Resenha: ‘Tony & Susan – Austin Wright’

Olha eu aqui outra vez com resenha de livro que foge totalmente a minha rotina de leitura. A coisa boa sobre isso é que a gente fixa totalmente qual é o nosso gênero de leitura preferido ou acaba descobrindo várias histórias que talvez nunca daríamos uma chance. Isso aconteceu com ‘Tony & Susan’. Eu não diria que vou começar a ler thrillers policiais com a frequência que eu leio romances, mas já não é um gênero que vou deixar de lado como sempre fiz.

Sendo assim, vamos à sinopse…

“Sinopse:  Há vinte e cinco anos, Susan Morrow deixou Edward Sheffield, seu primeiro marido. Certo dia, instalada confortavelmente na casa em que mora, com os filhos e o segundo marido, inesperadamente ela recebe, pelo correio, um embrulho que contém o manuscrito do primeiro romance escrito por Edward. Ele lhe pede que leia seu livro: Susan sempre foi sua melhor crítica, justifica. Tony e Susan, de Austin Wright, publicado originalmente nos Estados Unidos em 1993, ganha nova edição, dezoito anos depois de seu lançamento, por se tratar, segundo seus editores, da “mais impressionante obra de arte da ficção americana desde Revolutionary Road, de Richard Yeats”, publicado no Brasil como Foi apenas um sonho. Ao iniciar a leitura, Susan é arrastada para dentro da vida do personagem Tony Hastings, um professor de matemática que leva a família de carro para a casa de veraneio no Maine. Quando a vida comum e civilizada dos Hastings é desviada de seu curso de forma violenta e desastrosa, Susan se vê novamente às voltas com seu passado, obrigada a encarar a própria escuridão e a dar um nome para o medo que corrói seu futuro e que vai mudar sua vida.”

Nossa história começa quando Susan recebe o manuscrito de um livro escrito pelo seu ex-marido Edward. Ela estranha que ele tenha mandado pra ela ler já que eles não se falam há mais de 20 anos e ao longo da leitura descobriremos que a separação deles não aconteceu numa boa. Ok, separações na maioria das vezes não são numa boa. Ela deixa o livro de lado um pouco, pois ainda é inacreditável que Edward queira sua opinião sobre seu novo livro.

Antes de Susan começar sua leitura, nós podemos pegar algumas partes de quem ela é. Ela é uma mulher na casa dos 50 anos, em seu segundo casamento com Alfred, um médico muito bem sucedido, mas que tem um caso com a secretária/ assistente. Ela tem filhos e vive muito bem numa casa enorme, mas percebemos que ela não é feliz apesar de todas essas coisas.

‘Tony e Susan’ tem duas histórias num único livro, pois temos a história de Susan e temos a história que Edward escreveu. O livro é separado exatamente dessa forma. A diagramação mostra quando Susan está lendo ‘Animais Noturnos’ e quando está contando a história dela, seja a do passado ou a do presente. As páginas são levemente amareladas, a fonte é pequena e o espaçamento é muito pouco. Achei cansativo a leitura por causa disso e também por ter narrativa em terceira pessoa.

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Como mostra a foto, temos a nossa primeira sessão de leitura de ‘Animais Noturnos’. Nesse livro vamos conhecer a história de Tony Hasting, um pacato professor universitário que vai passar um fim de semana com sua família no Maine, mas que vê tudo dando errado quando são abordados por estranhos na estrada. É aqui que tudo acontece. A história é eletrizante e eu vou dizer uma coisa pra vocês: eu não tenho estrutura pra ler esses livros.

No livro escrito por Edward temos uma história cheia de mistérios, sequestros, estupros, assassinatos e a busca de um homem por vingança/ redenção. Tony, o nosso mocinho que de cara parece ser frágil aos poucos vai ganhando força para fazer o que é certo e lutar por justiça. Eu confesso que curti muito mais essa história do que a história de Susan. Só que é aí que tem a jogada que faz desse livro incrível. A cada nova página que Susan lê, ela acaba voltando no passado e revivendo momentos da vida dela com Edward.

