Resenha ‘Tartarugas até lá Embaixo – John Green’

Oi ooooi gente! Hoje eu vim trazer a resenha do novo livro do John Green que estava há anos sem escrever nada. O autor deu um tempo da escrita, após o sucesso enorme de A Culpa é das Estrelas. Divulgou os filmes de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel e se sentia inseguro de escrever algo novo, mas agora retorna com um livro muito pessoal para o autor, afinal, ele retratar o TOC, algo que o acompanha desde criança. A Editora Intrínseca trouxe o livro para cá em outubro, com lançamento simultâneo com os EUA. Mas antes de falar mais, vamos a sinopse…

Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, o autor do inesquecível “A Culpa é das Estrelas”, lança o mais pessoal de todos os seus livros: “Tartarugas Até Lá Embaixo”
A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto tenta lidar com o próprio transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, distúrbio mental que o afeta desde a infância –, “Tartarugas Até Lá Embaixo” tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.

O livro conta a história da Aza, uma adolescente que levaria uma vida super comum, se não fosse o seu TOC (transtorno obsessivo-compulsivo). Aza não fica isolada, ela tem amigos, porém enquanto todos conversam a sua volta, ela fica presa em seu mundo pensando em quantas microbactérias podem ter ao seu redor, ou seguir cutucando seu machucado permanente no dedão e até mesmo questionar coisas como o horário do almoço na escola.

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Sua melhor amiga é Daisy, que podemos dizer que é o oposto de Aza, o que talvez faça com que eles se encaixem tão bem. É Daisy que ela insiste para que Aza e ela se envolvam na investigação do desaparecimento do bilionário Russell Picket, afinal, a recompensa por informações que levem até ele é de 100 mil dólares. Então elas começam a seguir pistas que possam levar até Picket.

Sempre me senti incapaz de pensar direito, de concluir pensamentos, porque eles me vinham à cabeça não em linhas retas, mas num emaranhado de nós, enroscados uns nos outros, em areia movediça, sendo engolidos por buracos negros. 

Logo quando começam a seguir as pistas, Aza se lembra que conhece Davis, filho do bilionário desaparecido, eles frequentaram acampamentos de depressão quando crianças. Daisy incentiva que ela vá atrás do menino para ver se consegue descobrir mais coisas.

Mas, quando o reencontro entre Davis e Aza acontece, ela entende o quanto toda a história do desaparecimento do pai vem mexendo com ele e seu irmão, Noah. Ele conta que tudo que envolve esse desaparecimento tem deixado seu irmão muito triste e até mesmo rebelde. Afinal, o pai desapareceu porque estava fugindo da polícia. Para fazer com que as meninas desistam de procurar informações que levem ao bilionário, Davis oferece a mesma quantia da recompensa.

– Você dá poder demais aos seus pensamentos, Aza. São apenas pensamentos. Eles não são você. Você pertence a si mesma, mesmo quando seus pensamentos não pertencem. 

A investigação é deixada um pouco de lado, mas as meninas nunca esquecem todas as informações que coletaram e, algumas vezes, o que a gente menos espera pode pular no nosso colo, em um momento totalmente aleatório. A história então passa a se tratar sobre as amizades e possíveis romances na vida da Aza. Com seus pensamentos sempre disparando, a trama vai mostrar como uma simples coisa pode ser difícil na vida de quem lida com TOC.

Sobre os personagens, Aza é a que nos dá uma amostra de como é difícil lidar com uma doença mental. Ela tenta o tempo todo ter controle do seu “eu”, enquanto seus pensamentos voam para os mais diversos lados. Ela queria poder se concentram melhor nas amizades e até em um possível romance, mas é difícil se manter ali, sem pensar em milhões de bactérias que uma troca de beijo pode ter, por exemplo. Aza faz acompanhamento com uma psiquiatra desde criança e ela tenta mostrar que a menina é dona de si, mas é algo muito difícil. Fica ainda mais complicado com o fato de que Aza não toma os medicamentos como ordenado.

A vida é uma sequência de escolhas entre incertezas. 

Daisy, como já disse, é o oposto de Aza. É muito falante e adora ouvir sua própria voz. É popular na internet, afinal, é uma autora famosa de fanfics de Star Wars. Ela se esforça para manter essa amizade e mesmo com altos e baixos, consegue. Ela gosta muito de Aza e o momento que ela entende como é que a amiga se sente e sofre com seus próprios pensamentos, é uma das cenas mais bonitas do livro. A personagem também é muito cativante, com seu jeito serelepe.

Davis é um menino doce e humilde, mesmo sendo bilionário. Com o desaparecimento do pai, ele assume toda a responsabilidade pelo irmão, que está passando por uma fase difícil. Ele é um menino sensível, que escreve poesias de forma anônima na internet. Ele também tenta ajudar Aza com seus pensamentos, falando que gosta dela do jeito que é, lidando com as travas que ela acaba tendo.

[…] mas imagina só como é realmente estar presa na minha cabeça, sem ter como sair, sem ter um minuto de descanso. Porque essa é a minha vida.

Apesar de ter uma investigação como pano de fundo, o que é o grande destaque do livro são os pensamentos de Aza e sua doença. Como o autor convive com TOC, ele trás de forma clara e objetiva como é a mente de quem convive com a doença. Mostra como as compulsões, obsessões e pensamentos de quem convive com isso pode dificultar a vida de quem tem que lidar com isso todos os dias. É um tema muito importante, no tempo que estamos vivendo, alguém tratar o assunto de forma série, crua e real. O livro trás muita reflexão sobre isso, para os leitores.

