Crítica da Série: ‘The Handmaid’s Tale – 2ª Temporada’

Blessed Day!! Brincadeiras a parte, eu vim aqui falar da Segunda Temporada de uma das melhores séries da atualidade: The Handmaid’s Tale. Eu demorei um pouco para assistir porque estava com dificuldades de acompanhar semanalmente, então esperei a temporada acabar para sentar e assistir tudo de uma vez. Eu apresentei essa série para vocês no ano passado quando fiz a crítica da 1ª Temporada. Agora eu vim fazer alguns comentários sobre o segundo ano da série, então pode rolar alguns spoilers da temporada anterior. Mas antes, confiram a sinopse e trailer…

Sinopse: Vivendo no governo totalitário de Gilead, Offred (Elisabeth Moss) é uma Aia, forçada a viver pelo resto da sua vida com o propósito de procriar para os Comandantes com mulheres inférteis. Nesta apavorante sociedade, Offred precisa navegar entre os Comandantes, suas cruéis esposas, as domésticas Marthas e as próprias Aias – onde qualquer um pode ser um espião em prol de Gilead – com um único objetivo: sobreviver e encontrar sua filha que lhe foi tirada.

The Handmaid’s Tale é uma adaptação do livro homônimo de Margaret Atwood e que aqui no Brasil foi publicado como O Conto da Aia. Essa série é uma produção original do serviço de streaming Hulu (equivalente a Netflix) e a primeira temporada só chegou por aqui este ano pela Paramount Channel. A atual temporada veio maior e a cada novo episódio eu me sentia mais angustiada já que The Handmaid’s Tale está longe de ser uma série de entretimento. A Gilead pode até ser fictícia, mas quem assistiu a série percebeu que para algumas pessoas Gilead pode ser muito real. A cada episódio a angustia só aumenta, então quem acompanhou semanalmente tinha sete dias para se recuperar para um novo soco no estômago.

Nós fizemos uma matéria incrível sobre violência contra as mulheres para o Agosto Lilás, então eu não poderia deixar o mês acabar sem falar de The Handmaid’s Tale. Essa é uma das séries que mais fala sobre uma sociedade onde as mulheres literalmente não tem voz. Em Gilead cada mulher tem sua função determinada pelos comandantes e todas precisam exerce-las sem nunca questionar. Nessa temporada pudemos ver o quanto elas foram rebaixadas não só como mulheres, mas profissionalmente já que os cargos agora são: Esposas, Aias (mulheres destinadas a terem os filhos de Gilead), Marthas (responsáveis pelos serviços domésticos) e as Tias (responsáveis pelo treinamento das Aias).

Na temporada passada essas mulheres foram apresentadas como se estivessem conformadas com a vida que levavam, já que quem vai contra a lei pode ir parar no Muro (local de execução), e somente nos últimos episódios é que tivemos alguns motins. E para quem assistiu a season finale 1 sabe que o que as Aias se recusaram a fazer teria consequências certo? E as consequências foram aterrorizantes e eu fiquei chocada com as punições que elas receberam por desobediência. Além disso June/ Offred (Elisabeth Moss) escondeu de todo mundo algo que não deveria, logo as punições se tornaram cada vez mais severas.

Já nesta temporada esse conformismo foi caindo por terra e a cada episódio uma delas se mostrava mais contrariada as leis de Gilead. E o que seria mais contra as leis do que tentar fugir, né? June/ Offred conseguiu se manter longe da casa dos Waterford por três meses, mas foi capturada antes de conseguir chegar ao Canadá. Tia Lydia (Ann Dowd) recebe Offred e logo mostra para ela o que poderia acontecer caso ela não aceitasse que agora não existe mais June e devido aos erros de June outras pessoas tiveram que pagar. Ela só precisa aceitar a vida que leva agora e se calar para tudo de errado que Gilead julga ser certo.

De volta a casa dos Waterford, Serena (Yvonne Strahovski) também faz questão de mostrar para Offred que se ela não colaborar fará da vida dela um inferno. Os embates entre essas duas personagens são fenomenais, mas temos duas mulheres em posições diferentes e uma delas sempre mostra que pode mais. Com Offred grávida, Serena é obrigada a ter a aia em sua casa e oferecer um tratamento adequado a uma gestante. Inicialmente Offred parece que vai colaborar, mas ela percebe que aquilo ali não é vida para ninguém e que ela precisa sair de Gilead e assim levar seu filho, que ainda nem nasceu, com ela.

Nesta temporada pudemos ver as tão temidas Colônias, um local que ninguém quer ir e quem não é punido com a morte é levado para lá. Emily/ Ofglen (Alexis Bledel) quebrou várias regras nos poucos episódios em que apareceu na temporada passada e num deles foi punida duramente por sua opção sexual. Ela só não foi morta por ser considerada uma mulher fértil e servir como aia, mas quando ela foi contra as leis de Gilead além da punição, ela foi levada para as Colônias. Quem vai parar lá também, após uma transgressão, é Janine/ Ofwarren (Madeline Brewer).

