Resenha ‘Tempestade de Guerra – Victoria Aveyard’

Oi ooooi gente! Hoje eu trouxe a resenha do último livro da série A Rainha Vermelha. Depois de percorremos os caminhos dessa história em A Rainha Vermelha, Espada de Vidro e A Prisão do Rei, além dos contos de Coroa Cruel, chegou a hora de saber o final dessa história. Lembrando, é claro, que a autora ainda vai liberar mais um livro de contos sobre esse universo. Ah, apesar de tentar não soltar muitos spoilers, é o último da série e fica bem difícil não comentar dos anteriores.

Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven. Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.

Preciso começar dizendo que o bom dos livros de A Rainha Vermelha é que o seguinte, sempre começa do ponto onde o anterior terminou. Com isso, acompanhamos mesmo o que acontece depois dos grandes finais, não temos a sensação de “passou um tempo e ficamos perdidas no que aconteceu”. Sendo assim, começamos com Mare e Farley lidando com as notícias da última reunião da Guarda Vermelha, os líderes de Montfort e as Casas traidoras de Norta, Samos – que criou o reino de Rift – e Lerolan.

Cal vai assumir seu seu posto como Rei Tiberias VII, se comprometendo a casar com Evangeline, se separando de Mare, já que ela além de não aceitar ser sua consorte, não aceita o fato de Norta ainda estar sobre um Reino. Mas, ele ainda precisa da ajuda da Guarda e de Montfort e seus exércitos, afinal, eles ainda precisa combater as casas que são fiéis a Maven, além dos reinos de Lakeland e Piedmont.

Mas, não vai ser tão simples assim, afinal, seus aliados desejam uma república, onde prateados, vermelhos e sangue novos agem e são tratados como iguais. Além do que, a pessoa no poder está lá por votação e não por hereditariedade. Então, todos – ou quase todos rs – se dirigem a Montfort, para tentar convencer o conselho a liberar mais ajuda.

– Para de choramingar, Calore – solto por entre os dentes cerrados. O conselho vale para nós dois. – Você forjou sua própria coroa. Agora use-a. Ou desista.

E quando chegarem na nova república, eles terão muitas surpresas, desde o modo como as coisas são operadas, as pessoas são tratadas, os relacionamentos apresentados, até um ataque surpresa, onde todo o comboio irá precisar unir forças para se salvar. O que já mostra que o livro vai ser de arrepiar.

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De verdade, não quero contar muito o que vai acontecer durante o livro, para que ele possa ser surpresa para quem vai fazer a leitura. Mas, vou adiantar que teremos muitas batalhas, várias demonstrações dos enormes poderes que eles tem. Além disso, vamos ver novas interações se formando, antigos personagens voltando e as tramoias que seguem provando que a frase “todo mundo pode trair todo mundo” é o que move essa série. Ah, e claro que o “levantar, vermelho como a aurora”, que será entoado numa das melhores cenas do livro.

A trama vai muito por esse caminho. A retomada de Norta, sendo pelas principais principais cidades ou pelas que são necessárias para mover o reino. Além disso, vamos acompanhar mais sobre Lakeland e como elas estão lidando com a perda de seu rei, além de tudo o que as três mulheres Cygnet são capazes de fazer.

– Chamam vossa majestade de Chama do Norte. Mostre-nos seu fogo.
Então o primeiro ministro olha para mim.
– E você, sua tempestade.

Enfim, vou me calar sobre a trama em si, porque quero manter o sigilo sobre tudo o que for possível. Mas, quero falar sobre os personagens, começando com a protagonista. Mare é uma personagem difícil de lidar. Não é fácil gostar dela, não é fácil suportar ela e não é fácil ter empatia por ela. Mas, justiça seja feita e dita, ela melhorou absurdamente aqui. Ainda que tenha uma recaída de ‘única que sofre no mundo’, ela veio mais madura, mais decidida, mais preparada e mais disposta a usar seus poderes e mostrar o quanto a ‘Menininha Elétrica’ pode ser perigosa. No encerramento da série, Srta. Barrow faz com que a gente mude alguns dos conceitos que temos sobre ela, que a gente torça por seus feitos e seus desejos.