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Sobre a diagramação, o trabalho da editora é sempre muito bom. As folhas são amareladas, com letras e espaçamento confortável para a leitura. A capa é a mesma da original. O nome é a tradução literal, que é explicado de uma forma, um tanto quanto, filosófica durante o livro.

Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.

Como fã do John Green, fiquei feliz com sua volta e como ele decidiu voltar com um livro que conta a sua verdade. Apesar de ter uma doença mental como foco, o livro é leve, com partes engraçadas, provas de amizade e amor. O ator trás um presente pro seu público, contando a sua verdade e mostrando o que ele sofre desde a infância. Com isso, acredito que, finalmente, consigo até entender o seu medo de lançar outro livro depois de A Culpa é das Estrelas e não agradar o público da mesma forma, afinal, isso faz parte dele.

Se você tem ressalvas com o John Green, peço que as coloque de lado e dê uma chance a Tartarugas até lá Embaixo. O livro é mais que uma história sobre investigação, é uma história sobre sentimentos e a busca de uma adolescente pelo controle do seu “eu”. A volta de John Green leva as cinco Angélicas.CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

 

 

 

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32 comentários em “Resenha ‘Tartarugas até lá Embaixo – John Green’

  1. Nunca li John Green e acho que devo começar por esse livro, já que eu fiquei muito curioso para conhecer a Aza, você aconselha começar por ele?
    Eu vi também [SPOILER: na verdade não sei se é spoiler, mas melhor prevenir] de que o próprio John Green aparece? Não se se é verdade, mas fiquei ainda mais curioso! Ótima resenha! 🙂

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    1. Oi! Ai, eu começaria por ele sim. É um livro muito bom, vai que tu cai em um dos antigos dele, que não é tão bom assim e desanima, né?!
      Não é verdade não. O John em si não aparece. Mas como ele sofre da mesmo doença que a protagonista, a alma dele esta ali.
      Obrigada. Beijos

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  2. Oi Raíssa, tudo bem?

    Desde que o Jhon lançou seu novo livro eu estou louca para lê-lo, pois o tema deste livro parece ser totalmente novo e de certa forma, foge do que estávamos acostumados. Já li todos os livros do autor, mas acho que esse se tornará meu favorito, pois gosto de livros que falem sobre a mente humana e como ela se comporta. Parece ser um ótimo livro e você fez uma bela resenha!

    Beijos!

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    1. Oi Alice! Acho que tive a mesma impressão que você. O John trouxe um tema novo e quase inédito e já sai na frente com isso.
      Acho que vai gostar mesmo, é super interessante de ver como eles pensam e se sentem. Obrigada. Beijos.

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  3. Olá tudo bem? Confesso que apesar do grande sucesso de “A culpa é das estrelas” e “cidades de papel” e de ter lido os dois, eu não consegui gostar do autor. Mas esse livro merece uma chance porque gostei muito da sua resenha, então darei uma chance a ele, e mais uma chance ao autor.
    Espero gostar dessa vez rs
    Bjs

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    1. Oi Jaqueline! Conheço muita gente igual a você. Principalmente com os livros. Eu gosto dos livros do John, mas eles acabam sendo muito clichê. Esse vem numa abordagem diferente. Talvez você goste. Beijos.

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  4. Olá
    Esse livro está bombando heim, não gosto muito do autor, mas ando bem curiosa com o livro por conta do TOC, eu cheguei a ter um relacionado a um trauma que tive e ainda hoje de vez em quando tenho uns pensamentos intrusos, por isso eu gostaria de saber como o transtorno é retratado no livro.

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  5. Já estava com vontade de ler este livro apesar de não ser uma fã do trabalho do autor li apenas dois livros dele. Mas esta história e bem cativante da vontade de ler. Ele foi corajoso se expondo desta forma através da sua escrita.
    Ótima resenha.
    Adorei este quote
    “Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.”

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    1. Oi Jussara! Nossa, é o que eu mais tenho lido haha. O John fez muita gente amá-lo com A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, mas também fez muita gente desgostas haha
      Mas esse é diferente dos outros livros. Acho que até pela entrega dele.
      E eu também amei esse quote. É o melhor do livro, certeza!

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    1. Oi Diego! Ai, eu te entendo. Conheço muita gente assim. E não só com ACEDE, mas Cidades de Papel também. Mas sinto que a escrita dele mudou nesse livro. Acho que por ele se colocar de verdade.

      Tomara que você goste. Beijos.

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  6. Oiee!
    Eu prometi para mim que nunca mais iria ler nada do JG. Que radical, né!? rs. Mas, cara, depois de ACEDE nenhum outro livro dele me conquistou. Achei tão chatinhos. Mas agora que lançou esse fiquei com muita vontade de ler, tanto que já comprei e está aqui na estante só esperando a vez dele. Tenho lido coisas ótimas assim como sua opinião sobre a história,
    Então… tenho esperança.

    Bjão
    Diego, Blog Vida & Letras
    http://www.blogvidaeletras.blogspot.com
    Instagram: http://instagram.com/vidaeletras

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Diego! Ai, não sei se é meio radical, mas é a opinião de muita gente haha. Acho que John espantou mt gente com ACEDE e Cidades de Papel.
      Acho que esse dispertou a vontade pelo tema. Vou torcer para você gostar. Beijos.

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