Resenha: ‘Jogada Mortal – Harlan Coben’

Helloooo pessoas! Hoje vim trazer pra vocês o livro Jogada Mortal que, seguindo a ordem cronológica, é o segundo livro da série Myron Bolitar, do meu querido Harlan Coben. Esse livro foi lançado, aqui no Brasil, em Fevereiro/2012 pela Editora Arqueiro. Pra quem ainda não leu, segue o link da resenha do primeiro livro Quebra de Confiança.  E já adianto que, com esse livro, é bom se preparar para uma história com temas densos que mexem com o nosso coração. Mas antes de mais nada, bora pra sinopse:

“Aos 16 anos, Valerie Simpson já era finalista do Aberto de Tênis da França. Depois de brilhar nos circuitos internacionais do esporte, de repente tudo mudou. A jovem ficou reclusa e deixou de lado as competições de alto nível.
Seis anos depois, ela está disposta a retomar a carreira e procura Myron Bolitar para ser seu agente. Para ele – que já agencia Duane Richwood, cotado para vencer seu primeiro Grand Slam –, essa é uma ótima oportunidade. Mas seus planos têm fim quando Valerie é morta e Duane se torna o principal suspeito do assassinato.
Apesar de o rapaz estar em quadra na hora do crime, algo parece não se encaixar na história que conta à polícia. Ele garante não conhecer Valerie, mas seu número de telefone estava na agenda da jovem.
Insatisfeito com o rumo das investigações policiais, Myron sai em busca da verdade. E descobre que, além de prováveis ligações que a moça fez para Duane de um telefone público, há um passado de dor e mentiras que talvez leve ao verdadeiro motivo do crime.
Agora, com a ajuda do excêntrico Windsor Horne Lockwood III e da ex-profissional de luta livre Esperanza Diaz, Myron enfrentará inimigos poderosos que tentam a todo custo impedir que a verdade venha à tona.”

Jogada Mortal se passa meses depois de Quebra de Confiança e o livro começa com Myron e Win fazendo um jogo bem besta (e bem a cara deles) sobre os atores e personagens de uma série antiga do Batman enquanto assistem ao Aberto de Tênis, onde está jogando Duane Richwood, cliente de Myron e o mais novo jogador estrela do tênis mundial. Durante o jogo, Myron recebe uma ligação de Esperanza falando que Valerie Simpson, uma jogadora de tênis que largou a carreira há 6 anos, ligou para ele três vezes e que parecia um pouco abalada ao telefone, o que não era nada comum, já que Esperanza, a chamava de “Rainha do Gelo” por conta do seu jeito frio de ser. Pouco tempo depois de Myron desligar a ligação, ouve-se um barulho inconfundível de tiro. Myron e Win correm para ver o que está acontecendo e ao chegar até o local, Myron descobre que quem foi a vítima do disparo foi, ninguém menos, que Valerie Simpson e aí meus amores, a coisa começa a esquentar.

Myron se sente responsável por Valerie, não apenas pelo seu coração mole, mas também porque, primeiro: já tinha uns dias que ela vinha procurando por Myron porque ela queria voltar a ativa no Tênis; e segundo: porque ela havia tentado falar com ele minutos antes do seu assassinato. Além disso, a polícia está colocando Duane como suspeito porque Valerie tinha entrado em contato com ele uns dias antes de morrer, e o mais estranho disso é que ela tentou esconder esse contato ligando de um telefone público e, mais estranho ainda, Duane nega que teve contato com ela algum dia na vida. O que, obviamente, é mentira, e Myron quer saber o por quê de tudo isso.

“- Você está fazendo aquela cara – avisou Win.
– Que cara?

– Sua cara de ‘quero salvar o mundo’.”

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Conforme ele vai se aprofundando no caso de Valerie, Myron é levado a investigar um caso já encerrado anos atrás: o assassinato de Alexander Cross. Alexander, é filho de um senador muito influente e, na época do seu assassinato, era namorado de Valerie. Seis anos atrás, Alexander foi assassinado numa festa em um clube de tênis para grã-finos. Lá, ele topou com dois ladrões, perseguiu-os, entrou em confronto com eles e acabou sendo esfaqueado por um deles. Isso é o que diz o relatório da polícia, mas conforme a investigação toma forma, fica claro que não foi bem assim que as coisas aconteceram. O assassinato dele, levou Valerie a deixar a carreira do Tênis e ser internada numa clínica por conta de uma crise nervosa. O mais estranho de tudo isso, é que ninguém parece querer que Myron desvende esse mistério, desde o Senador Cross até Duane. Mas claro que isso só faz nosso querido “Sherlock Bolitar” se emprenhar ainda mais.

