Resenha: ‘Deslocamento: Um diário de viagem – Lucy Knisley’

A resenha de hoje é sobre um história contada em quadrinhos. É um livro autobiográfico, o que deixou a história mais interessante e nos aproximou dos personagens. ‘Deslocamento: Um diário de viagem’ foi escrito pela Lucy Knisley e como eu disse, é a história dela.

Vamos à sinopse?

“Sinopse: Artista, jovem e solteira, Lucy Knisley nunca imaginou que iria escapar do inverno frio de Nova York a bordo de um navio de cruzeiro para o Caribe. Mas quando seus avós idosos planejam uma fuga tropical, Lucy decide acompanhá-los, e nada sai como ela esperava. Durante os sete dias do cruzeiro, Lucy descobre mais sobre si mesma e sua família do que aprendeu durante uma vida inteira. Lidando com a decadência física e mental dos avós que tanto adora, ela é obrigada a confrontar seus próprios medos, anseios e expectativas, navegando pelas delicadas nuances que compõem as relações duradouras, a velhice, o amor e o cuidado. Guiada pelo diário do avô, Lucy desvenda suas próprias raízes, e suas férias acabam se transformando em uma viagem de autodescobrimento.

Deslocamento é uma revelação tocante do amor e da compaixão capazes de conectar gerações em circunstâncias inesperadas; cheia de humor, sensibilidade e graça.”

Essa HQ me deixou em vários momentos com o choro entalado. É incrível ver o relacionamento entre Lucy e os avós. Eles são duas pessoas com bastante idade e estão perdendo a memória e a mobilidade. A história começa quando os avós de Lucy decidem fazer um cruzeiro. É claro que essa é uma ideia maluca, pois quem vai acompanhá-los nessa viagem? É aí que Lucy entra. Ela diz para a família que vai no cruzeiro com os avós.

No primeiro dia da viagem Lucy percebe o quanto será difícil tomar conta de duas pessoas idosas. A avó nunca lembra quem ela é e o avô não tem muito controle sobre a bexiga. Acontecem várias situações que as pessoas mais jovens não tem noção, coisas que a própria Lucy não sabia como conseguiria tomar conta de tudo isso pela próxima semana e ainda por cima sozinha.

É bem diferente ler um livro ilustrado, mas Lucy conseguiu captar os momentos certos da sua história para passar para o leitor. Apesar de não conviver diretamente com a minha avó, eu me peguei pensando como deve ser complicado o dia-a-dia de pessoas com mais de 80 anos. Em vários momentos me coloquei no lugar da Lucy e senti a aflição dela. É uma leitura comovente.

Enquanto acontece a história dos personagens dentro do cruzeiro, Lucy cita um livro de memórias que o avô escreveu. Ele conta o período que ele serviu na guerra. Todos os dias ao final do cansativo dia no cruzeiro, Lucy lê um pouco das histórias do avô. A cada dia uma página do diário de guerra do avô é revelado. Ela fala de quando o avô decidiu escrever esse livro e de como imprimiu cópias para todos os filhos e uma para Lucy. Ela achou incrível receber um livro com as histórias do avó e acabou chorando no dia que o avó entregou outra cópia para ela como se fosse a primeira. Foi ali que ela percebeu como a saúde do avô já não era a mesma.

Lucy é a neta mais apegada com os avós. Ela até menciona uma prima mais nova que nunca viu seus avós em seus momentos de gloria, quando ambos trabalhavam como professores. Eles eram acadêmicos respeitados e hoje nenhum deles consegue pegar um livro pra ler. Eles eram pessoas que valorizavam muito as vitórias acadêmicas dos filhos e depois dos netos. Lucy fala como é difícil se dar conta disso. Ambos tão perdidos dentro de suas próprias cabeças. A doença e a velhice levando tudo que um dia eles foram.

O momento mais tocante do livro é quando Lucy decide fazer aulas de mergulho e deixa seus avós com a cuidadora do cruzeiro. Quando Lucy retorna ao navio, ela não consegue achar os avós em lugar nenhum. Foi totalmente estressante. Eu me peguei torcendo para que nada tivesse acontecido com eles. Quando finalmente Lucy os encontra, eles apenas estavam passeando pelo navio nem mesmo percebendo que estavam perdidos e mais uma vez a avó nem sabe quem é ela. Lucy os leva de volta para a cabine e quando a noite chega ela se sente a pior pessoa do mundo por não saber como ajudar os avós.

Eu não costumo ler HQ’s, mas ‘Deslocamento’ ganhou uma fã. O livro levantou vários questionamentos sobre como é difícil a vida dos nossos idosos. A história é tocante e emocionante. Uma ótima história para quem tem pais ou avós com esta idade ou para quem não tem também. Uma leitura para cerca de 1h, mas que no final você fecha o livro e se pergunta se um dia poderia ficar como os avós de Lucy ou como se sentiria se estivesse no lugar de Lucy. É lindo e por isso merece minhas 5 Angélicas.classificacao-5-angelicas

*Esse livro foi cedido pela Editora Nemo (Grupo Autêntica) no evento Aliança de Blogueiros – RJ. 

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4 comentários em “Resenha: ‘Deslocamento: Um diário de viagem – Lucy Knisley’

  1. Doe ver como muitos maltratam os idosos, sendo que um dia eles e nós chegaremos a essa idade, se é que chegarmos. Por isso é tão bom ver um livro que sirva de estímulo para que todos repensemos a nossa atitude com os idosos, não somente os da nossa família, mas também aqueles que se encontram desamparados e sozinhos nos Asilos.

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  2. Posso dizer sem dúvida alguma que admiro muito a Lucy.
    Infelizmente pessoas como ela são raras. Mas também sei que deve ser muito difícil cuidar de dois idosos sozinha.
    Principalmente em uma viagem como essa.
    E como essa história deve ser emocionante!
    Principalmente por se tratar de uma história real…

    Bjs.

    Curtido por 1 pessoa

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