Resenha: ‘Um Perfeito Cavalheiro – Julia Quinn’ 

Oooi oi pessoas!! Estou de volta abrindo mais um mês na companhia dos Bridgertons. E desta vez trazendo Benedict e Sophie, um casal que tinha todas as chances contra eles. Este é o terceiro livro desta série que conquistou muitos corações. Tem resenha dos livros anteriores aqui no blog, O Duque e Eu  e O Visconde Que Me Amava. Vem comigo saber o que achei de Um Perfeito Cavalheiro, mas antes confere a sinopse:

“Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.” 

Sophie nunca chegou a conhecer sua mãe, que morreu durante seu parto, e tem poucas memórias com a avó materna, que a deixou em frente a casa de seu pai, quando ela tinha três anos. O conde Richard Gunningworth só precisou ler o bilhete que estava com ela e olhá-la atentamente para saber que Sophie era sua filha. Mais isso não muda o fato de que ela era uma bastarda, então para justificar o surgimento de uma criança em sua vida, o conde de Penwood alegou que Sophie era filha de um falecido velho amigo e que ele a tornaria sua pupila a partir daquele momento. É claro que ninguém acreditou naquela conversa, mas ninguém se atreveria a dizer uma palavra sobre isso.

Então Sophie cresceu em Penwood Park, sendo criada pela governanta e o mordomo e tendo todos os outros criados como sua família. Ela quase não via o conde, e também não sentia sua falta, mas as poucas vezes que ele vinha a Londres ele dedicava um pouco do seu tempo a ela. Sophie sempre soube que ele era seu pai. Não que alguém tenha lhe contado, ela só sabia. Era como uma verdade pairando no ar.

Sua vida até que era boa, apesar de Sophie se sentir sozinha a maior parte do tempo. Ela tinha tudo do bom e do melhor disponível, mas nunca podia sair de casa e apesar dos empregados a tratarem bem, não tinham tempo de lhe fazer companhia. Então quando vem a notícia que o conde iria se casar e que sua futura esposa tinha duas filhas quase da sua idade e que viriam morar em Londres, na mesma casa que ela, Sophie não poderia ter ficado mais feliz. Mas essa felicidade não durou muito.

Araminta odiou Sophie desde o momento que colocou os olhos nela. Era óbvio que Sophie era a filha do conde, apesar do que era dito, e ela não suportava a ideia de ter uma bastarda morando com eles. A nova condessa então deixa bem claro que não quer contato algum com Sophie e embora o conde se negue a tirar as coisas dela, como por exemplo as suas aulas de aprendizado ou qualquer outra atividade que Sophie já fazia, a condessa obriga suas filhas a não reconhecerem a presença da garota e quando se cruzavam, não a tratavam bem.

Depois da morte do conde as coisas só pioram para Sophie que para poder continuar tendo um lugar para morar, vira criada da condessa. A condessa só despreza ainda mais Sophie, principalmente porque ela não conseguiu dar um herdeiro ao conde, perdendo assim o título da família. Rosamund a trata com o mesmo desprezo que a mãe e apesar de Posy ser a única que a trata bem, ainda assim a trata como empregada. Sophie se revolta com esta situação pois dentre todas elas, a única com mais direitos ali é Sophie, que bastarda ou não, é do mesmo sangue que o conde. Tudo o que ela sempre quis foi uma família de verdade, que a amasse e ela sentiu um ressentimento enorme pelo conde ter deixado ela nas mãos da ‘madrasta má’.

Quando é anunciado um baile de máscaras na casa dos Bridgertons, que não fica muito longe de sua casa, tudo muda na vida de Sophie. Começa com a governanta sendo uma ‘fada madrinha’ e dando um jeito de Sophie ir ao baile escondido. Sophie fica irreconhecível e vai aproveitar essa única chance para viver como desejou, pelo menos por uma noite. Ela só não esperava conhecer Benedict Bridgerton e ter a melhor noite da sua vida em sua companhia.

“– Esta noite eu estou transformada – sussurrou ela. – Amanhã, eu desaparecerei.
Benedict a puxou para perto e deu um beijo breve e suave na sobrancelha dela. – Então teremos que fazer uma vida inteira caber nesta noite.”

Mas o relógio bate a meia-noite, trazendo Sophie para a realidade e ela vai embora correndo sem dar a Benedict nenhuma pista de quem ela seja. Benedict faz sua missão de vida encontrar a misteriosa dama mascarada que o encantou de todas as formas. Ele chega a ir até a casa de Sophie, pois a luva que ela deixou para trás – claro que ela deixaria algo para trás né rs – tem o brasão de Penwood. Mas ele nunca iria imaginar que a mulher que quer desesperadamente encontrar seria a criada da casa. Logo em seguida, a condessa descobre que Sophie foi ao baile e a expulsa de casa, deixando a menina a própria sorte.

