Resenha: ‘Revolução Moral – Kris Valloton e Jason Valloton’

A resenha de hoje foi a mais difícil que já fiz. Primeiro porque não é um livro que eu pegaria pra ler por livre e espontânea vontade, segundo que eu não gosto de falar sobre religião, pois é um assunto que sempre rende muitas polêmicas e terceiro que eu quase não consegui terminar. O livro ‘Revolução Moral’ chegou até mim através do evento que participamos feito para a Aliança de Blogueiros – RJ e eu me peguei pensando no que escreveria para não gerar confusão.

Então, antes de começarmos a falar sobre o tema, vamos à sinopse?

“Sinopse: A inocência da pureza sexual tem sido pervertida pelo mundo e sabotada pelos fariseus religiosos. Ao longo do tempo, o ataque dos predadores sexuais e pornográficos tem distorcido a mentalidade desta geração.
Pessoas em todos os lugares estão lutando para se libertar desta terrível prisão. Revolução Moral é mais que um livro, é um manifesto que irá reescrever os paradigmas sexuais do nosso tempo e libertará o planeta para comemorar a virgindade, assim como a aliança de amor. Este livro mexerá com você!”

O livro tem um público alvo, infelizmente eu não faço parte dele, então eu tive um pouco de dificuldade para aceitar algumas partes. O livro é escrito pelos pastores Kris e Jason Valloton e fala sobre temas como: casamento, sexualidade, masturbação, aborto, homossexualidade e outros. Então vocês já podem perceber que os assuntos são polêmica pura né? Sabendo disso, eu segui com a minha leitura e tentei manter a mente aberta sobre as discussões. Como eu disse, o livro tem um público alvo, que são os jovens cristãos a fim de mostrar e orientar como evitar as perversidades do mundo.

O que eu mais gostei no livro foi quando o pastor Kris começou a conta uma história intitulada como a ‘Parábola do Anel’. Basicamente, ele descreve a história de Johnny e a busca por um ideal. Ele é um menino de 14 anos que trabalha por todo o seu período colegial para pagar um anel que custava 10 mil dólares. E porquê? Porque ele acreditava que este anel o levaria a conhecer a mulher da sua vida. E a história não acaba aí.

Johnny é convocado para o serviço militar. Chegando lá, a sua tropa é designada para servir na guerra do Vietnã. Johnny coloca o anel no revestimento de seu capacete para que de alguma maneira ele estivesse sempre com ele. Durante o serviço, Johnny é atingido e acaba perdendo o capacete quando está tentando chegar até as trincheiras. Somente quando chega lá e está protegido é que ele se dá conta que seu capacete ficou para trás. Ele fica desesperado, afinal o anel no qual trabalhou tanto está naquele capacete, e num ato de extrema loucura ele sai em direção do capacete.

Infelizmente Johnny é atingido com dois tiros na perna e no joelho durante o salvamento do capacete e é levado desacordado para o hospital. Ele acorda depois de três dias e de ter passado por uma cirurgia para dar de cara com a mulher da sua vida bem diante dele. Ela é a enfermeira que está cuidando dele. Num impulso, ele acaba pedindo a enfermeira em casamento. Ela ri e sai para chamar o médico. Johnny passa algum tempo no hospital para poder se recuperar e acaba aos poucos conhecendo Maria.

Os dois se envolvem. Johnny volta para o seu pelotão. Maria continua no hospital, mas eles continuam se falando por cartas. Eles acabam se casando e Johnny entrega o tão sonhado anel para Maria na noite de núpcias como ele sempre sonhou que aconteceria. No dia seguinte Maria acaba perdendo o anel durante o passeio na praia. Quando Johnny percebe que Maria perdeu o anel, ele simplesmente não consegue parar de chorar e ela continua perguntando porque ele chora tanto se os pais dela podem comprar outro igual. Então Johnny conta pra ela a história daquele anel.

