Resenha ‘O Sétimo Dia – Kerry Drewery’

Oi oooi gente! Hoje tem resenha do segundo livro da Trilogia A Cela. Pra quem ainda não conhece e quiser dar uma olhada no primeiro livro, temos resenha dele AQUI. O livro foi lançado na Bienal, pela Astral Cultural, e confesso que quando vi o livro no stand, tive um mini ataque cardíaco! E eles ainda colocaram uma Cela para que pudéssemos tirar foto. Ficou show! Agora é hora de falar do segundo livro! Vamos a sinopse…

Martha Honeydew foi solta da terrível Cela 7. Mas, apesar de ter recém-conquistado sua liberdade, o governo corrupto continua rastreando cada um de seus passos. E Isaac, o único amigo no qual ela pode realmente confiar, agora está preso na mesma cela onde ela ficou. Isaac salvou a vida de Martha; por isso, nada mais justo do que fazer o mesmo por ele. Porém, sob a mira dos inimigos, será que Martha vai conseguir salvar o rapaz sem o qual ela não consegue viver, antes que seja tarde demais?

Quero começar falando que tentarei dar o mínimo de spoiler possível sobre o primeiro livro! Caso alguém não tenha lido ainda e ler essa resenha, não quero estragar a experiência. Então vamos relembrar o que aconteceu no primeiro! Martha foi acusada de matar Jackson Paige, a celebridade mais adorada do país, e segundo o novo sistema de justiça, ela vai parar no Corredor da Morte, da Cela 7. Sete dias, sete celas. Cada uma com alguma coisa feita para pirar a cabeça da pessoa. Com muitas reviravoltas, Martha consegue escapar da condenação, após o verdadeiro assassino confessar o crime. Afinal, Martha não tinha mesmo matado Jackson, ela só queria ser a mártir da causa, pela qual outras pessoas, com mais poder, lutariam.

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E agora que Martha conseguiu sua liberdade e Isaac tomou seu lugar, isso não significa que ela irá parar de lutar. O problema é que, ela pode ter alguns amigos ao seu lado, mas sua lista de inimigos é ainda maior e mais poderosa, além da sociedade que não aceitou muito bem o fato dela ter sido libertada.

Como as pessoas podem sentir tanto ódio, e com tanta facilidade? Como as pessoas podem decidir o que sabem a meu respeito e me julga somente de acordo com o que leem nos jornais e com o que a TV diz?

Eve, Cícero e Max continuam, praticamente, os únicos que apoiam e acreditam em Martha. O sistema deu um jeito de tirar Gus do caminho, fazendo com que ele fosse condenado a prisão por algo que não fez. A Sra. B, é apenas uma idosa que acaba pagando caro também, para que as pessoas no poder continuem encobrindo suas mentiras… Só que mesmo que a tão sonhada liberdade tenha sido dada a Martha, o sistema vai tentar acusá-la de outra coisa e vai arrastando qualquer pessoa que ousar defendê-la.

Para fazerem com que Martha continue sendo perseguida, a ideia é transformar ela em uma pessoa mentalmente instável, se tornando perigosa para as pessoas. Além de construir a ideia que ela que influenciou Isaac na morte de Jackson. E seus amigos e defensores, também passam a ser desacreditados. Martha então, se vê obrigada a fugir do refúgio que era a casa de Eve e voltar a se esconder pelas ruas. Ou seja, agora ela precisa fugir para se proteger, ao mesmo tempo em que precisa bolar um plano para salvar Isaac.

– Não importa – diz ela. – Eles vão inventar alguma coisa. Eles veem Martha, e a nós, como uma ameça. […] Por que arriscar, quando podem nos silenciar antes que qualquer pessoa comece a escutar? – Diz ela. 

Nesse meio tempo, durante as narrativas de Isaac, ele vai tendo fragmentos de memórias de seu passado e faz com que a gente comece e ligar com pontos de outras narrativas e comece a pensar em mais uma pessoa responsável pela corrupção no poder e que luta para salvar os culpados, que são ricos e colocar os inocentes, que são pobres, no lugar.

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Martha acaba forçada a criar alianças com pessoas pouco confiáveis e não parece perceber que armadilhas podem acontecer pelo caminho. Já seu amigo Max, continua empenhado em conseguir espalhar para as pessoas todas as provas que eles tinham sobre a corrupção existente. E com isso, ele sim, pode selar alianças com pessoas que podem ajudar muito.

A vida é como um castelo de cartas, às vezes, não é mesmo? Derrube uma por acidente e toda a estrutura desmorona sobre você. Neste momento, o que resta dela está se equilibrando sobre a minha cabeça, e balançando de um lado para o outro.

Com tudo que vem acontecendo, os ânimos da população ficam muito exaltados. Se por um lado existem pessoas que amam o novo sistema de justiça e acreditam que ele seja o melhor que possa existir, há quem seja contra e enxergue a corrupção presente nele, pedindo a volta do sistema antigo. O novo desejo dos favoráveis é que separem as Avenidas – local onde os ricos moram – dos Arranha Céus – local onde os pobres moram -, por meio de muros.