Algum tempo se passa e Benedict nunca esqueceu a adorável moça com quem teve aquele incrível encontro. Ele a procurou e procurou, sem sucesso algum. Ele está na idade para se casar e sua mãe, Lady Bridgerton, já está em seu encalço para que isso aconteça, mas ele não consegue se imaginar casado com alguém que não seja a dama mascarada. Pode parecer muito superficial, afinal ele não sabe nem quem ela é, mas foi a única pessoa em toda a sua vida que não viu ele apenas como mais um Bridgerton. Só que isso pode começar a mudar assim que (re)encontrar Sophie.

Sophie estava em apuros quando reencontrou Benedict depois de tanto tempo. Ele a salvou de alguns caras maus e prometeu que a levaria para sua mãe, que com certeza arrumaria um emprego para ela. Ele não reconhece Sophie, mas nossa mocinha sabe muito bem quem ele é. Ela sonha com ele desde o baile de máscaras. Ela só não pode acreditar que ele está na sua frente mais uma vez e não consegue evitar se sentir um pouco decepcionada por ele não reconhecê-la. Mas ela logo trata de se recuperar, pois não quer que ele saiba quem ela é realmente. Ela sabe que eles nunca poderiam se envolver de verdade e não poderia suportar ele se decepcionando com ela.

Depois de uma noite de tempestade em que ela cuida de um Benedict doente, ele está totalmente agradecido e surpreendentemente apegado a Sophie. Logo que chegam a Casa Bridgerton, a mãe de Ben já trata de contratar nossa mocinha para trabalhar em sua casa. Sophie se nega a princípio, mas ela não tem pra onde ir e se vê encantada com a família Bridgerton. Ela pode sentir o amor emanando de todos e se sente bem em estar ali. Ela é tratada com um carinho que jamais esperaria. Ben não mora ali mas passa a frequentar a casa mais vezes apenas para encontrá-la.

A amizade entre os dois não demora a crescer e se tornar algo mais. Mas quando Benedict lhe pede para ser sua amante, Sophie se nega totalmente. Ela não quer se tornar como sua mãe e muito menos arriscar ter um filho que seria um bastardo como ela. Afinal Benedict não pode se casar com ela por ser uma criada, mas teria que se casar em algum momento. Ela não pode suportar a ideia que um dia seu filho passe por um terço do que ela passou.

“– Acho que preciso beijá-la – acrescentou Benedict, parecendo não acreditar direito nas próprias palavras. – É como respirar. Não há muita escolha.”

Benedict não entende a princípio. Ele tem sentimentos por ela, nunca a trataria mal e o principal, depois de muito tempo ele já não pensa mais na dama misteriosa. Mas quanto mais pensa nisso menos ele gosta da ideia de Sophie ser uma amante. A paixão acaba falando mais alto, mas sabemos que isso não é a única coisa entre esses dois. Tem verdades que precisam e virão à tona. Todos os pontos soltos serão ligados e eles vão perceber que o amor é uma arma poderosa e descobrir o que vale mesmo a pena no final.

Eu já tive alguns vislumbres de Benedict nos livros anteriores, mas nada muito profundo. Ele é o segundo de oito irmãos e apesar de não ter nenhum título, carrega a beleza e o carisma tão característicos dessa grande família. Mas muito mais que um Bridgerton, ele é um homem extremamente gentil e eu o amei logo de cara. Ele é um artista e só quer ser reconhecido como ele mesmo, uma pessoa além de seu sobrenome. Ele me deixou sem palavras em vários momentos.

“– Eu posso viver com você me odiando – disse ele em direção à porta fechada. – Só não posso viver sem você.”

Sophie é uma pessoa muito amável. Eu quis abraçá-la muitas vezes. O que eu mais amei nela foi seu temperamento. Ela está sempre tendo que se lembrar que é uma criada e deve ser contida, mas com Benedict ela começa aos poucos ser ela mesma. A pessoa espirituosa e inteligente vem à tona. Eu me diverti muito com suas interações. Ela é forte e leva tudo de cabeça erguida. Ela merece e muito toda a felicidade.

Acho que não preciso dizer que eu detesto a condessa e sua filha Rosamund. Já Posy é bem diferente da mãe e irmã. Desta vez Lady Bridgerton aparece e muito. Ela vai ajudar Sophie em diversos momentos e será uma peça muito importante para o casal. Os outros irmãos Bridgertons aparecem também, mas vou citar um em especial.. Colin *suspiros bem altos*. Ele e Ben vão ter um dos momentos que mais gosto no livro. Simples, mas esclarecedor.