Essa história foi tão bem recebida que em 2016 tivemos a adaptação do livro para os cinemas. ‘Animais Noturnos’ teve em seu elenco nomes de peso como Amy Adams (Susan), Jake Gyllenhaal (Edward/ Tony), Armie Hammer (Arnold) que no filme teve o nome do personagem trocado. O filme foi dirigido por Tom Ford. Nós tivemos algumas mudanças no enredo, mas nada que deixasse a história menos eletrizante do que no livro.

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Nas separações nomeadas como Interlúdio, temos a história do passado e do presente de Susan sendo contada. De verdade, eu achei super arrastado essa parte. Susan do presente é uma mulher totalmente infeliz e vive de aparência já que ela e Arnold são ricos e bem sucedidos. O passado dela com Edward acaba sendo mais interessante do que atual vida de Susan. Eles foram felizes, mas as diferenças entre eles venceu ao amor.

Edward se tornou uma pessoa muito reclusa. Todas as vezes que ele tentava escrever um livro e não conseguia, ele se isolava de Susan e isso foi minando a relação deles. Além disso, Susan passou assumir as despesas da casa porque Edward abandonou tudo para se tornar um escritor. Enquanto Susan tentava manter tudo no lugar, Edward enlouquecia tentando escrever um bom livro.

No meio disso tudo, surgi o lindo médico Arnold. Eles eram vizinhos e ambos casados. Arnold tem um problema sério com a esposa e Susan está vivendo vários problemas com Arnold. Eu confesso que eu não gostei que a relação de Susan com Arnold começasse dessa forma. Ambos foram infiéis aos seus cônjuges e tentaram justificar a traição com os problemas que eles tinham em seus casamentos. A traição de Susan é fundamental para a transformação de Edward e poderemos notar ao longo da leitura.

“Depois Susan teve medo de entrar no mundo do romance, que poderia fazer com que ela esquecesse a realidade. Agora, ao deixá-lo, ela tem medo de não conseguir voltar. O livro se entrelaça em sua cadeira como uma teia. Ela tem de abrir um buraco para conseguir sair. A teia danificada, o buraco vai crescer, e quando ela voltar a teia estará desfeita.” 

‘Tony e Susan’ não é um livro fácil de ler, principalmente para quem não costuma ler esse gênero, mas eu achei muito bom. Tem um jogo incrível entre as duas história e que ao longo da leitura a gente vai notando. Talvez no filme vocês peguem esses detalhes melhor, pois vamos notando as familiaridades entre os personagens, seja física como as de personalidade. O autor teve uma percepção incrível ao escrever duas história em uma e deixar o leitor louco a cada página.

Apesar de não ter gostado tanto assim de Susan, eu achei ótimo a sensação que a personagem passou de que éramos nós as leitoras do manuscrito de ‘Animais Noturnos’. Cada vez que ela teve que parar a leitura, eu sentia que era eu quem estava deixando o livro pra resolver minhas coisas e já ficava aflita pra saber como Tony sairia da enrascada que se meteu.

Apesar de ser uma história contada em terceira pessoa e de ser bem arrastada nas partes que estamos apenas na história de Susan, eu indico a leitura desse livro. Principalmente para quem curte histórias com enredos misteriosos. Além disso tem um final tão incrível e quando eu digo final incrível, eu falo das duas histórias. O autor amarrou as duas histórias de uma maneira que você se pergunta o que foi que realmente aconteceu. Eu fiquei pensando por vários dias tentando decidir se tinha realmente entendido o que o autor quis passar para seus leitores. Sabe aquela pergunta: “Capitu traiu ou não traiu Bentinho?” e terminei a leitura me fazendo uma pergunta semelhante. Sendo assim eu deixo as minhas 4 Angélicas para ‘Tony e Susan’.classificacao-4-angelicas

*Esse livro foi cedido pela Editora Intrínseca no evento Aliança de Blogueiros – RJ. 

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2 comentários em “Resenha: ‘Tony & Susan – Austin Wright’

  1. Oie,gosto de vários estilos literários. Romances,suspense,mistério e histórias investigativas fazem parte dos livros que costumo ler.
    E achei a trama do livro diferente… Essa junção entre fatos passados e presente,sempre nos fazem ficar curiosas.
    Bem,lendo sua resenha,acho que o livro tem tudo que gosto.
    Adoro um mistério!

    Ah,e eu não sabia sobre o filme. E foi uma agradável surpresa.

    Curtido por 1 pessoa

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