Eles choram abraçados, pois todas as vezes que Johnny se sacrificou por aquele anel não era simplesmente pelo objeto, ele se sacrificava pela mulher que um dia seria sua esposa. Quando ele voltou pra pegar o anel e quase morreu, ele não voltava, literalmente pelo anel, mas pela noiva que ele ainda conheceria. Por parte de uma vida que ele ainda teria. O anel tem um valor que dinheiro nenhum pagaria.

“Qualquer um pode dar algo caro para alguém, mas somente os que entendem o que é um sacrifício podem dar algo verdadeiramente valioso.”

Pra mim essa foi a melhor parte desse livro e rendeu esse quote lindo e que vou levar pra vida. Infelizmente depois disso, eu comecei a discordar de alguns assuntos. Lá no início do livro, os autores falam sobre como livros religiosos tendem a tratar alguns temas de maneira severa e que este não seria um deles, mas durante a leitura a gente vai pegando alguns pontos, que pelo menos pra mim, foram colocados de uma maneira muito rigorosa e arrisco a dizer, até mesmo preconceituosa.

Super concordo com a parte onde Kris fala do seu próprio casamento. Ele, por opção somente dele, se manteve virgem para o seu casamento. Hoje em dia nós não vemos muitas pessoas fazendo isso, principalmente os homens. A virgindade sempre foi algo cobrado de nós mulheres. Mesmo que hoje em dia não seja comum vermos casamentos entre pessoas virgens, eu não vejo onde os ‘não virgens’ mereçam menos respeito ou sejam menos ‘puras’ do que quem aceitou casar virgem. Isso é uma opção de cada um de nós. O conhecido velho arbítrio. Eu concordo que hoje o sexo é tratado como algo banal por muitas pessoas, mas ainda exite muita gente religiosa ou não que eu coloco assim: teve sorte de encontrar o amor com a primeira pessoa que teve relações sexuais e não precisou ter outros relacionamentos. Nem todo mundo encontra na primeira tentativa ou às vezes essa pessoa não quer encontrar. Então, mais uma vez eu diria que é uma opção de cada um de nós. Seja por motivos religiosos ou não.

Deus é a principal fonte de direção, proteção, conforto, restauração, identidade e amor. Não há ninguém neste mundo que possa nos oferecer a segurança imutável e o amor que Deus pode.

Outro tema me deixou bastante irritada foi a forma como ele fala sobre a homossexualidade. A grande maioria das religiões ainda veem a homossexualidade como algo pervertido ou até mesmo impróprio. Então esse livro não seria diferente certo? Exatamente, ele não foi diferente e fala do assunto como “fazer sexo com alguém do mesmo sexo é perversão”. Em plexo século XXI a gente pegar um livro e ler algo do tipo é extremamente retrogrado e ultrapassado. Ser homossexual não tem nada de perversão. Amar alguém do mesmo sexo não tem nada de impróprio. Precisamos desconstruir esse preconceito.

Enfim, ‘Revolução Moral’ não é um livro para todo os tipos de público. Acredito que dê pra tirar alguns ensinamentos das palavras de Kris e Jason Valloton, mas dependendo dos seus preceitos ou doutrinas, vocês possam achar que o livro está cheio de palavras preconceituosas como eu achei em várias páginas. Para um público de jovens cristãos pode ser uma boa dica de leitura. Dito isso, após minha leitura, classifico o livro com duas Angélicas.classificacao-2-angelicas

*Esse livro foi cedido pela Editora BVBooks no evento Aliança de Blogueiros – RJ. 

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2 comentários em “Resenha: ‘Revolução Moral – Kris Valloton e Jason Valloton’

  1. Oiiiii,também não tenho o hábito de ler livros religiosos. Discordo de muitos pontos e a leitura fica comprometida.
    Não li o livro,mas gostei também da história do Johnny. E o quote dessa parte da história que nos mostrou é muito lindo!

    Mas também não gostei do preconceito existente nesse livro.

    Curtido por 1 pessoa

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