Crítica da Série: ‘The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada’

Oi Gente!! Sabe quando você assisti uma série e mesmo quando ela acaba tu não consegue esquecer? Aquela série que você quer falar com todo mundo? Isso aconteceu comigo após assistir ‘The Handmaid’s Tale’. Mesmo antes de acabar a temporada, eu estava aflita pra falar com alguém sobre cada episódio. A série é produzida pelo serviço de streaming Hulu (similar ao Netflix) que estreou em abril e tem conquistado cada vez mais fãs.

Confere essa sinopse e trailer antes…

Sinopse: Depois que um atentado terrorista ceifa a vida do Presidente dos Estados Unidos e de grande parte dos outros políticos eleitos, uma facção católica toma o poder com o intuito declarado de restaurar a paz. O grupo transforma o país na República de Gilead, instaurando um regime totalitário baseado nas leis do antigo testamento, retirando os direitos das minorias e das mulheres em especial. Em meio a isso tudo, Offred é uma Aia, ou seja, uma mulher cujo único fim é procriar para manter os níveis demográficos da população. Na sua terceira atribuição, ela é entregue ao Comandante, um oficial de alto escalão do regime, e a relação sai dos rumos planejados pelo sistema.

Surtaram com esse trailer? Eu achei a série após ler uma matéria sobre ela, então fui ver o trailer e não conseguia parar de pensar nela. A cada episódio nós tomamos um soco no estômago com os assuntos que a série aborda. ‘The Handmaid’s Tale’ é a adaptação do livro de Margaret Atwood publicado em 1985. O livro já é um clássicos nos EUA e Canadá e com o sucesso da série, o livro ganhou uma nova capa.

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O livro chegou ao Brasil pela editora Rocco como ‘O Conto da Aia’ e também recebeu uma nova capa recentemente.

Aí vocês me perguntam porque estou tão impactada com essa série né? ‘The Handmaid’s Tale’ se passa num futuro distópico pós-guerra onde as minorias perderam todos os direitos, principalmente nós mulheres. Quando a nova sociedade baseada na teocracia foi instaurada, as mulheres foram divididas conforme as ‘necessidades’ dessa nova sociedade.

As Esposas dos Comandantes são donas de casa, inférteis e usam vestidos verdes para identificá-las. As Marthas são responsáveis pela limpeza e pela comida da casa dos Comandantes. As Aias vestem vermelho, exceto a cabeça, onde usam uma touca branca. Quando vão sair usam um chapéu com grandes abas, que as impedem de ver ao redor e de serem vistas também. Elas são responsáveis por gerar os filhos da nação. Elas são preparadas para o posto pelas Tias, treino que inclui humilhações e tortura em caso de desobediência, que vestem marrom.

Faithful

Explicada a função de cada uma na sociedade vamos saber como essa série me impactou tanto. Eu já disse que as Aias são mulheres consideradas férteis e que foram designadas a servir seu país certo? É claro que elas não escolheram isso, mas ninguém foge de Gilead. Durante os 10 capítulos da série a gente percebe que a grande maioria tenta fugir quando essa nova sociedade foi implantada, mas poucos realmente conseguiram.

Todo mundo que tentou foi morto ou no caso das mulheres foram levadas a servir o país. É assim que conhecemos June (Elisabeth Moss). Ela era casada e tinha uma filha pequena. Eles tentaram fugir, mas foram separados durante a tentativa. June é levada para o Centro Vermelho onde será treinada para ser uma Aia. Após o treinamento, ela foi designada a servir um Comandante e com isso ela também perde sua identidade. Ela passa a se chamar Offred, o que literalmente a designa como propriedade de Fred (Of Fred = Do Fred).

E é aqui que eu comecei a ficar cada vez mais horrorizada com as leis de Gilead. Eu já disse que é uma teocracia certo? Então tudo que eles fazem é em nome de Deus. Tudo é justificado pela religião. Como algumas mulheres ficaram inférteis com a guerra é justo em nome de Deus que as mulheres férteis sirvam seu país. Quando um Comandante recebe uma Aia, ela passa a viver na casa dessa família e durante seu período fértil, ela precisa passar pela cerimônia de fertilização. O Comandante faz uma oração diante da esposa e dos empregados como testemunha. Logo depois, ele literalmente, pode estuprar a Aia na frente da esposa. Eu digo estupro porque as mulheres que servem como Aias não escolheram estar nesta posição.

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A série é narrada toda pela visão de Offred, mas num certo momento quando estamos tendo momentos do passado do Comandante com a esposa, Serena (Yvonne Strahovski), vemos que ela foi uma das pessoas que escreveu as leis de Gilead e hoje ela faz parte de uma sociedade onde as mulheres são submissas aos homens. Em alguns momentos a gente até consegue ver a insatisfação dela, mas ela logo mascara e finge ser a esposa perfeita e feliz.