Cal é outro que mexe com o imaginário. Seja por quem o ame, seja por quem o odeie – sim, existem essas pessoas -, ele arranca emoções com suas atitudes. Ele vive sobre a corda bamba de ser fiel ao que ele foi ensinado desde sempre e a querer a coroa, que é sua por direito e destino, ao mesmo tempo que ele quer ficar com a Mare, deseja melhorar as coisas para os vermelhos e precisa lidar com todas as combinações feitas para colocá-lo de volta ao trono de Norta. Pela primeira vez, Cal narra alguns capítulos e podemos ver ainda mais de seu caráter, seu pulso de liderança, ao mesmo tempo em que ele é um menino amedrontado pelo fantasma de sua mãe e suas palavras.

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Outra dona de narrativa é Iris Cygnet. Ela vem demonstrar o tamanho do seu poder, a extensão de seus planos, o desprezo que sente por seu marido e a vingança que esta movendo sua mãe, sua irmã e a ela.

Um pouco Mareena, a prateada que fingiu ser. Um pouco garota elétrica, cheia de faíscas e de uma fúria impiedosa. E, em meio a isso tudo, ela mesma, alguém que ainda está se descobrindo.

Deixei por último, os donos das outras narrativas e os personagens mais bem desenvolvidos de toda a história. O primeiro é Maven. Não podemos negar o grande vilão que ele é, todos seus planos maquiavélicos, que foram desde armar para seu irmão sair como assassino, marcar Mare como se fosse gado, aprisioná-la e até mesmo conseguir uma aliança com Lakeland, inimiga há anos de Norta. Com todo o seu lado monstruoso, ele me conquistou. Não de um lado platônico, mas com o seu papel de VILÃO, com diversas camadas, com os problemas e psicopatias. É inegável a dedicação que a Vic teve para criar ele, uma que talvez tenha faltado para os outros protagonistas. O Maven ainda trás consigo o fato de ter uma mente toda quebrada e reconstruída cheia de erros pela sua mãe. E com a sua forma de contar a história, podemos ver a profundidade do estrago que a Elara fez em seu filho.

A última narradora é Evangeline, aquela que se tornou minha personagem preferida, desde A Prisão do Rei. Eve *a íntima* foi outra personagem que Victoria se dedicou a montar. Ela nos foi apresentada como uma vilã que desejava a Coroa mais que tudo nessa vida. Os dois primeiros livros nos fizeram odiá-la, para chegar no terceiro e ela nos passar uma rasteira. Temos a Princesa Samos se esforçando para sair do casamento arranjado, afinal, seu amor pertence a outra pessoa. Ela tem várias chances de demonstrar seu incrível poder e como ela é maravilhosa! Além disso, ela tem diversas interações com a Mare, que considero uma das melhores coisas desse livro. Evangeline vai assumir o lugar de muitas leitoras nesse livro. E a gente? Bem, vamos torcer para que todos os seus planos tenham sucesso.

[…] Presa em uma tempestade, incapaz de me libertar, incapaz de fugir do que já fiz e continuei fazendo. Esse mundo é uma tempestade que ajudei a criar.

Tempestade de Guerra se tornou o meu livro preferido da série. Sei que tem muitas pessoas que estão reclamando do final, por diversos motivos, mas ele foi totalmente dentro do que eu esperava. Eu devorei páginas atrás de páginas, porque queria descobrir quem poderia morrer ou viver, como se daria a guerra, ansiava por cada demonstração de poder. Victoria poderia ter desenvolvido melhor alguns personagens durante a série? Sim, a própria Mare é um exemplo disso. Mas ela trouxe um final que evoluiu. Tirou muito das coisas que incomodavam e trouxe mais agilidade. Aqui não tem enrolação ou aqueles momentos de tédio.

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Vic já avisou que irá liberar uns contos ainda dentro do mundo de A Rainha Vermelha. Serão cinco contos liberados separadamente, mas que devem se reunir, formando um livro no estilo de Coroa Cruel, que reúne os outros dois contos da série.

– É assim que as coisas funcionam, Cal. Depois das grandes revoluções, das maiores mudanças na sociedade, foi preciso tempo para o retorno ao equilíbrio.

Quanto a diagramação, ela é simples, mas muito boa. As folhas são amareladas, com espaçamento bom e letras boas para a leitura. Os capítulos tem o seu narrador anunciado logo junto com o número correspondente. A Editora Seguinte ainda manda o marcador preso na orelha do livro, só cortar. Além disso, os livros formam um jogo incrível. Inicialmente, reclamamos com o fato dos livros irem ficando escuros, mas agora podemos entender. Colocados lado a lado, eles vão escurecendo como o céu se preparando para uma tempestade. A tempestade de Mare. Quem comprou o livro ainda em pré venda, ainda adquiriu um pin da Guarda Escarlate.

