara!”

Clu Haid, primeiro cliente de Myron, um arremessador de beisebol que está no fim da carreira foi morto e a principal suspeita é Esperanza que, naquele momento, estava sendo presa em Nova York. Pois é! Eu também fiquei em choque por alguns segundos. Por isso, as férias improvisadas de Myron terão que ter fim, ele deixa sua companheira de fuga na ilha caribenha e parte pra Nova York com Win imediatamente.

No caminho de volta, Win conta a Myron tudo que sabe. Clu Haid sempre foi um atleta problemático que se envolvia em escândalos, principalmente com drogas, mas de uns anos pra cá, ele vinha se comportando muito bem. Por isso, quando ele foi pego no exame antidoping que acusou que ele estava usando heroína, tudo veio abaixo para ele. Ainda assim, Clu insistiu que haviam armado pra ele, que ele estava limpo e o exame estava errado. Conforme o alarde permanecia, ele foi perdendo a paciência com a Esperanza que fazia o que podia pra lidar com tudo aquilo, chegando a bater nela no estacionamento da MB. Então, no dia seguinte, ele apareceu morto no apartamento dele em Fort Lee.

Quando eles chegam a NY e têm mais contato com o caso, eles percebem que tudo no caso aponta para ela como culpada: a briga no estacionamento, a arma do crime no escritório da MB, o sangue de Clu no carro da empresa, fibras de roupa e pelos de Esperanza no apartamento de Clu… mas ainda faltava o principal: o motivo. Em certos momentos, até eu fiquei na dúvida se ela tinha mesmo matado Clu por algumas pistas que aparecem, assim como Myron e Win. Mas Myron nunca desistiu de fuçar até o fundo em busca da verdade e sempre deixou muito claro que, se ela fosse mesmo a culpada, ainda estaria do lado dela para o que quer que fosse.

“Não é preciso pedir ajuda a ela. – falou Big Cyndi. – Esperanza simplesmente sabe e faz a coisa certa.

Quando Myron volta ao escritório, ao verificar sua correspondência, ele vê que algumas semanas atrás recebeu um pacote sem remetente, com um disquete dentro. Ao inserir no computador, apareceu uma foto de uma adolescente que aparentava ter uns 16 anos e aos poucos, essa foto ia derretendo, até que a menina se transformava numa poça de sangue. Macabro, né? Mas Myron não entende de imediato o que aquilo significa, mas conforme vamos avançando na história, percebemos que essa é uma chave que liga Myron a toda a investigação que está acontecendo naquele momento.

Assim, Myron e Win seguem em busca de descobrir a verdade e a cada pista, surgem reflexões e ligações inimagináveis com o caso. As dúvidas sobre a inocência da amiga, junto com a preocupação com o Myron se colocando em perigo com a máfia de NY novamente, deixam a trama eletrizante e fazem com que o leitor não queira desgrudar os olhos um minuto sequer.

“’Às vezes’, disse ele, você não está fugindo do mundo, mas de você mesmo’”.

Nesse livro nos aprofundamos ainda mais na mente e no coração de Myron. Ele está tentando se recuperar de uma perda grande que aconteceu no livro passado e do término do seu relacionamento com Jéssica (eu ouvi um amém?). Mas, mais do que tudo, ele está tentando lidar com o fato de que uma pessoa morreu a pedido dele, o que o torna um assassino também. Isso traz nele, um grande conflito e uma reflexão muito profunda sobre o que é o certo e o errado. Em vários momentos, ele cita o quanto a linha entre o certo e o errado, a legalidade e a ilegalidade é tênue, e que, de tanto passar pro outro lado com justificativas “plausíveis” e com desculpas que tudo é para um “bem maior”, essa linha acaba ficando muito borrada e isso o faz se sentir mais culpado que nunca.

Do outro lado temos Win, que usa a desculpa do “merecimento” e que “o mundo é um lugar melhor sem esse tipo de pessoa” sem nenhum peso na consciência, aparentemente. Ao mesmo tempo em que isso seja frio, me soa menos hipócrita. Apesar de Myron, ainda ter consciência e ter essa preocupação de quem ele está se tornando, ainda percebo nele uma hipocrisia do tipo “quando preciso tudo bem. Depois fico sofrendo por isso e isso não me fará uma pessoal tão ruim quanto Win”. Gosto das cutucadas que Win dá nele nesses momentos e fico na esperança de que Myron acorde pra vida logo, assuma de vez suas atitudes e pare de se fazer de vítima.