Nessa temporada também tivemos mais episódios mostrando o marido de June, Luke (O. T. Fegbenle), pois após Moira (Samira Wiley) conseguir fugir foi ele quem foi busca-la no centro que recebe fugitivos no Canadá. Ela estava na lista dele, então foi uma grata surpresa saber que alguém tinha conseguido sair de lá. Moira luta incansavelmente para saber o que aconteceu com sua noiva, Odette (Rebecca Rittenhouse) além de tentar de alguma forma saber se June está bem.

O que aprendemos sobre a fuga de Offred é que existe uma resistência em Gilead. A gente não sabe muito bem quem são, além de Nick (Max Minghella) que ajudou June por uns dias, mas sabemos que vem ganhando força. A gente já tinha tido uma impressão de que havia uma resistência na temporada passada quando algumas cartas chegaram nas mãos de June e nessa temporada as cartas estiveram com Nick e ele as usou num momento decisivo.

Eu vou parar de falar diretamente sobre os acontecimentos da temporada para evitar dar muitos spoilers, então vou comentar as minhas impressões sobre os personagens mais marcantes. Vou começar com casal Waterford, pois eles são o comandante e a esposa que mais temos acesso na série. Fred (Joseph Fiennes) é um homem completamente ambicioso e que trabalhou diretamente para instalar o novo governo. Nessa temporada tivemos flashbacks dele e de Serena nos EUA antes de Gilead, então pudemos ver que quem também acreditava muito que essa nova forma de governo daria certo foi Serena. E me mata saber que ela defendeu tão enfaticamente esse governo já que agora ela está entre as pessoas que são oprimidas.

Falando nela, Serena é uma das personagens que mais me trás sentimentos confusos, pois as vezes ela não parece tão má ou conformada, mas no momento seguinte te mostra uma nova versão dela que a gente não consegue perdoar. E nessa temporada tivemos muito disso e como a própria Offred fala num dos episódios onde ela está sendo ‘boazinha’, antes de Gilead elas poderiam ser amigas. Mas aí temos o lado não tão bonzinho, aquele onde ela faria tudo para ser mãe e é onde ela é mais cruel. Ela não é má com crianças, ela tem uma verdadeira adoração por esses seres tão indefesos, mas ela pode ser extremamente cruel para conseguir realizar seu maior objetivo. Nos episódios finais ela nos mostrou isso e tivemos uma das cenas mais dolorosas. Já na season finale ela teve outro posicionamento e que eu até tive uma certa pena dela, pois é quando ela mais percebe que Gilead não é um lugar bom para as mulheres e que ela se anulou completamente para que Fred pudesse ser o homem que ele é hoje.

Outra mulher que me trás sentimentos distintos é Tia Lydia. Ela leva o treinamento das aias muito a sério e chega a ser cruel quando elas não obedecem as regras. ela já tinha mostrado isso na temporada passada quando Janine é punida por sua desobediência constante e nesta temporada ela também mostrou isso em vários episódios. Só que ela nos mostra um lado que é extremamente maternal onde ela tem uma adoração pelo dom da vida, por ainda ter mulheres que podem gerar vidas mesmo que seja da forma que elas são criadas. A gente percebe uma alegria genuína quando ela percebe que suas aias conseguiram engravidar e até mesmo um cuidado que ela tem com as meninas. Só que no momento seguinte ela apresenta o lado que é totalmente fiel as leis de Gilead e a gente esquece todo o lado que ela mostrou antes.

Emily também é uma personagem que ganhou muito destaque nesta temporada. A personagem já tinha mostrado na temporada anterior que ela faria de tudo para conseguir sair de Gilead, mas seus sonhos foram enterrados quando ela foi levada para as Colônias. Ela achou que ficaria trabalhando ali até morrer, coisa que convenhamos não demoraria já que o ambiente é totalmente tóxico, mas ela teve uma nova oportunidade de voltar e poder dar continuidade aos seus sonhos de fuga. E senhor, eu tive um treco quando ela se rebelou novamente.

E para finalizar, eu não poderia deixar de falar da rainha dessa série também conhecida como June/ Offred. A personagem é tão forte que é impossível não torcer para que ela consiga acabar com esse governo. A cada episódio a gente luta com ela assim como sofre por saber que cada vez está mais distante o sonho de sair de Gilead. É tanta angustia que a gente passa com ela que a gente tem que parar para refletir a cada episódio e tomar um calmante para começar o próximo. Elisabeth Moss carrega a personagem brilhantemente e em apenas uma expressão ela passa tudo que June está sentindo. Eu li uma crítica reclamando que a série dá muitos closes no rosto da atriz e eu só queria deixar muito frisado que esses closes são perfeitos, pois temos diálogos inteiros se passando na expressão dela. Não é atoa que ela já tenha sido tão premiada por sua atuação na série.

Falando de premiações, The Handmaid’s Tale vem ganhando todos os prêmios e Elisabeth dona da p**** toda já ganhou todos os prêmios de melhor atriz e já foi indicada novamente. Atualmente a série está concorrendo a 20 indicações ao Emmy 2018 incluindo Melhor Série Dramática, Melhor Roteiro em Série Dramática e Melhor Direção em Série Dramática. Além de que todas as mulheres que eu citei na matéria estarem concorrendo as premiações de melhor atriz (principal, coadjuvante e convidada em série).