Victoria Aveyard está vindo para uma turnê aqui no Brasil. Ela irá para a Bienal de SP, para o Rio, Curitiba e Fortaleza. Então, corram e aproveitem a chance de terem seus livros autografados. A finalização dessa série que mistura distopia com fantasia, leva as cinco Angélicas, minha saudade e minha expectativa para os contos.CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

 

 

 

 

9 comentários em “Resenha ‘Tempestade de Guerra – Victoria Aveyard’

  1. Eu preciso muito começar a ler essa série “A rainha vermelha”, só leio posts excelentes sobre ela. E mais um para aguçar minha curiosidade. Parece ser aquela série, onde um livro termina, convidando-nos para ler o próximo e no meio da leitura deve ser aqueles capítulos que não nos deixam largar o livro de tão bom que são. Irei me organizar aqui e subir essa série na minha lista de leitura.

    Gustavo
    http://www.leituraenigmatica.com

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  2. Olá! Como não li ainda nada sobre o livro, fiquei meio assim para começar a ler esse post. Aí corri para ler a resenha A Rainha vermelha, e fiquei em êxtase hahaha Tu fala com tanto amor sobre o livro, e resenhou tão bem, que fiquei com aquele gostinho de preciso ler. Antes eu tinha uma impressão meio errada desse livro, por ver algumas críticas bem severas. Enfim… li a resenha do primeiro e voltei aqui, quase correndo, pra ler essa! E que resenha!
    Adorei, viu??

    Beijinhos||Psicologia de Boteco
    http://www.psideboteco.blogspot.com

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  3. Amo muito as dicas que você dá por aqui.
    Cara, preciso muito tomar vergonha na cara pra ler esses livros, todo mundo fala tão bem, eu quero muito ler! Adorei suas palavras, me deixaram com mais vontade ainda

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  4. Oi Raíssa, tudo bem?

    Essa série está na minha lista a muito tempo e apesar de dividir os leitores (entre os que amam e os que odeiam), eu quero ler para tirar minha própria opinião. Vi muitas pessoas reclamando bastante do desfecho, mas é bom saber que você gostou. Quanto aos personagens que poderiam ser mais bem trabalhados, creio que em quase toda série, teremos alguns deles. Adorei seu post!

    Beijos!

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  5. Rsrs tive que fazer uma leitura dinâmica, assim não correia o risco de ler algum spoiler pois também estou acompanhando. Como sempre duas resenhas são maravilhosas!

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  6. Oi, Raissa, tudo bem?

    Menina, vamos lá! Eu adoraria poder dizer que estou lendo essa série e gostaria de discutir o que acontece com ela. Eu sempre achei a ideia da trama maravilhosa. Mas comecei a ler a série e quando cheguei no livro, parei. O livro trÊs para mim se fez um martírio. Eu demorei tanto para ler e no final não tive uma boa sensação, não gostei da leitura. Parece tão repetitivo, muitas coisas desnecessárias… O livro que mais gostei foi o 2. Por isso que eu disse que adoraria dizer que estou lendo, mas decidi não continuar.

    Sobre a protagonista eu não tenho nada a dizer: você disse tudo oque acho.

    Mas a rasteira foi você que me deu: como assim Evangeline não é aquilo que a gente viu no começo, gente? Mulher, eu sentia vontade de arrancar a cabeça dessa criatura. Me conte mais sobre isso, please! rs.

    Bjão.
    Diego França, Blog Vida & Letras
    http://www.vidaeletras.com.br

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  7. Uau! Que sequência avassaladora! Eu gosto muito quando a literatura coloca as questões dessa forma… Os desafios é que fazem a vida realmente encantadora. Aprendemos com eles e nos superamos para seguir adiante… E tem gente realmente percebe que as pessoas mudam… Shakespeare diz que não precisamos mudar de amigos se percebermos que os amigos mudam! Provocar mudanças assim nos personagens tonam-os mais humanos e, por consequência, faz-nos ver que nem tudo é perfeito! Adorei a resenha… Vasta… Larga… Profunda!

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