Durante essa primeira temporada tivemos tantas reviravoltas que eu já não sabia o que ainda poderia acontecer. A companheira de caminhada de Offred logo é vista como alguém perigoso. Ofglen (Alexis Bledel) confessa para Offred que existe um grupo dentro da sociedade que quer se rebelar, que ela precisa ajudar se quiser rever sua fila. Ela acredita que seu marido, Luke (O-T Fagbenle), morreu durante a tentativa de fuga deles, então passa a observar cada passo do Comandante em busca de alguma pista que leve esse novo governo a cair.

É nítido o interesse do Comandante por Offred, tanto que eles passam a se encontrar todas as noites para jogar. Ele acredita que esteja fazendo ela se interessar por ele e passam a ter essas interações sem que ninguém saiba. Eles não podem ter esse tipo de relação. O Comandante só deveria ‘falar’ com ela nos dias da cerimônia. Além disso vale frisar que as mulheres são proibidas de jogar assim como ler.

Birth Day

A opressão nesta nova sociedade é tanta que os professores foram mortos. Offred trabalhava numa editora e foi a primeira coisa que o novo governo fechou, pois pessoas instruídas poderiam se levantar contra os governantes. Além dos professores, os homossexuais também não foram aceitos nessa nova sociedade. Somente se for uma mulher fértil. Essa sim pode ser perdoada em nome de Deus.

As Aias também são responsáveis por ‘julgar’ algumas pessoas que são pegas cometendo crimes punidos com a morte em Gilead. Nos primeiros capítulos temos uma cena super forte onde o condenado é um homem que foi preso por estuprar uma Aia. É isso mesmo minha gente, apenas os Comandantes tem esse ‘direito’, mas para eles não se trata de estupro certo? Eu não vou dizer como essas mulheres fazem o homem pagar para não estragar a surpresa. Temos outra cena nos capítulos finais. Uma pessoa será punida por colocar a vida de uma criança em perigo. Só que essa pessoa é uma Aia e vocês precisaram assistir para saber como ela foi parar nesta situação.

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A série fez tanto sucesso que logo no início já teve a segunda temporada confirmada. ‘The  Handmaid’s Tale’ foi indicado em quatro categorias no TCA Awards. A premiação será no início de agosto e a série concorre em categorias importantes como:

  • Destaque Individual em Drama (Elisabeth Moss)
  • Nova Série de Destaque
  • Drama de Destaque
  • Programa do ano

O elenco dessa série está incrível. Temos um show de interpretação. É impossível não querer assistir mais um episódio. Você assiste o primeiro para saber se vai gostar e quando se dá conta já está assistindo a Season Finale e querendo a segunda temporada. Eu fiquei muito chocada com tudo que assisti, pois realmente me peguei pensando se com esse governo que temos atualmente um outro não poderia surgir, aparentemente do nada, como foi na série.

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Eu estou aqui tentando convencer vocês a assistirem ‘The Handmaid’s Tale’ porque na minha opinião é uma das melhores séries deste ano. Ela tem um enredo original que vai deixar muita gente querendo a segunda temporada. O livro base dessa série é tão famoso que já teve uma adaptação antes dessa. Em 1990 foi lançado um filme com o mesmo nome da série, mas no Brasil recebeu o nome ‘A Decadência de uma Espécie’.

Gente, assistam. A série é fantástica e é impossível não te deixar pensando em várias teorias do que estar por vir após assistir o final da temporada. Eu não vou falar mais porque tenho medo de sair liberando spoilers de graça rs

Até a próxima ❤

 

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34 comentários em “Crítica da Série: ‘The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada’

  1. Ainda não assisti a série The Handmaid’s Tale mas pelo que você falou ela é muito boa, que bom saber de uma série boa. Gosto de saber das opinião de quem já assistiu, depois de ler a resenha fiquei bastante interessada pela série, você já me convenceu, obrigada pela indicação abraços.