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A diagramação é simples e segue o padrão dos outros livros com a página amarelada e fonte de um tamanho ótimo para leitura. O livro segue em terceira pessoa, com o ponto de vista dos protagonistas. Lady Whistledown ainda nos abre cada capítulo especulando e comentando sobre a sociedade londrina. Alias é através dela que Sophie ficava por dentro de tudo o que acontecia na sociedade enquanto morava na casa de seu pai. Sophie tem muita admiração pela cronista e tem um momento divertido envolvendo isso rs.

Mesmo sendo a princípio uma releitura de Cinderela e temos sim muitas coisas em comum com o conto de fadas para provar isso, a trama cria suas próprias pernas e conta uma história de amor genuína, linda e pura. Confesso que fui um pouco cética no início por medo de me deparar com uma cópia nada convincente, mas me surpreendi muito e tive minhas expectativas superadas.

Mesmo com todos os clichês – muito bem escritos por sinal – temos o toque de Julia Quinn em cada dose de comédia, romance e drama que se casam perfeitamente. Vale muito a pena conferir esta história que leva minhas 4 Angélicas. Espero vocês no próximo mês. CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

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17 comentários em “Resenha: ‘Um Perfeito Cavalheiro – Julia Quinn’ 

  1. Oi, meu bem!

    Então, ao contrário do outro livro da Quinn, do da Herdeira, eu não tenho muuuita curiosidade não. Eu não gosto desse clichê de personagem mal a toda vida, etc. Inclusive, isso me incomoda bastante atualmente. Não que não possa e nem que também não tenha justificativa, etc, mas, sei lá, tô quase suspirando aqui sem saber o que dizer bem.

    Achei a ideia legal, gosto de releituras de contos de fadas, mas me pareceu tanto mais do mesmo que não tive muita vontade. Obrigada pela indicação. ❤

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  2. Primeiramente, parabéns pela descrição. Muito bem colocada, assim com a formatação do texto. Contudo, a trama me pareceu uma cópia meio explícita dA Gata Borralheira com Romeu e Julieta (na parte onde existe “um amor impossível”) mas nesse caso, por questões de “castas”, estilo novelas mexicanas. É isso mesmo? Parabéns de novo pela postagem e obrigado por compartilhar.

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  3. Eu gosto muito da historia da Cinderela (principalmente as versões modernas dos filmes) e apenas pela fato desse livro ser uma releitura da historia já me fez ficar mega interessada. Apesar de ser meio que “baseada” na Cind (apelido da Cinderela) eu senti que Sophie é bem diferente dela, ela é comportada, doce e ao mesmo forte, engraçada e destemida. Eu adorei a resenha e quero mto ler essa historia.

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  4. Eu sinto que “A Herdeira” além de ter uma pegada Cinderela tem um estilo “Romeu e Julieta” também por ser meio que um amor proibido. Eu estou completamente apaixonada pela Sophie, ela é tão incrivel e consegue me lembrar tanto a Cind e ao mesmo tempo a Julieta, porém mto melhor que as duas juntas.

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  5. O que? Não creio que ele pediu para Sophie ser amante dele. Ok que ela é a mulher mascarada, mas meu, que mancada pedir para uma mulher ser sua amante. A Sophie é uma personagem encantadora, que sofreu tanrto nessa vida e mesmo assim nunca tirou o sorriso do rosto.

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    1. Eu fiquei meio puta com isso rsrs mas depois me lembrei que somos transportados para o século XIX aqui, onde os costumes, como diversas outras coisas, eram diferentes. Durante a leitura, compreendemos melhor.

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  6. Acho interessantes essas releituras, você tem a possibilidade de dar um novo formato ao conto, porém eu não costumo ler o tipo, porque eu sinto como se fosse uma cópia. Apenas algo particular. De qualquer forma, obrigada pela dica. E parabéns pela resenha bem feita.

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  7. Ai Anna, a cada resenha, sinto que já passou da hora de conhecer essa família. Já to como? Fazendo todos os cálculos pra BF haha
    Fiquei tão curiosa pra saber algumas coisas. Tu vai me dar spoiler? Hahaha e também já odiei madrasta e filha.
    E nossa, eu to na expectativa da resenha do livro do Colin já haha
    Amei a resenha, parabéns. Beijos.
    https://almde50tons.wordpress.com

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  8. Acho interessante essa releitura do clássico tradicional no pós-moderno… Embora a temática não evolua tanto… mas é de fato o pedido para o destaque, por vezes, nas “telas”…

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  9. Ainda não li nenhum livro desta autora, mas tenho ja uma admiração pelas resenhas encontras. ainda mais este com baile de mascaras mostras aquele certo ar misterioso dos romances embora possa ter cliches, mas livros romantico são assim mesmo. O que nos prende mais é o caminho. Beijos

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