O Sétimo Dia nos deixa tanto a flor da pele quanto em A Sétima Cela. A diferença é que aqui, ficamos mais indignados, porque a manipulação do governo, do sistema de votos e até da mídia é ainda mais notório e escrachado. Kerry esta criando uma história que só nos faz pensar, cada vez mais, o quanto o Brasil atual se compara com essa Londres do futuro.

Joshua: […] Por isso, eu peço a vocês que saiam e comecem a questionar tudo, procurem saber a verdade sobre o seu país e seus líderes. […] Duvido que eu volte a esse palco, então imploro a todos vocês: vivam com seus olhos e corações abertos, questionem tudo o que for dito e formem suas próprias opiniões, sejam quais forem…

O livro continua na dinâmica de ser divido como se as Celas fossem os capítulos e dentro as subdivisões. O Estúdio de TV – com Campainha da Justiça ou o Morte é Justiça -, Isaac, Martha, Max, Primeiro Ministro, Casa da família Stanton e por aí vai. O livro é uma mistura de terceira pessoa com primeira pessoa e, assim como no primeiro livro, essa dinâmica deixa tudo mais legal. Pode parecer cansativo em um primeiro momento, mas depois vemos que é necessário para que possamos entender o todo.

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Comparando os dois livros, achei que em O Sétimo Dia, apesar de mais revelações, o ritmo é mais calmo que o outro. Não sei se foi pelo fato de já conhecer o plot principal e a dinâmica em que ele é construído, mas tive essa impressão. Até acaba tendo menos diálogo, já que a principal personagem passa muito tempo sozinha. Por outro lado, achei que o livro acaba nos trazendo mais fatos importantes para entender toda a situação e teorizar sobre o que pode estar por vir.

Eu e você, Martha, lutamos para mudar o sistema de justiça, para livrá-lo da corrupção e torná-lo justo, e ainda estamos lutando. Mas, mesmo se conseguirmos vencer essa batalha, será que ainda haverá a pena de morte? É isso o que as pessoas deste país querem? 

Agora quero falar do trabalho da editora Astral Cultural. Quando conheci a trilogia, no início do ano, só tinha o primeiro, sem nem previsão do segundo. Imaginei que fosse sofrer muito tempo de espera, mas não. Pouco depois de sair lá fora (junho de 2017) a editora já trouxe para cá. O último já tem data para sair (janeiro de 2018) e espero que eles tragaram rapidamente, que eu já to louca com teorias e apaixonada pela capa. Sobre a diagramação, continua digna de elogios. As letras e o espaçamento são confortáveis para a leitura, a folha grossa e amarelada. As divisões são nítidas, sem deixar nenhuma confusão.

A trilogia A Cela é uma combinação poderosa entre distopia, romance e suspense, que pode agradar fãs de todos esses gêneros. A história é cativante e, mesmo que tenha elementos muito semelhantes a outros livros distópicos, ainda carrega suas particularidades. O segundo livro leva quatro Angélicas.CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

 

 

23 comentários em “Resenha ‘O Sétimo Dia – Kerry Drewery’

    1. Aaaai, eu também. Acho que por isso amo tanto as distopias. Acho que você pode ter tido essa impressão, porque não pude me aprofundar muito, já que traria (grandes) spoilers do primeiro livro.

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  1. Olá!
    Ainda não conhecia a trilogia, mas achei o enredo incrível. Fiquei fascinado com essa dinâmica das celas. Além disso, o livro traz uma crítica bem bacana e atual. Uma leitura bem proveitosa.
    Vou querer conhecer a trilogia em breve.

    Abraço!

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    1. Isso é. As distopias são muuuuito parecidas entre si. Fiz esse comentário em outra resenha. Sou loucamente apaixonada pelo gênero, o livro da minha vida é Jogos Vorazes. Mas todos carregam elemente muito parecidos e sei que pode incomodar muitas pessoas. Ele é mesmo.

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  2. Que ótima continuação! Esses livros que trazem certa indignação ao leitor são muito bons, pois assim passamos a questionar a nossa realidade. Ainda não tinha ouvindo falar do livro, mas fiquei curiosa!

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  3. Não é o tipo de livro que gosto de ler, mas adoro essas experiência literárias, quando se brinca com o narrador alternando entre 1 e 3 pessoa e quando temos multipolos pontos de visão. Fiquei bem curiosa, por essas características.
    Bjos

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  4. Oi, tudo bem? Li suspense? Apesar de gostar de distopia leio bem pouco. Leio mais suspense, policiais e romance adolescente. Meu gênero preferido é suspense ainda mais quando a história nos prende desde o início. Gostei muito do enredo e com certeza leria. Beijos, Érika =^.^=

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  5. Oi tudo bem? Ameii sua resenha! Gostaria dr saber se você tem informações do terceiro e último livro. Não estou conseguindo encontrar nem o titulo.
    Obrigada.
    Bjos

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