Resenha: ‘Willow – Julia Hoban’ 

​Oiiiiii oi pessoal. A resenha de hoje é de um romance, com uma dose de drama, mas também de certa forma, fofo. Recebemos ‘Willow’ em parceria com a editora Leya e estou feliz em desabafar – sem spoilers rs – sobre o que eu achei.

Primeiro, confere a sinopse:

Sete meses atrás, em uma noite chuvosa de março, os pais de Willow acabaram bebendo muito durante o jantar e pediram a ela que guiasse o carro até em casa. Por uma fatalidade, Willow perdeu o controle do veículo e seus pais morreram no acidente. 
Consumida pela culpa, Willow deixa para trás sua casa, amigos e escola e, enquanto tenta retomar a relação de afeto e companheirismo com o irmão mais velho, secretamente bloqueia a dor da perda cortando a si mesma. Mas quando Willow encontra Guy, um rapaz tão sensível e complexo quanto ela, mudanças intensas começam a acontecer, virando seu mundo de cabeça para baixo.Contado de modo cativante e doce, Willow é um romance inesquecível sobre a luta de uma jovem para lidar com a tragédia familiar e com o medo de se deixar viver uma linda história de amor e cumplicidade.

Willow é uma garota de 17 anos que meses atras se envolveu em um terrível acidente, no qual acabou perdendo seus pais. Eles beberam demais naquela noite e Willow, que tinha 16 anos na época e estava com sua carteira de motorista provisória, teve que dirigir de volta para casa em meio a uma das piores tempestades do ano. Sua vida então muda completamente e ela tem que se mudar para casa do irmão David, com sua cunhada Cathy e sua sobrinha recém nascida Isabelle.

A relação de Willow com o irmão muda drasticamente, eles quase não se falam, e quando acontece, são coisas bem triviais. O assunto dos pais é totalmente ignorado e Willow tem absoluta certeza que David a odeia. Ela acredita que é a culpada da morte dos pais e se sente um estorvo na vida do irmão e da cunhada. Willow não consegue lidar com a dor e em um dia que ela vai buscar umas coisas na casa que morava com os pais, um lugar cheio de lembranças, Willow descobre que a dor física é muito melhor que a emocional e que a ajuda a lidar com toda a dor.

A partir daí, Willow começa a se cortar. No começo é o modo que ela acha de aguentar tudo, mas depois é também uma forma de ela se punir por toda a culpa que sente. Ela prefere se ferir, a sentir a dor da perda e da culpa. Todas as vezes que imagens do acidente surgem em sua mente, quando a dor é demais para suportar, ou quando ela vê escondida seu irmão chorando de madrugada. Ela queria ser forte como ele e conseguir chorar assim, extravasar desta forma a dor, mas ela não consegue e sempre acaba se cortando. Ela não imagina um dia que ela vá parar com isso.

“- Nada disso é sua culpa. Você chegou a considerar que talvez foi irresponsável da parte deles beber daquele jeito, a ponto de uma garota de dezesseis anos com uma licença provisória ter que dirigir em meio a uma das piores tempestades do ano?” 

Até que Willow conhece Guy. Eles se encontram pela primeira vez na biblioteca onde ela trabalha para ajudar nas despesas da casa. Guy tenta puxar um assunto e conhecer ela melhor, mas Willow não quer se aproximar de ninguém no momento. Claro que Guy fica intrigado com ela. Eles descobrem que estudam na mesma escola e Guy faz parte de um grupo de amigos que Willow vai começar a se aproximar.

Apesar de Willow tentar fugir, Guy consegue sempre seu caminho até ela, até que ele acaba descobrindo o segredo de Willow. Não pensem que Guy vai concordar com o que ela faz. Seu primeiro instinto é sair correndo atrás de David, irmão de Willow, para contar a ele. Não por Guy ser fofoqueiro ou algo assim, mas porque ele vê algo de especial em nossa mocinha e tem um reflexo de protegê-la, e não é só isso! Seu primeiro pensamento é que ela quer se matar e como qualquer ser humano com compaixão, ele se vê na obrigação de fazer alguma coisa para impedir.

