Resenha: ‘Correndo Descalça – Amy Harmon’

Oi gente!! Sabe quando você fica sabendo sobre a publicação de um livro e você só consegue surtar de alegria? Essa foi a minha reação quando soube que mais um livro da Amy Harmon seria publicado e que o escolhido era Correndo Descalça. Eu já falei desse livro numa resenha que esteve na página antes do blog ser criado e que depois veio pra cá, Running Barefoot. Eu amo tanto essa história que fiz questão de reler e resenhar novamente, mas antes confiram a sinopse…

“Um romance emocionante sobre amizade, amor e família, da autora de Beleza Perdida.
Quando Josie Jensen, a desajeitada menina prodígio da música, conhece Samuel Yates, um garoto confuso e revoltado descendente dos índios navajos, uma amizade improvável floresce. Apesar de ser cinco anos mais nova, Josie ensina a Samuel sobre palavras, música, sonhos, e com o tempo eles formam um forte vínculo de afinidade e amizade. Após se formar no colégio, Samuel abandona a cidadezinha sonolenta em busca de um futuro e uma vida diferente, deixando sua jovem amiga de coração partido.
Muitos anos depois, quando Samuel retorna, percebe que Josie necessita exatamente das coisas que ela lhe ofereceu na adolescência. Agora adultos, é a vez de Samuel ensinar a Josie sobre a vida e o amor e guiá-la para que ela encontre seu rumo, sua felicidade.
Profundamente romântico e emocionante, Correndo descalça é a história de uma garota do interior e um garoto indígena, sobre os laços que os ligam a suas casas e suas famílias e sobre o amor que lhes dá asas para voar.”

Josie perdeu a mãe quando tinha 9 anos e precisou crescer rápido demais. Ela passou a ser responsável pelas tarefas de casa e quando seu deu conta já tinha mais tarefas do que as outras meninas de sua idade. Não é que o pai de Josie tenha a obrigado a trabalhar, mas com uma casa cheia de homens trabalhando ou estudando fora, pareceu certo que ela assumisse esta responsabilidade.

Pouco tempo depois da morte de sua mãe, Josie conheceu Dr. Grimaldi e a esposa, Sonja. Eles são um casal de idosos que vieram para cidade para descansar e para que Doc pudesse escrever seu livro. Sonja foi professora de música por muitos anos e acaba reconhecendo em Josie um desejo imenso por música. Josie passa a frequentar a casa dos Grimaldis todas as tardes e Sonja acaba se tornando uma espécie de mãe/ avó para ela. A relação das duas vai muito além da música e Sonja se tornará muito importante para Josie.

Com 13 anos, Josie já tinha assumido todas as tarefas de casa e até mesmo tinha aprendido a cozinhar com as outras mulheres de Levan. A cidade é pequena, então Josie aprendeu um pouco com cada mulher que se importou de ensiná-la. Josie se tornou tão alto suficiente que com esta idade já tinha uma conta onde poderia administrar as despesas de casa, tinha sua própria horta além de frequentar a escola de manhã e todas as tardes estudar música com Sonja.

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Foi nessa época que conheceu, Samuel Yates, o neto de Don e Nettie Yates, um casal que mora quase em frente da casa de Josie e que ela conhece a vida toda. Só que ela não conhecia Samuel, pois ele é metade indígena e veio concluir os estudos fora da reserva. Samuel tem 18 anos, é metade branco, metade Navajo e portanto é uma pessoa muito diferente numa cidade formada por descendentes de dinamarqueses.

A amizade entre eles acontece de forma inusitada. Eles pegavam o mesmo ônibus pra escola e desciam no mesmo ponto na volta pra casa. Mas além de Samuel ser um mestiço ainda tem a diferença de idade entre eles, mas Josie não se sente uma menina de 13 anos e em vários momentos foi a salvadora de Samuel. Foi a amiga que ele tanto precisava e o ajudou a conquistar o sonho de entrar para os Fuzileiros Navais. E assim os dois se separam.

“- Se eu ficasse, você e eu não poderíamos continuar amigos.
– Porquê?
– Porque a nossa diferença de idade é um problema. Eu não deveria estar aqui com você agora. Eu só queria dizer adeus… porque a verdade é que você é a melhor amiga que já tive também, e melhores amigos não vão embora sem dizer adeus.”

Samuel retorna um pouco mais de dois anos, mas não é permanente e Josie fica muito magoada quando o velho amigo a trata com indiferença. O problema é que ela ainda é uma menina de 16 anos e ele seria um canalha de se envolver com ela. Samuel é tão respeitoso que mesmo amando Josie nunca tentou nada por saber que ela precisava crescer, que ela poderia até parecer uma adulta, mas no fundo ela ainda era era uma criança.

O que mais gosto nos livros da Amy é que eles são ricos. Dessa vez a autora trouxe a cultura Navajo, música erudita, literatura e citações bíblicas. Ué, mas Correndo Descalça é um livro religioso? Não, ele não é. Mas Josie é bastante religiosa e em alguns momentos, ela provou suas teorias para Samuel através de sua fé e da bíblia. Eu vi alguns comentários falando que a parte onde Samuel falava de sua cultura e a parte onde Josie falava de sua religião eram cansativas. Eu não acho, em cada momento onde eles conversaram sobre suas origens e crenças foram importantes para história.