Mais uma vez, a investigação de Myron traz a tona a Família Ache. Quem leu Quebra de Confiança, sabe que essa família faz parte de uma máfia em Nova York e eles têm uma agência esportiva chama Tru-Pro que sempre acaba indo de encontro com os interesses  da MB Representações e, assim, de Myron, seja com seus clientes, seja com suas investigações. No livro passado, assim como nesse, os irmãos Ache acabam cruzando o caminho de Myron e, como uma espécie de ritual, eles o ameaçam de morte. Isso traz muita ação pra toda a história, sempre que Myron se encontra com os capangas da Tru-Pro, dá vontade de pegar a pipoca e só observar como Myron e Win acabam com eles (suspiros). Myron tem esse seu jeitinho especial de irritar esses dois irmãos e, ao mesmo tempo que eu rio dos comentários sarcásticos do Myron, eu fico preocupada que uma hora ele vai acabar se ferrando e eu vou ter um ataque cardíaco rs.

Agora falemos um pouco sobre assuntos mais sérios. Um dos temas que o livro aborda é o quanto atletas são cobrados desde cedo e muitas vezes não aguentam a pressão de ter que se superar cada vez mais. A fama, a inveja, a cobrança, a rivalidade muitas vezes acabam com a inocência de crianças que entram nesse mundo tão cedo, como foi o caso de Valerie e alguns outros competidores de tênis que são citados no livro. E isso é muito triste pois, se uma criança é muito boa num esporte, ela é muito boa porque gosta do que faz e se diverte fazendo aquilo. O problema é quando somamos a isso a ganancia e o poder de adultos, sejam eles os pais, treinadores ou agentes esportivos, que só pensam em tirar quanto dinheiro for possível do trabalho dessa criança. 

“Olha, Myron, a maioria achou que foi demais para ela, sabe? Aquela pressão toda. Valerie não aguentou o tranco. Quase nenhuma dessas crianças aguenta.”

Outro tema abordado nesse livro é abuso tanto sexual, quanto psicológico. Em um momento do livro, Myron descobre que um dos personagens abusa de adolescentes e isso sempre é um assunto que mexe muito comigo, que me deixa muito triste. Dá aquele embrulho no estômago e uma dor no coração por todas as crianças, adolescentes e adultos que passam ou já passaram por isso e como esses monstros muitas vezes conseguem sair impunes, como as pessoas muitas vezes acabam culpando as vítimas e como isso pode afetar toda a vida de alguém. Harlan traz esse assunto com muito tato e  eu sinto uma preocupação com a mensagem que será passada com a sua escrita.

“Esconder a verdade não seria como dizer à garota que ela deveria se envergonhar do que acontecera? Mas, pensando melhor, o que seria dela se a história viesse à tona? Myron estava perdido.”

Nesse livro temos um pouco mais de Windsor Horne Lockwood III e Esperanza Díaz, parceiros e amigos do Myron. Mas o destaque aqui vai para o Win que se mostra mais anti-herói que nunca. Ele continua muito realista e descrente da bondade do mundo. Sempre frio e fatalista, ele me deixa um pouco preocupada com tudo que eu imagino que deve se passar na cabeça dele. Alguém que vê apenas o lado ruim das coisas e a maldade nas pessoas, me passa a impressão de muito sofrimento e solidão. Eu gosto muito dele, apesar das suas ações mais que erradas (na verdade, errado é eufemismo no caso dele), mas eu não consigo não gostar dele. Acho que, por trás de todo esse muro que ele colocou ao redor de si, esconde uma escuridão imensa. Pode ser que eu esteja viajando, pode ser que não…espero ter a certeza nos próximos livros. No decorrer de Jogada Mortal, temos um pouco mais dele, da sua lealdade para com o Myron e as poucas pessoas com quem ele se importa; do seu senso do que é certo e o que é errado.

“É isso que Win faz. E ele é bom nisso, o melhor que já vi. Tudo com ele é preto no branco. Não existe ambiguidade moral. Se você passa dos limites, não tem perdão, nenhuma misericórdia, nenhuma chance de se justificar. Você está morto. Ponto final.”