Esta temporada estreou no fim de abril no Hulu e semanalmente foi exibido um episódio. Ela ainda não está disponível no Brasil, mas a Paramount Channel já anunciou que vai exibir a partir deste domingo, 02 de setembro. A primeira temporada foi toda reprisada pelo canal e está disponível para assistir pelo Net Now. São 13 episódios de cerca de 45 minutos e se preparem para sofrer porque The Handmaid’s Tale veio para chocar o telespectador. Eu como amante de séries de romances fiquei angustiada de não poder shippar ninguém além de June e Nick, obviamente, mas a série tem uma proposta muito longe disso. Ela não está ali para formar casais, apesar de termos tido um momento bastante chocante para um casal que decidiu se amar independente das leis, e sim para nos mostrar como a opressão existe, como numa série só todos os medos das mulheres foram reunidos e como a luta pelos direitos é diária.

Aí vocês me perguntam o porque que eu estou incluindo essa série no mês de prevenção da violência contra a mulher? The Handmaid’s Tale mostra uma sociedade totalitária governada por um regime fundamentalista baseada nas palavras de Deus. As mulheres são proibidas de ler, escrever, de terem uma profissão além das pré-determinadas pela sociedade. As minorias são punidas com castigos bastante severos e em sua grande maioria com a morte. Eles usam Deus desde os comprimentos diários até base do governo. É bastante desesperador ver que Aias são estupradas pelos Comandantes e isso é previsto por lei já que elas servem a uma sociedade onde precisam ter descendentes.

Eu vou parando por aqui, mas já estou eufórica pela Terceira Temporada depois das decisões finais de Offred. Acredito que talvez venha mais implacável e tenho medo das punições que a personagem sofrerá. Fora que fiquei preocupada com outras personagens. Ai senhor, a espera será de pelo menos um ano. Eu já quero. Se essa não é a melhor série da atualidade, eu não sei qual é. Praise Be!!

8 comentários em “Crítica da Série: ‘The Handmaid’s Tale – 2ª Temporada’

  1. Uau! Super resenha!! Tanto pela temática, quanto pelo tamanho, pela vontade que você tem de escrever e pelo amor a esta série! Eu ainda não conhecia esta produção (nem mesmo o canal que a distribui), mas fiquei realmente com vontade de assistir. Não identifiquei spoilers graves no texto, então acho que está tranquilo assistir depois ^^ rsrs. Ademais, amei a forma apaixonada como você fala da série, e o entusiasmo com o qual relatou seus sentimentos acerca de cada personagem. 🙂

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  2. Não conhecia essa série, mas me interessei bastante e como todas as séries que assisto estão em pausa, adorei essa dica para ter o que assistir rs

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  3. Eu ainda não assisti essa série mas só vejo críticas positivas, a sinopse é muito interessante, acredito que deve ser mesmo uma obra sensacional. É importante falar sobre a violência contra a mulher, a série se mostra muito pertinente ao abordar essa questão tão importante.

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  4. Eu não tinha conhecimento da série. Já havia lido comentários sobre o livro. Se tiver oportunidade quero acompanhar essa história que traz um tema muito discutido ultimamente que é a violência contra a mulher. Conheci a escrita da autora ao ler Vulgo Grace.

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  5. Menina,
    eu gosto tanto deste blog que eu nem sei como consegui ficar 2 semanas sem vir aqui. Poxa, como vcs são profissionais e precisas (sem ser pedantes). Se vcs não estão ficando ricas com ele, não sei quem na internet estaria, rsrsrs.
    Adorei a indicação, sobretudo pelo debate sobre violência contra a mulher. Sei q muitos alegam que trata-se de um assunto exposto a exaustão, todavia, se a violência ainda ocorre a exaustão, então ainda temos que falar sobre ele (e eu sou policial, sei bem oq é isso). E é legal que as protagonistas trabalham contra um governo, pois, metaforicamente, oq é a concepção das mulheres na nossa sociedade atualmente se não um governo de ideias opressivas que as objetificam à exaustão?
    Adorei mesmo, vou conferir, certamente (mesmo odiando séries… elas demoram tanto…).
    Um abraço e parabéns, como sempre.

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  6. Oi Adriana, tudo bem?

    Ainda não conhecia a série, mas já vi muitas pessoas falando super bem do livro, que inclusive está na minha lista de desejados. Não conhecia a história do livro e tão pouco da série, então é claro que já fiquei abismada. É com certeza uma série representativa e que nos faz refletir a cerca do papel da mulher na sociedade. Podemos não viver como as Aias, mas não podemos negar, que muitas vezes querem que nos calemos e passemos a observar, a sociedade ainda quer “escravizar” a mulher em “padrões estabelecidos”. Pelo que narrou, já senti o quanto a série é importante e com certeza vou assistir, mas antes quero ler o livro. Você simplesmente arrasou na crítica, amei muito. Obrigada por apresentar essa série!

    beijos!

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