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Fora que a amizade entre eles nasceu justamente pelas conversas que tinham sobre a origem de Samuel, sobre cada novo compositor que Josie descobria e todas as leituras que fizeram juntos. Ninguém nunca soube o quanto um significou para outro até que Samuel voltasse quase 10 anos após sua partida. Eles eram muito jovens, mas a amizade entre eles não seria vista com bons olhos por Josie ainda ser praticamente uma criança e Samuel um homem feito.

Eles se amaram, mas foi um amor puro e verdadeiro. Samuel se viu derrubando todas as suas barreiras para uma menina. Josie foi conquistando cada parte de Samuel e apesar dele ter partido, tudo que eles viveram no ônibus da escola nunca ficou para trás. Aqueles momentos ficaram marcados e mesmo quando Josie acreditou que nunca mais veria Samuel, seu coração fraquejou quando reencontrou o antigo amigo e primeiro amor.

“Você sempre teve essa luz que te fez parecer realeza… uma mente tão incrível, tal beleza e humildade. Você roubou meu fôlego, hora após hora, dia após dia, em um mal cheiroso ônibus escolar.”

Falar desse livro é fácil e ao mesmo tempo difícil. Eu ficaria aqui contando todas as minhas impressões sobre ele, mas aí tiraria a graça da leitura de vocês né? Vocês apenas precisam saber que esse é um dos livros mais sensíveis e doces da Amy. Uma história linda sobre amizade e primeiro amor. Sobre uma menina que teve que crescer rápido demais e de um menino que quis mostrar que ele poderia ser muito mais do que apenas um índio.

O livro conta a doce história de amor e amizade de Josie e Samuel, mas temos tantos outros personagens importantes para a construção desse livro. A mais marcante para mim foi Sonja. Ela apareceu na vida de Josie quando ela mais precisava de uma figura feminina e Sonja cumpriu esse papel. Além de ser sua mentora na música, teve toda a paciência de lidar com uma menina entrando na puberdade e que estava completamente perdida numa casa repleta de homens.

O livro é narrado em terceira pessoa assim como os demais livros da autora. A capa veio diferente da original, mas eu gosto do trabalho que a Verus fazendo com os livros da Amy. Eles estão criando uma identidade visual dos livros dela e assim podemos colocar todos lado a lado na estante e já identificar: isso aqui é Amy Harmon. A diagramação é simples com páginas amareladas, fonte e espaçamento confortáveis para a leitura. Temos partes onde a fonte é diferente por se tratar de cartas entre os personagens.

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Outro detalhe que eu sempre noto nos livros da Amy é de como o título de cada capítulo é importante e faz tanto sentido. Desta vez pelo livro ter um tema musical, cada capítulo tem um título dentro desse cenário. Eu torço muito que o trabalho da Amy seja reconhecido no Brasil e que mais livros dela sejam publicados, pois a escrita dela é fantástica. Já estou na expectativa que Correndo Descalça seja um grande sucesso e assim a Verus traga o meu livro preferido The Law of Moses, que por sinal se passa na mesma cidade deste livro e tem uma pequena participação de Josie Samuel.

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Enfim, não quero me estender mais, porém não poderia finalizar essa resenha sem dizer o quanto amo essa história. Samuel e Josie nos inspiram amar. Eles amaram tão forte e tão verdadeiramente que nem o tempo e a distância pode apagar tudo que os dois viveram. Sempre foi amor mesmo quando os dois eram jovens demais para entender. Sendo assim Correndo Descalça não poderia receber menos do que minhas 5 Angélicas carinhosas.CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

12 comentários em “Resenha: ‘Correndo Descalça – Amy Harmon’

  1. Quando duas almas gêmeas se encontram nem o tempo e a distância são capazes de fazer o sentimento tão profundo se esvanecer. Achei o enredo muito singelo e delicado, um amor puro que nasce a partir de uma bela amizade. A abordagem da cultura nativa americana é outro ponto alto.

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  2. Olá, amo protagonistas autossuficiente, isso faz com que eu sempre me interesse pelo livro haha entao ja amei a indicação.. A resenha ficou muito boa e super detalhada quanto ao enredo e me fez curiosa para adentrar na história! Obrigada pela dica!

    Beijos

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  3. Ai Dri, bem sabemos o amor gigantesco que sentimos por essa mulher. O meu livro já ta no carrinho de comprar, só esperando seu momento. A história já tocou meu coração só de ler você falando. Fiquei aqui encantada pelo amor mais puro que poderia nascer entre os dois. E aaaaah, me deu saudades do outros dois haha vou reler BP e postar aqui *oh as desculpas rs*
    Amei a resenha e as fotos também! E simmmmmmmmmmmmm! Pelo amor, precisam, não só valorizar essa mulher, mas trazerem ela pro Brasil. Não espero nada menos da Verus haha
    Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  4. Oi Adriana! =) Como vai?

    Nunca li um livro da autora, mas devo dizer que o que li na sua resenha me deixou encantado e com vontade. Achei um enredo tão “atípico”, personagens tão incomuns dos livros que costumo ler: um rapaz indígena e sua cultura, uma menina do interior aprendendo a se virar sozinha… gostei demais, cara. Gostaria de fazer essa leitura.

    Diego ~ Blog Vida & Letras http://www.vidaeletras.com.br

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