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  2. Confesso que nunca tinha ouvido falar dessa série, mas fiquei muito curiosa. Sobretudo porque amo séries baseadas em livros e que tratem realidades distópicas. Não deixa de ser curioso o paralelismo de se justificar tudo com a religião, com o que aconteceu na realidade, por exemplo com a Inquisição.
    Decididamente, é uma série que vou ver.
    Beijo.
    lefashionaire.com

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    1. Oi Catarine!!
      Eu li um post sobre ela e fui procurar pra ver. Daí descobri que tinha livro e um filme tbm. Confesso que fiz uma mega pesquisa rsrsrs
      A gente ainda vê muita gente justificando seus atos baseados na religião e essa série mostra muito isso.
      Bjs

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  3. Confesso que fiquei um pouco enjoada de distopias por causa da quantidade delas que surgiram, mas essa história parece realmente interessante. Acho mais provável que eu leia o livro já que não tenho esse Hulu. Infelizmente, acho que sistemas radicais podem realmente surgir após eras de esclarecimento, só estudar um pouco de História que você percebe isso. T_T
    Um abraço e obrigada pela ótima indicação! Aleska

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    1. Oi Aleska!!
      Eu nem sou fã de distopia, mas fiquei totalmente fascinada por essa série. O tema é inovador e ao mesmo tempo tão atual.
      O Hulu não é disponibilizado no Brasil. Assisti naqueles sites que disponibilizam séries!!
      Bjs

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  4. Pô, fazia tempos que eu não ficava tão empolgado para assistir uma série, desde “The Leftovers” 😮 Só não conheço esse tal de hulu, mas posso optar por conhecer o livro antes ❤ Este post está arrebatador 😮

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  5. Olá! Tudo bom?
    Nossa não conheço essa série e nem a produtora dela, como assim tem similares a Netflix, muito bacana esa informação. Parece realmente uma série muito bacana, fiquei louca para ver, pena que gosto de assistir quando já tem mais de uma temporada, para não sofrer kkk.
    Beijos.

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  6. Não gosto muito de distopias, confesso que li Jogos Vorazes por causa da gincana que teve no passado pelo aniversário do Além.
    Tudo que é extremo e radical tira a liberdade dos outros, creio que a série me deixará um gosto muito ruim quando a assistir, pois não gosto de assistir ninguém sendo maltratado, sou muito chorona, para livros e séries, rsrsrs.

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  7. Oi Adriana! Nossa, estou mesmo chocada com a intensidade dessa série! Aliás, só pelo que li aqui, até porque nunca tinha ouvido falar sobre ela antes. Eu não conheço muitas distopias assim. Mas, gostei muito de Jogos Vorazes justamente por essa intensidade, por essa revolta, por esse cunho fortemente crítico. A minha curiosidade agora é saber como assisti-la, porque eu não conheço o sistema Hulu. Existe outra opção? Tomara que sim!

    Obrigada pela dica, mesmo.
    Beijos e até!
    Lay.

    http://www.umtracoqualquer.com

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  8. Nossa.. comecei a ler o seu post sem nenhuma pretensão… Mas ele me laçou.. eu preciso ver essa série!!! Achei um tom muito pesado e que questiona também as forças e os mecanismos de poder. Na verdade … Eu tenho uma crítica pessoal a religião e não acho que esse contexto esteja longe de ser um desejo de muitos líderes religiosos.. eles querem ser dono do corpo das pessoas incluindo do útero das mulheres.. pra mim o que vc descreveu é uma caricatura da realidade atual. Bjo! Thata

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  9. Oiii flor,
    Achei a série muuuito interessante. E o tempo todo eu fiquei pensando, e se isso acontecesse de verdade, como ia ser? Estou com muuuita vontade de ver, é uma pena que ela não vai estar na netflix já que é da concorrência. Muito obrigada pela dica.
    Beeeijos

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  10. “Eu estou aqui tentando convencer vocês a assistirem ‘The Handmaid’s Tale’ porque na minha opinião é uma das melhores séries deste ano. ” Ok, você certamente chamou a minha atenção. Que história lacradora!! É q trailer foi esse?? Vou certamente tenra encaixar ela no meio das milhares de outras séries q eu tô vendo (sempre é tão complicado). Amei a sua resenha! Deu MT vontade de ver!!

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  11. Uauuu ainda não conhecia essa série e fiquei super curiosa. Ainda mais por contar no elenco com Alexis Bleedel. Já vou procurar agora. Muito boa sua resenha, muito direta, traz pontos importantes. Muito bom, bjooo

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  12. Olá.
    Nossa. Chocado aqui. Quando não me deparava com algo mais impactante com tanta coisa bombando… Me aparece essa série que já quero muito assistir. Distopia é comigo mesmo na leitura e nos filmes e séries. Adoro a temática e que bacana mostrar e fazer uma crítica a aversão do regresso.

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  13. Gente, eu to chocada :O sério! E muito curiosa!!! É o tipo de série que já faz eu me imaginar maratonando enlouquecidamente hahahha e depois de assistir o trailer, fiquei com essa musiquinha sacra na cabeça, que medo hahahha como você fez pra assistir, Dri? É uma plataforma paga como o Netflix?

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