Quanto à vida do meu amor nesse livro, ele está mais apaixonado do que nunca (não por mim, infelizmente). Ele ainda está com a Jéssica (Eca!) em um relacionamento que parece que vai durar por um tempo (pra minha infelicidade). Mas pelo menos, o ranço com a Jéssica não é apenas meu, Esperanza e a minha sogra, quer dizer, a mãe do Myron, também compartilham desse sentimento comigo, porque ela realmente o machucou no passado e eu não sinto a retribuição de todo o amor que Myron sente por ela. Temos alguns trechos que nos diz mais sobre tudo que aconteceu com eles no passado e o por quê da separação deles e o ranço só cresce. Já na parte profissional do Myron, conseguimos ter uma noção de como funciona o trabalho dele na MB Representações, como ele consegue clientes, que tipo de agente ele é e vemos como ele é confiante e sabe o que faz (suspiros, suspiros, suspiros).

Uma coisa que me chamou atenção em Quebra de Confiança e que pareceu novamente nesse livro, foi a reflexão que o Harlan faz sobre a morte e como a encaramos. Nos faz pensar em como não pensamos sobre os mortos em si. Morte é uma coisa natural e temos contato com ela todos os dias. É natural aparecer nos jornais matérias e estatísticas sobre mortes, sobre mortos, sobre assassinatos, sobre epidemias, sobre acidentes…1 pessoa assassinada durante um assalto, 10 pessoas mortas num acidente, 100 pessoas mortas na última epidemia, não sei quantos mil mortos por dia e são apenas números… passou na TV, chocou a sociedade, acabou…a nossa vida continua como se nada tivesse acontecido. Nos livros do Harlan, ele nos traz isso, de que mortos são pessoas que tiveram uma vida, que tinham sentimentos, que tinham um sonho, que tinham família, amigos…ele nos faz refletir sobre tudo isso e eu adoro isso na escrita dele. O Harlan lança um tema pesado, nos faz refletir e dispara um comentário sarcástico para aliviar o clima depois. Ele é demais! (suspiros, suspiros, suspiros)

“As gavetas. Havia uma parede inteira de gavetas imensas (…) Cabiam 40 corpos ali, 40 cadáveres em estado de putrefação. Pessoas que antes tinham vidas e famílias, amavam e eram amadas, que um dia se importaram com alguma coisa, lutaram e sonharam. Assustado? Por causa de um monte de gavetas? Você só pode estar brincando.”

Agora falando um pouco do trabalho da editora, eu adoro o trabalho da Arqueiro e com esse livro não foi diferente. A capa é linda como sempre e, ao contrário do livro anterior, tem tudo a ver com a história contada. As páginas são amareladas e a história é contada com fonte e espaçamento bons para uma leitura confortável. Os livros da Arqueiro costumam ter uma formatação simples, clássica e prática o que não torna o livro menos especial, a história se faz especial sozinha.

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Assim, muito reflexiva e num clima um tanto quanto mórbido, termino a resenha de hoje, deixando minhas 5 Angélicas para esse livro incrível e já vou correndo começar a ler o próximo livro da série, Sem Deixar Rastros. E aí, está gostando? Já conhece essa série? Me conta tudo aqui nos comentários!CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

10 comentários em “Resenha: ‘Jogada Mortal – Harlan Coben’

  1. Adoro temas relacionados s esportes e esse livro une assuntos que curto. Teu release me fez querer saber mais sobre a investigação, sobre a realidade dos personagens e tudo o que aconteceu. Gostei.

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  2. Oi, Leti!

    Então quer dizer que o senhor Sherlock Bolitar é seu crush? ❤ Eu vi, viu!.

    Ah, cara, que delícia é ler Coben, viu. Faz tempo que não leio algo dele e lendo sua resenha bateu saudade. O último que li foi QUEBRA DE CONFIANÇA mesmo, e confesso que não é um dos meus preferidos. Mas os livros do autor são sempre queridos. Não sei se quero ler todos dessa série, mas quero ler mais.

    Bjão,
    Diego, Blog Vida & Letras
    http://www.vidaeletras.com.br

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  3. Uau, que bela resenha, quero muito ler o autor, ele parece ser um autor espetacular de mistério, e mistério é comigo mesmo, também gostei muito dos temas abordados e fiquei curiosa com esse relacionamento do Myron

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