Mas Willow o impede bem a tempo e explica tudo para ele. Ela não deseja se matar, se cortar é só uma fuga da realidade. E ela não quer que David descubra pra não adicionar mais um fardo na vida do irmão. Guy não entende ou mesmo aceita, mas respeita o momento de Willow. Muito relutante, ele concorda em não contar a David, na condição de que Willow ligue para ele sempre que sentir a necessidade de se ferir. Guy fica bastante irritado com toda a situação. Ele não precisa e não quer ter essa responsabilidade em sua vida, ele se sente responsável por ela agora, mas mesmo assim ele fica cada vez mais próximo de Willow. Ele é tão atencioso e apaixonante.

Guy é a única pessoa que conhece Willow de verdade agora. Ele escuta ela, diz até o que ela não quer ouvir. Consegue ler ela como ninguém. E conforme o tempo vai passando e eles se aproximam cada vez mais, Willow vai diminuindo as vezes em que se corta, vai aprendendo a lidar melhor com tudo a sua volta. Até amigos ela faz. É o grupo de amigos que disse lá em cima. Junto com Laurie, Adrian, Andy, Chloe e Guy, Willow vai passar por alguns bons momentos e se divertir com uma pessoa ‘normal’ outra vez.

“-As palavras do seu irmão sobre responsabilidade voltam à sua mente, sobre o que significa necessariamente amar alguém. E ela sabe que essa responsabilidade tem que começar com ela e que se, no passado, cortar-se era a melhor maneira que ela conhecia de cuidar de si, há um caminho diferente aberto agora.” 

Apesar de amar a relação de Willow com Guy e torcer por eles, o relacionamento que eu mais quis que desse certo, é o dela com o irmão. Eu sofria com Willow pelo espaço enorme que existia entre eles, pela falta de diálogo. Como eu ansiei durante toda a leitura por uma conversa de verdade dos dois e quando chegou o momento eu me frustrei demais. Não posso dizer o porque, senão posso dar spoilers, mas não sei se por eu ter criado tanta expectativa, não foi o suficiente para mim. E talvez, nem para Willow.

Apesar do tema um tanto pesado e muito falado nesses últimos meses, não é discutido à fundo, muitas vezes. Conforme Willow conta e mostra como se sente, mesmo nas cenas em que ela se corta, eu sofri junto com ela, quase como se fosse eu mesma ali. Toda a explicação passa uma verdade absurda. Compreendemos e muito os motivos dela. Eu não concordei, mas entendi tudo o que ela estava tentando passar. Por isso eu torci mais ainda para ela conseguir se livrar da necessidade de se cortar. Guy é fundamental neste processo de cura.

Mesmo com este tema, a autora conseguiu passar toda a mensagem com uma leveza incrível. Tem um pouco de tudo na medida certa. Romance, amizade, drama e diversão. Eu que costumo fugir um pouco de drama ~mas confesso 🙈~ adorei a forma como foi explorado. Sem falar nesta capa linda, que casa muito com a história. As páginas são levemente amareladas, com letras grandes, ótimo para ter uma leitura confortável.

Será que Willow será capaz de ser feliz ao lado de Guy? Voltar a ter a relação incrível que tinha com o irmão? Finalmente se livrar das navalhas? Tantas perguntas rs. O que posso dizer é que eu gostei muito deste livro, apesar de achar o final um tanto vago e que merecia pelo menos um epílogo, vale muito a pena a leitura. É superação pura. Aprender a confiar em alguém para dividir o problemas e o mais importante: enfrentá-los, não importa o quão dolorosos são, sempre é o melhor caminho, ainda mais se há alguém do nosso lado que nos apoia. Deixo aqui minhas 4 Angélicas.CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

 

 

9 comentários em “Resenha: ‘Willow – Julia Hoban’ 

    1. Mari, tem seus momentos de drama sim, mas também tem uma escrita tão leve, que esses momentos não ficam tão pesados.

      Feliz que gostou.
      Beeijos !! 😘

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  1. Um livro com um bom drama, um incio de história bem construído e forte e com um romance inserido no momento de tentativa da superação de uma tragedia. Ingredientes certos para um bom livro. Gostei muito de sua resenha e me interessei pelo livro.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Olá!
    ao ler a sinopse pensei: que história forte, pesada. Ao ler a sua resenha, tive a certeza de que era uma história pesada, mas muito bem trabalhada pela autora. Gostei do fato de a trama trazer outras discussões inseridas no contexto da narrativa.

    Curtido por 1 pessoa

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