“A gente pisa tanto nessa maldita linha que acaba não conseguindo mais enxergá-la.”

Nesse livro, tivemos vários momentos emocionantes do Myron com os pais dele. Lágrimas me vieram aos olhos em vários momentos. A percepção de que os pais já são idosos e que, com a idade avançada, tudo pode acontecer é muito presente e dolorosa para Myron. Me emocionei com o carinho dos pais para com ele e vice e versa. Eles têm um relacionamento lindo, cheio de amor e respeito como toda família deve ser. Nos livros anteriores, já tivemos contato com esse amor, mas nesse, parece que tudo foi mais latente para Myron. Foi lindo e eu quero ver ainda mais da Família Bolitar nos próximos livros.

“Amantes e amigos eram ótimos, mas às vezes um cara quer apenas ficar com a mãe e o pai”.

Agora, falando sobre o trabalho da editora, a diagramação segue como a dos livros anteriores com suas páginas amareladas e com espaço e fonte ótimos para uma leitura confortável durante horas. Nessa edição, encontrei vários erros de revisão que não me atrapalharam na leitura, mas me incomodaram um pouco quando os encontrava. A capa é linda e o título condiz bem com o que o livro traz.

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Enfim, eu indico esse livro para todos que amam um bom romance policial que tenha sua carga de reflexões e sentimentos densos que chegam a nos emocionar. Nele encontramos o valor de uma amizade sincera e verdadeira. Vemos o quanto somos capazes de tudo para proteger e vingar quem nós amamos, não importa o quê.

Assim, deixo minhas 5 angélicas para Esperanza e sua incrível força e lealdade. Que orgulho dessa mulher! Para Win e sua sociopatia que mantém todos que ele ama vivos, e para o próprio Myron que, por mais contraditório que seja, é o coração desse trio parada dura que eu tanto amo.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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9 comentários em “Resenha: ‘Detalhe Final – Harlan Coben’

  1. Olá Letícia, tudo bem?

    Tenho acompanhado suas resenhas do autor e a cada uma que leio fico com mais vontade de ler as obras, você sempre aumentando a minha lista. Bem macabro essa foto da menina que vai se transformando em uma poça de sangue. Gosto do fato do personagem estar tentando lidar com as questões da sua vida e com tudo que o envolve. Fiquei querendo saber mais dessa parte de alguém ter morrido a pedido dele e ele ser, de certa forma, um “assassino” também. Quero muito ler, amei sua resenha. Parabéns!

    beijos!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Eu realmente preciso ler algo desse autor. De verdade. Vocês aqui falam muito bem do cara e eu fico morrendo de vontade de ler. Adoro o genero que ele escreve e os livros tem na biblioteca da minha cidade e eu ainda não tomei vergonha na cara pra ler. É isso kkkkk

    Adorei o post!

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  3. Olá!
    ai como eu amo esse careca rs’ sério, Myron Bolitar e seus amigos são maravilhosos, já os livros lançados, e estou louca para reler, agora na ordem certinha rs’ Esse livro é muito bom e muito louco rs’ lembro que devorei pela curiosidade, passava a noite acordada lendo, que saudade de ler Coben. ♥

    beijos!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Olá!
    Eu amei essa resenha. Você fala com tanta emoção que é impossivel não transbordar sobre as palavras escritas. É o tipo de livro que eu vou ler, pois adora história assim, com conteúdo e conturbados. Vou colocar ele na minha lista de leitura, pois tenho certeza que irei amar.

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  5. Oi Lê!!
    Eu to rindo muito que o Myron deu linha na pipa e fui curtir rsrsrsrs Mesmo não lendo os livros, eu já sabia que isso não ia durar muito assim como vc nos informou rsrs
    A cada resenha tenho ficado mais curiosa, mas confesso que desde o mês passado essa curiosidade avançou vários níveis. Eu quero saber desses babados de que alguém morreu. Socorro que fiquei curiosa demais rs
    Ótima resenha.
    Bjs
    https://almde50tons.wordpress.com/

    Curtido por 1 pessoa

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